heitor dos prazeres

Nascido da família simples do marceneiro e clarinetista da banda da Guarda Nacional, Eduardo Alexandre dos Prazeres, e da costureira Celestina Gonçalves Martins, moradores da Rua Presidente Barroso, no bairro da Cidade Nova (Praça Onze), Heitor dos Prazeres nasceu no dia 23 de setembro de 1898, uma década após a abolição da escravatura. Sua chegada trouxe muita alegria a seu pai, esperançoso de que o filho desse continuidade ao nome Prazeres, pois na ocasião o casal tinha duas filhas: Acirema e Iraci, que ajudavam a mãe nos serviços caseiros e nas encomendas de costuras. E Lino, como era chamado carinhosamente por suas irmãs, foi crescendo e aprendendo os primeiros passos e as primeiras palavras no convívio daquela família, onde todos procuravam manter a união no trabalho para que pudessem conservar aquele nível social e não acontecesse como em outras famílias negras que, marginalizadas por perseguições raciais e sociais, não arranjavam empregos, moradias e escolas e passavam a se agrupar em morros perto dos grandes centros, criando assim as favelas. E Heitor foi crescendo, e com ele as favelas. Ao completar sete anos de idade foi surpreendido com a morte de seu admirável pai, que naquela época já começava a lhe ensinar os primeiros passos na profissão de marceneiro e alegrava as longas tardes e noites daquela casa, solando, em seu clarinete, dobrados, polcas, valsas e choros, provocando, assim, o ouvido musical de seu filho Lino. As ferramentas no armário do quintal, o clarinete em cima da cristaleira e o piano trancado em um canto da sala traziam para o menino Heitor fortes lembranças de seu pai, cuja morte ele questionava. Dona Celestina, mulher forte e dinâmica, respondia ao menino contando a história de seus antepassados, escravos vindos da África, numa jornada sofrida e desumana. E comparava a situação de sua família, até certo ponto privilegiada, graças à dedicação e ao trabalho do pai Alexandre, em comparação a outros irmãos negros. E justificava a morte do pai Eduardo Alexandre dos Prazeres, atribuindo à vontade de Deus, consolando assim as suas crianças. Com a ajuda de suas filhas, de parentes e amigos, entre eles o tio Hilário Jovino (Lalu de Ouro) – que, entusiasmado com a vocação musical de Lino, deu-lhe o primeiro cavaquinho –, Dona Celestina consegue matricular o menino numa escola profissionalizante, onde cursava o primário e aprendia a profissão de marceneiro. Heitor desenvolve-se tendo como modelo o tio, cujo modo de compor ele admirava, sendo mais tarde influenciado por ele em suas primeiras composições, despertando o interesse do pianista Sinhô por aquele estilo de composição.

Heitor engraxate, Prazeres jornaleiro e Lino ajudante de marceneiro e lustrador de móveis, todos esses personagens dentro de um corpo negro, franzino e arisco, com gingado de capoeira, na fase dos seus 12 anos, deram força ao mano Heitor do Cavaquinho, que na época já participava das reuniões nas casas das tias, onde se cultuavam ritmos afros como candomblé, jongo, lundu, cateretê, samba etc., destacando-se como um grande ogã-ilu e ogã-alabé, improvisando versos, ritmando nos instrumentos de percussão e harmonizando em seu cavaquinho, presenteado por tio Lalu, instrumento este que se tornou o amigo inseparável do menino Heitor dos Prazeres. A essas reuniões geralmente Lino era levado por seus familiares, especialmente por seu tio Hilário, que sempre o incentivava no instrumento, fazendo com que Heitor o acompanhasse em seus improvisos. Esses encontros eram feitos nos fins de semanas em casas de parentes e amigos, como na casa da própria vovó Celi, tia Esther, de Oswaldo Cruz, tia Ciata (Maria Hilária Batista de Almeida), onde aconteciam reuniões das mais famosas da época e onde se encontravam vários bambas, como Lalu de Ouro, José Luiz de Moraes (Caninha), João Machado Guedes (João da Baiana), José Barbosa da Silva (Sinhô), Getúlio Marinho (Amor), Ernesto Joaquim Maria dos Santos (Donga), Saturnino Gonçalves (Satur), Alfredo da Rocha Viana (Pixinguinha), Paulo Benjamim de Oliveira e muitos outros sambistas daquela época.

A partir daí Heitor caiu no mundo: cavaquinho em punho, caixa de engraxate e a bolsa ao lado de carregar os jornais, saiu ele na conquista de sua cidade e de sua formação nesta grande escola da vida, dedilhando seu instrumento, deixando-se levar pela magia daquele som, descobrindo acordes, tentando conhecê-los mais intimamente. Nas redondezas de seu bairro, preferia os pontos onde existia música, como as cervejarias da Praça Onze, com suas sessões de cinema mudo, animadas por pianistas ou pequenos conjuntos musicais que fascinavam o garoto Lino, ali assistindo do lado de fora, atento aos movimentos dos músicos que tiravam sons de seus instrumentos a cada movimento das cenas filmadas. Ele gostava também dos cafés nos arredores da Lapa, onde ia ouvir as orquestrinhas de valsas e choros que animavam as noites da bela época do Rio de Janeiro. Ao fim de cada apresentação, o maestro passava seu elegante chapéu de palha entre os freqüentadores, arrecadando dinheiro para os instrumentistas, que geralmente no fim das noitadas arranjavam propostas para serenatas dedicadas às pretendidas dos mais românticos freqüentadores daqueles requintados cafés.

Nos Prazeres das noites cariocas ele foi crescendo. E nos carnavais, já rapazinho e se destacando entre os bambas, Heitor costumava sair fantasiado de baiana, levando nos ombros um pano da costa em cores vivas, cantando e tocando seu cavaquinho, arrastando foliões que dançavam animadamente segurando as extremidades do pano como uma bandeira, fato esse que inspirou Heitor dos Prazeres a criar um estandarte para outros carnavais. Na década de 20, passou a ser conhecido como Mano Heitor do Estácio, devido ao fato de andar sempre acompanhado de bambas de sua amizade como os sambistas e compositores João da Baiana, Caninha, Ismael Silva, Alcebíades Barcelos (Bide), Marçal, ajudando a fundar e a organizar vários agrupamentos de samba no Rio Comprido, no Estácio e nas imediações. Chegando até a Mangueira e Oswaldo Cruz, onde havia reuniões a que compareciam Cartola, Paulo de Oliveira (conhecido mais tarde como Paulo da Portela), João da Gente, Mané Bambambam e muitos outros, participando assim da criação das primeiras escolas de samba: Deixa Falar, De Mim Ninguém se Lembra e Vizinha Faladeira, no Estácio; Prazer da Moreninha e Sai como Pode, em Madureira, que se transformaram na sua querida Portela, à qual ele deu as cores azul e branco. Heitor participou também dos primeiros passos da Estação Primeira de Mangueira, aonde ia contratar as pastoras para apresentações em festas e cassinos com seu amigo e parceiro Cartola.

Sua popularidade crescia; Heitor vivia e amava muito. Em 1925 compôs Deixaste meu lar e Estás farto de minha vida, gravada por Francisco Alves. Uma de suas paixões o censurava muito por sua vida boêmia, e por causa disso ele se inspirou e fez Deixe a malandragem se és capaz. Em 1927 começou sua famosa polêmica com Sinhô (a primeira polêmica na música popular brasileira). Apresentando-se em uma das mais populares festas do Rio de Janeiro, a de Nossa Senhora da Penha, onde eram lançadas as músicas que o povo cantaria durante o carnaval, foi surpreendido quando ouviu a música Cassino maxixe, gravada por Francisco Alves, sendo a autoria atribuída exclusivamente a Sinhô. Heitor dos Prazeres ficou chateado e foi reivindicar sua parceria na música. Sinhô, meio desconcertado, desculpou-se com aquela célebre frase no mundo do samba: “Samba é como passarinho, a gente pega no ar”. Heitor, então, fez um samba de alerta aos companheiros, Olha ele, cuidado, obtendo como resposta o samba Segura o boi. Sinhô, na época, era chamado "Rei do Samba", o que levou Heitor a compor a música Rei dos meus sambas. Sinhô tentou inutilmente impedir que o samba fosse gravado e distribuído. Embora tivesse vencido a questão, e com isso o reconhecimento público pela autoria, Heitor não conseguiu a indenização prometida por Sinhô.

Em 1931, casou-se com Dona Glória, com quem viveu até 1936, nascendo como fruto desta união três filhas: Ivete, Iriete e Ionete Maria. A prefeitura do Distrito Federal, em 1943, promoveu o Primeiro Concurso Oficial de Música para o Carnaval, do qual Heitor dos Prazeres foi vencedor com o samba Mulher de malandro, interpretado por Francisco Alves. Nessa época Heitor já trabalhava nas primeiras emissoras de rádio do Rio de Janeiro, fazendo apresentações com seu cavaquinho, acompanhado de vozes femininas, ritmistas e passistas, grupo este que se denominava Heitor dos Prazeres e Sua Gente. Em 1933, compôs a célebre Canção do jornaleiro, na qual descrevia a vida dos meninos que andavam pelas ruas da cidade vendendo jornais, numa lembrança de sua infância. A música deu origem à campanha em prol da construção da Casa do Pequeno Jornaleiro. Com a morte da esposa em 1936, da paixão e tristeza de Heitor dos Prazeres surgiu uma nova maneira de se expressar artisticamente. O compositor descobriu o pintor ao ilustrar, através de um desenho colorido, sua mais nova criação musical: O pierrot apaixonado. Nessa ocasião o artista morava num quarto na Praça Tiradentes, que era freqüentado por pessoas atraídas pela fama de Heitor no meio dos bambas e pelo conhecimento que tinha dos lugares onde aconteciam as reuniões mais importantes da cultura afro-brasileira: candomblés, umbandas, jongadas, capoeiras e rodas de sambas, entre outras. Entre tais freqüentadores, na maioria universitários, lá estava um estudante de medicina que se lançava como grande boêmio e sensível compositor de sucesso no mundo fonográfico: Noel Rosa, que fora procurar o amigo bom de briga, famoso também por sua habilidade no jogo da capoeira nas imediações, onde um marinheiro grande e forte queria tomar a sua namorada. E Heitor então foi lá resolver o problema do companheiro. Chegando ao bar onde já era conhecida sua fama de capoeirista dos bons, o tal marinheiro percebeu que tinha embarcado em uma canoa furada, e foi se desculpando com o bamba, que o mandou ancorar em outra praia, para felicidade do casal. Ao voltarem contentes, Heitor foi cantarolando a marcha que estava compondo, tendo despertado a curiosidade de Noel, que disse ter gostado muito da letra, em cuja segunda parte havia uma frase que ele considerava muito forte e triste: "Depois de tanta desgraça, ele pegou na taça e começou a rir".

Noel sugeriu que ele modificasse aquela parte da letra, e escreveu: “Levando este grande chute foi tomar vermute com amendoim”, entrando assim na parceria de uma das músicas de maior sucesso de Heitor. Na mesma noite chegaram outros estudantes à procura do mestre, entre eles Carlos Drummond de Andrade, que levava nas mãos um poema dedicado ao amigo para que fosse transformado em música. O compositor não conseguiu musicá-lo, porém mais tarde o pintor se inspiraria a criar um quadro com o nome do poema que Drummond lhe dedicara: O Homem e seu Carnaval (1934). Este ilustre estudante e um outro – não menos ilustre – estudante de jornalismo, além de desenhista, Carlos Cavalcante, foram, juntamente com o pintor Augusto Rodrigues, os incentivadores e lançadores do artista plástico Heitor dos Prazeres. Artista plástico porque sua plasticidade não se resumia ao desenho de figuras e às cores de sua pintura, abrangendo também a criação e confecção de instrumentos musicais de percussão, chegando até a costura – nos modelos de seus ternos, nas roupas de seu grupo de shows –, o mobiliário e a tapeçaria decorativa.

Em 1937 começou a se projetar como pintor, participando de exposições, sempre incentivado pelos amigos. Começava assim a dupla atividade de sambista e pintor. No ano de 1939, participa em São Paulo, nas rádios Cruzeiro do Sul e Cosmo, do “Carnaval do Povo”, com mais de 100 artistas, entre os quais Paulo da Portela, Cartola, Carmem Costa, Dalva de Oliveira, Araci de Almeida, Francisco Alves, Carlos Galhardo, Bide, Marçal, Henricão, Herivelto Martins e Nilo Chagas (dupla Branco e Preto, mais tarde Trio de Ouro com Dalva de Oliveira) e muitos outros sambistas e cantores, que foram recebidos pelo então locutor e baliza Adoniran Barbosa, o anfitrião daquele grande evento de cultura brasileira, realizado em praça pública, marcando a entrada do samba na terra da garoa. Dali a excursão se estendeu a Buenos Aires e Montevidéu.

Devido ao sucesso de tais espetáculos, esse tipo de música começou a ser requisitado pelos grandes salões. E ao voltar das excursões o elenco foi contratado por cassinos, teatros, rádios etc. No final da década de 30, além de trabalhar em emissora de rádio, Heitor fazia parte do elenco do Cassino da Urca, onde tocava, cantava e dançava em companhia de Grande Otelo e Josephine Backer, daí vindo a conhecer o cineasta Orson Welles, que o contratou como arregimentador de figurantes para um filme sobre a cultura afro-brasileira, mais precisamente o samba e o carnaval.

Novo casamento acontece nessa época, Heitor e Nativa Paiva, uma de suas pastoras, que lhe deu dois filhos: Idrolete e Heitorzinho dos Prazeres, um menino tão esperado que o inspirou na composição da música A coisa melhorou, onde, em versos, dizia: "É mais um guerreiro, é mais um carioca, é mais um brasileiro". A música foi gravada numa das primeiras produções independentes, lançando a cantora Carmem Costa em sua carreira solo como intérprete (no começo da década de 30, Heitor já havia produzido um disco independente para o carnaval com as músicas Gata borralheira e Me forçou a dormir cedo, com um detalhe curioso: o disco matriz era colocado na eletrola de trás pra frente).

Dos Prazeres – talvez por influência do sobrenome –, além do prazer pela arte da música, da dança e da pintura, cultivava o grande prazer de estar sempre rodeado de belas mulheres, tratadas carinhosamente de “minhas cabrochas”, geralmente mais de dez moças que ele treinava para dançar e cantar com seus músicos e ritmistas e que o acompanhavam em suas excursões. Numa dessas apresentações em São Paulo, onde Heitor fazia muito sucesso nos programas de rádio, em teatros, circos e festas populares de rua, conheceu uma bela jovem, com nome de flor, que lhe deu a filha Dirce e o inspirou na marcha-rancho Linda Rosa,. Seus amores eram suas musas, como nas músicas Deixa a malandragem, Gosto que me enrosco e Mulher de malandro, inspiradas em tia Carlinda, com quem teve um romance nos idos de 1927 e tiveram uma filha – Laura, a mais velha.

Outro destaque em sua obra musical foi o samba Lá em Mangueira, de 1943, com parceria de Herivelto Martins, gravado originalmente pela dupla Branco e Preto e Dalva de Oliveira. No mesmo ano, Heitor dos Prazeres passa a integrar o elenco da rádio Nacional do Rio de Janeiro e a participar de exposições de pinturas pelo Brasil e o exterior. Uma delas foi a exposição da RAF em benefício das vítimas da 2.a.guerra, na qual apresentou sua tela Festa de São João, indicada pelo amigo e admirador Augusto Rodrigues, também participante da coletiva, que reunia artistas de vários países. O quadro do mestre Heitor foi adquirido pela então princesa Elizabeth, em Londres. Com isso a fama do pintor cresce e no mesmo ano é convidado a expor individualmente no diretório acadêmico da Escola de Belas Artes, em Belo Horizonte. “A PRIMEIRA BIENAL DE ARTE MODERNA”, em São Paulo. Incentivado novamente pelo amigo, jornalista e crítico de artes Carlos Cavalcante a participar desse evento de arte de repercussão internacional, que reuniu, em 1951, artistas de várias expressões do Brasil e do mundo, proporcionando uma grande alegria na sua carreira com a contemplação do terceiro prêmio para artistas nacionais através do quadro intitulado Moenda, que até hoje faz parte do acervo do museu.

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Show da Mesa de Samba Autoral na programação da 9ª Festa das Dálias em Taquaritinga do Norte.


Mesa de samba autoral no Recife Antigo.


Rui Ribeiro e Mesa de Samba Autoral -Estação Central Metrô.

pedrinho da flor

Em 1981, o grupo Fundo de Quintal, pela gravadora RGE, no disco "Samba é no fundo do quintal", incluiu de sua autoria "Você quer voltar", em parceria com Gelcy do Cavaco. Três anos depois, o grupo gravou outra composição de sua autoria "É bem melhor assim" (c/ Aranha). No ano de 1992, Dominguinhos do Estácio interpretou "Sob os olhos de Oxalá" (c/ Zé Roberto e Adalto Magalha) e "Sede de amor" (c/ Adalto Magalha), no LP "Mar de esperança", lançado pela gravadora RGE. No ano seguinte, seu parceiro Dhema no CD "Dhema", incluiu uma composição de ambos, "De um lado de minha janela". No ano de 1998, o grupo Razão Brasileira, pela gravadora Indie Records, interpretou duas composições suas em parceria com Adalto Magalha "Eu menti", "Medo" e "Telefone". Em 2002 Marquinho Santanna (Ex-Marquinhos Sathã) incluiu no disco "Nosso show" a composição "Dois minutos a sós com você", de sua autoria em parceria com Adalto Magalha. Entre suas obras, podemos citar; Anjo ateu (c/ Ratinho e Zeca Pagodinho) • De um lado de minha janela (c/ Dhema) • Dois minutos a sós com você (c/ Adalto Magalha) • É bem melhor (c/ Aranha) • Eu menti (c/ Adalto Magalha) • Medo (c/ Adalto Magalha) • Sede de amor (c/ Adalto Magalha) • Sob os olhos de Oxalá (c/ Zé Roberto e Adalto Magalha) • Telefone (c/ Adalto Magalha) • Você quer voltar (c/ Gelcy do Cavaco).

padeirinho

Padeirinho nasceu Osvaldo Vitalino de Oliveira em 1927. Ganhou esse apelido por ser filho de padeiro. Começou a compor aos 12 anos, época em que cantava seus sambas nos botequins da Mangueira e saía na bateria da escola. Entrou para a Ala de Compositores da escola em 1947 quando apresentou o samba "Mangueira desceu pra cantar". Sua primeira música gravada foi "Mora no assunto" (parceria com Joaquim dos Santos) num disco de Jamelão no início da década de 50. Com Joaquim dos Santos fez também "Fofoca no morro" e "Vida de operário". Foi funcionário do Cais do Porto e da Limpeza Pública do Rio de Janeiro. Participou do show "O samba pede passagem" no Teatro Opinião no Rio. Em 1974 gravou como intérprete o samba "A mais querida" e o samba-enredo "O grande presidente" (ambos de sua autoria), para o selo Marcus Pereira, no LP "História das escolas de samba: Mangueira". Seus sambas tem um estilo sincopado e Padeirinho foi um grande partideiro. "Favela" (parceria com Jorge Pessanha), "Linguagem de Morro" (com Ferreira dos Santos) e "Como será o ano 2000?" são seus sambas mais conhecidos. Além da gravação de Jards Macalé em "O Q Faço é Música" (Atração/1998), "Favela" está também no LP "Manhã de Liberdade" (Philips/1966), de Nara Leão e "Resistindo", do Quarteto em Cy (Phonogram/1977). "Linguagem do Morro" foi registrada por João Nogueira (“Boca do Povo”, Polydor/1980), Beth Carvalho ("Brasileira da Gema", Polygram/1996) e Jamelão (na caixa "A Voz do Samba", Continental). “Como será o ano 2000?” foi gravado por João Nogueira em "Bem Transado" (BMG/1983) e por Nara Leão em "Meu Samba Encabulado" (Polygram/1983). As três músicas aparecem ainda em “Chico Buarque de Mangueira” (BMG/1997) com Christina (“Favela”), João Nogueira (“Linguagem do Morro”) e Christina e Carlinhos Vergueiro (“Como será o ano 2000?”).

Germano Mathias gravou vários sambas de Padeirinho: "Zé da Pinga", "Conselho de Coroa", "Não é da Bahia" (com Jorge Costa), "Doutor no Samba", "Terreiro em Itacuruçá" e "Vou ficar devagar" (com Nelson Pechincha). Ele também gravou "A situação do Escurinho" duas vezes: em seu disco de 1957 (“Germano Mathias, o sambista diferente”, Polydor) e no disco que dividiu com Gilberto Gil, "Antologia do Samba-Choro" (Phonogram/1978). Paulinho da Viola gravou "Cavaco emprestado" em seu disco de 75 (Odeon) e no ano seguinte Emilio Santiago (”Brasileiríssimas, Phonogram/1976) também gravou. Leci Brandão gravou "A Mais Querida" em "No Tom da Mangueira" (Saci/1991). Elza Soares gravou o samba-enredo "Rio carnaval dos carnavais" (com Moacir da Silva e Nilton Russo) em "Elza Pede Passagem" (Odeon/1972). Jorginho do Império gravou "Esta Saudade" (com Jorginho Peçanha) em “Viva Meu Samba” (Continental/1983). Mestre Marçal gravou "Andarilho" e "A Nova Mangueira" (em “Nira Congo – Conjunto Baluartes”, CBS/1976). Clementina de Jesus canta "Me dá o meu boné" em "Marinheiro Só" (Odeon/1973). Jorge Aragão registrou "Cavaco" em "Sambaí" (Indie/1998). Beth Carvalho em "Na Fonte" gravou "Salve a Mangueira" (RCA/1981). Zezé Motta gravou "Atividade" em "Negritude" (WEA/1979). Candeia canta "Já curei minha dor" em "Luz da Inspiração" (WEA/1977), disponível em CD na coletânea "e-collection" (Warner). Xangô da Mangueira gravou "Zé Cansado" em “Xangô da Mangueira Vol. 3” (Tapecar/1978). A Velha Guarda da Mangueira gravou "Amargura" em "A Mangueira Chegou" (1989), lançado recentemente em CD pela Nikita, que também traz "Partido Alto de Padeirinho".

No disco do show "O Samba Pede Passagem" (Polydor/1966), que tem como intérpretes Aracy de Almeida e Ismael Silva, Padeirinho participa na faixa "Vem Chegando Ismael", com Bide, Zagaia e Leléo. Em "Mangueira - Sambas de Terreiro e Outros Sambas" (Arquivo Geral da Cidade/1999) Padeirinho canta "Decepção de um autor", "O remorso me persegue" (que Moacyr Luz gravou em "Na Galeria", Lua Discos/2001) e "Modificado". No mesmo disco Tantinho canta "Terreiro em Itacuruçá". O samba-enredo da Mangueira de 1956 "O Grande Presidente" foi gravado por Beth Carvalho no LP de mesmo nome em homenagem a Getúlio Vargas lançado na campanha de Brizola em 1989 pelo selo Idéia Livre. Também foi gravado por Jamelão (na caixa "A Voz do Samba"), Mestre Marçal (“Sambas-Enredo de Todos os Tempos”, Velas/1993) e Martinho da Vila ("Samba Enredo", RCA/1980). Em 1987 estava prevista a gravação de seu primeiro disco. Neste ano veio a falecer Mida, sua companheira por mais de 40 anos. Padeirinho morreu dois meses depois.

marcio vanderlei

Desde que se entende por gente ele tem verdadeiro amor à música. Aos 18 anos, rendeu-se aos encantos do cavaquinho e teve sua primeira aula com Alípio Bicalho, o Mestre Binha, um dos músicos de Clara Nunes e seu grande ídolo. Aluno aplicado, Marcio Vanderlei formou-se em harmonia pelo CIGAM e aprendeu a fazer seus próprios instrumentos. Depois de duas décadas no batente como serígrafo, decidiu viver apenas da música quando virou titular da banda de Beth Carvalho, há quatro anos. O currículo é invejável: já acompanhou feras como Mestre Marçal, João Nogueira, Martinho da Vila, Jorge Aragão, Fundo de Quintal, Sombrinha, Mauro Diniz, Almir Guineto, Arlindo Cruz, Dona Yvone Lara, Elza Soares, Marquinhos de Osvaldo Cruz, Dorina, Noca e Velha Guarda da Portela. Ele não freqüentava o Cacique de Ramos na época da geração anterior à sua e demonstra grande sensibilidade ao dizer que sente saudade de algo que não conheceu. Sentimento esse que é no mínimo curioso, pois hoje não há quem chegue nas rodas do Cacique aos domingos e não admire a habilidade de Marcio Vanderlei no banjo e no cavaquinho.

relato de uma fã

Estava fora do Rio a trabalho, quando ao entrar em casa atendo o telefonema da minha querida Iara Teixeira, que de Curitiba. me ligava pra dar um abraço afetuoso pela perda do Seu Jair. Eu não tinha tido tempo de ouvir nenhum noticiário e havia ficado com o celular desligado quase que o dia todo enfiada num daqueles seminários que parecem acabar conosco.

Fiquei atônita! Nem sabia direito o que falar... Imediatamente vieram a minha mente as inúmeras vezes que tive o privilégio de desfrutar de sua presença carinhosa, as vezes demonstrando falsos ciúmes pelo amor que eu dedicava ao Argemiro: "vc só beija ele, vc só gosta dele", as vezes me chamando pra dançar o miudinho com ele em alguma roda em que nos encontravamos.... O privilégio de te-lo presente na roda de meu aniversário, quando ele tirou o cavaco da mão do músico da roda e tocou Parabéns pra mim, provocando a indignação do Argemiro que havia ido ao banheiro e que fez recomeçar tudo de novo pois queria tocar o pandeiro junto... Momentos carinhosos, em q afagava meus cabelos e dizia baixinho a Portela é nosso amor! A inesquecível experiência que o Rábula relata abaixo na roda da minha Portela em que ele cantou Zé Keti só pra mim e pro Edu....

Quanto privilégio.... Inclua-se aqui todos os shows, canjas, rodas em que eu o vi cantar ...

A ultima vez que eu o vi, fazem uns vinte e poucos dias, eu ia de carro pela Rua Primeiro de Março - engarrafada como sempre - quando percebo Seu Jair na calçada da esquerda, andando ligeiro como se tivesse 50 anos.... Embiquei o carro pra esquerda e ignorando as buzinas comecei a chamar por ele que veio ligeirinho quando me reconheceu... Reclamou q eu andava sumida, q estava com saudades e me chamou pra ir a algum lugar que eu não sabia onde era... Fui empurrada pelo trafego pesado e ele ficou a gritar vai lá... Vai lá... Vc vai gostar.... E eu nem sabia onde era o lá que ele me chamava... Como me arrependo de não ter ido...

Acabei de chegar do Portelão.... Ainda não tinha visto que o atual presidente havia mandado pintar a quadra, apagando a frase que lá havia e que falava das sementes q a Velha Guarda plantou.... Levei um susto.... Presidentes como este passarão e ninguém nem vai lembrar q um dia existiram.... Mas a Velha Guarda vai estar sempre dentro de nosso coração....

No velório, Xangô da Mangueira se negava a ir olhar o amigo pela ultima vez e afirmava que ele queria lembrar dele com o coração.... Marisa Monte chorava muito e o mundo do samba passava por ali pra se despedir daquele que deixou marcas permanentes no samba...

Vai Seu Jair, qdo chegar no céu chama Mauro Duarte e Aniceto e pede proteção para os dois crioulos que sobraram aqui em baixo: meu amado, idolatrado salve salve Paulinho da Viola e seu parceiro maravilhoso Elton Medeiros... Peça proteção para que eles permaneçam conosco ainda muito tempo.... Chama o Argemiro e juntos cantem pra que os dois crioulos continuem conosco pra pelo menos nos ajudar a viver um pouco melhor sem vcs...

Eu te gostava muito....

Que vc desfrute da paz que merece sabendo que estará sempre dentro de nossos corações...

Carmen.

notícia da morte de Seu Jair do Cavaquinho
dada no site do Jornal O Globo

sombrinha

Cantor, compositor e músico, Montgomerry Ferreira Nunis, nasceu em São Vicente, São Paulo no dia 30 de Agosto de 1959. Sombrinha começou cedo sua carreira, auto didata, aprendeu a tocar violão muito novo, com 14 anos ganhou um violão, já como profissional, gravou com Baden Powel e os Originais do Samba. Sombrinha toca violão 4 e 7 cordas, cavaco, banjo e bandolim. Em 1979, foi para o Rio de Janeiro, onde, junto com Almir Guineto, Jorge Aragão, Bira, Ubirani, Sereno e Neoci, fundou o grupo Fundo de Quintal, já em 1980 Sombrinha começou a compor , sua primeira música "Marcas do Leito", em parceria com Jorge Aragão, foi gravada pela cantora Alcione. Hoje são mais de 300 gravações, gravadas por grandes intérpretes como Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Dona Ivone Lara, Chico Buarque e Caetano Veloso, além de muitos outros. Sombrinha ficou por 12 anos no Grupo Fundo de Quintal, onde fez muito sucesso com 12 discos, saiu em 1991 para seguir carreira solo e gravou 2 discos, já em 1995, a pedido de seu cumpadre Arlindo Cruz, fizeram a famosa dupla de samba Arlindo Cruz e Sombrinha que durou 7 anos e rendeu 5 discos.

Hoje mais amadurecido e de bem com a vida, recomeça sua cerreira solo com o CD Derramando Alegria, que retrata essa nova fase de sua vida. O disco tem sambas inéditos e 3 participações especiais, Alcione, Diogo Nogueira e Gabriel O Pensador, que conta com a produção de seu cumpadre Jorge Cardoso. Sombrinha traz na bagagem diversos prêmios e homenagens, entre eles estão 10 Prêmio Sharp de Música, sendo 6 como melhor Grupo de Samba, 1 como Artísta Revelação e 3 como melhor Composição com as canções, “Além da Razão”, “Nas Rimas do Amor” e “Ainda é Tempo Para Ser Feliz”. Também já entrou com 4 temas de novelas da Globo; Malandro Sou Eu (Roque Santeiro), Fogo de Saudade (O Outro), Alto Lá (O Clone) e Além da Razão (O Salvador da Pátria). Sombrinha já levou se samba à diversos cantos do mundo, Angola, Nova Iorque, Japão (no total de 40 cidades), além de todo o Brasil.


Sombrinha na Feijoada da Portela (RJ)

receita de sucesso

"Desde os tempos da sua fundação, a Portela sempre foi uma grande família. Como tal, às vezes surgem desentendimentos entre seus pares, mas o verdadeiro portelense supera qualquer desavença quando estão em jogo o nome e o prestígio da agremiação."
(João Batista M. Vargens e Carlos Monte)


Clara Nunes, Paulinho da Viola e Manacéa, na mesa, admirados por "seu" Antônio Rufino, ao fundo. Foto do livro "A Velha Guarda da Portela"

Saber e Sabor
Lembramos a relação feita pelo pensador francês Roland Barthes, em Aula, a respeito do prazer de ler, quando traz à luz a mesma raiz entre essas palavras e, conseqüentemente, entre os seus significados. É, também, o que podemos fazer quando pensamos na importância das reuniões dos sambistas em torno do preparo dos pratos e do prazer de saborear as iguarias feitas pelas baianas e pelos mestres da arte de cantar e de cozinhar. Todos sabemos que comer, longe de ser um simples ato de satisfazer uma necessidade básica, é comunhão. Em torno da mesa, comunga-se o prazer da companhia e faz-se o despertar dos sentidos. Celebra-se a vida, no que ela tem de melhor, e se canta o fruto do trabalho. Todos sabemos que as escolas de samba foram criadas em reuniões festivas, quer tenham sido profanas, quer sagradas. E muitas associações são feitas, regadas a petiscos de botequim, cerveja, cachaça, almoços, jantares. A comida engendra a criação.


Feijoada no tradicional "Cafofo da Surica"

Desde os tempos de Tia Ciata, em cujo quintal muito se consumiu em comida e arte, e, sobretudo, nos terreiros de samba, umbanda e candomblé, a comida é oferenda aos orixás, aos pais e filhos de santos, aos partideiros, aos convidados. Martinho e sua grande Vila Isabel já nos serviram a iguaria que foi o grande desfile de 1988, quando mostrou que a Kizomba equaliza as diferenças. É em torno da mesa que se faz a reunião e a resistência. Foi, especialmente, com o fim do regime escravagista que a comida assumiu grande fator de reunião e resistência. Libertos, sem lugar para morar, sem qualificação para o trabalho, como poderiam os negros sobreviver? Restavam os pequenos ofícios e o trabalho ambulante. Em Tia Ciata e a pequena África no Rio de Janeiro, Roberto M. Moura destaca Gilberto Freyre, ao referir-se sobre a Bahia como grande centro de alimentação afro-brasileira, com o desenvolvimento da doceria de rua. Foi com as negras forras, com seus quitutes de tabuleiro, que começou a se formar uma nova família negra, em torno da qual são criados os filhos, muitas vezes, de pais diferentes. Possuidoras de forte domínio sobre os segredos dos pratos religiosos e das recriações profanas da realidade brasileira, empregar-se como cozinheiras na casas mais abastadas ou vender nas ruas as delícias preparadas em casa foram o caminho natural para manter unida e sobrevivente a família. Talvez seja por isso que a comida no meio do samba tenha tanta importância, quando preparar e comer assumem contornos ritualísticos, quase sagrados, quando são reverenciados os mais antigos, batizados os mais novos e invocados os ausentes e as divindades - o que, para os sambistas, é quase a mesma coisa. A despeito do crescimento das escolas de samba, cujas comunidades são mais elásticas, ultrapassando os simples limites geográficos e se tornando mais sentimentais, em muitas delas ainda são fortes os laços familiares, seja por co-sangüinidade, por consideração ou por afinidade, atualizando os laços de reunião e resistência. Mesmo com as transformações por que passou o subúrbio de Madureira, tornando-se grande centro de comércio popular no século XX, em suas ruas mais residenciais e em suas adjacências - como Osvaldo Cruz, Turiaçu, Rocha Miranda, Bento Ribeiro, Vaz Lobo e nos morros (Serrinha, Congonha, São José), ainda se mantêm vivos os laços a que nos referimos. Se foi nos terreiros e festas de Dona Ester, de Seu Napoleão, de Seu Vieira que foram lançadas as sementes da Portela, também foi nos quintais de Manacéa, Dona Neném, Doca, Argemiro, Surica e na cozinha de Tia Vicentina que essas sementes deram frutos e mantêm fortes as suas raízes.

As ruas e os quintais de Osvaldo Cruz
Nestas ruas, onde nasceu a Portela, fez-se forte o elo entre o saber e o sabor de que nos fala o pensador. Neste pequeno país, íntimo e familiar, a cozinha pontua e perpetua o encontro. No livro A Velha Guarda da Portela, o professor João Batista Vargens e Carlos Monte traçam um pequeno roteiro sentimental com a mais fina gastronomia popular, guiando-nos pelas ruas e ladeiras desse país chamado Osvaldo Cruz. Vamos embarcar nessa viagem seguindo os aromas, os sabores e as melodias ainda imortais? Dutra e Melo Quintal do Manacéa, onde a Velha Guarda se reunia no início do anos 70. Nas rodas de samba, os improvisos e o miudinho. É possível encantar-se com os pratos e com a verdadeira aula de samba que foram registrados no documentário "Partido Alto", de Leon Hirzsman. Como parte do documentário também foi feita na casa de Candeia, em Jacarepaguá, é um deslumbramento ver o Mestre explicando os passos e a riqueza rítmica do samba. As rodas no quintal do Manacéa também ficaram registradas em fotografias da capa do primeiro disco de D. Ivone Lara. Pratos servidos: galinha com quiabo de Dona Neném e corvina-de-linha, frita ou cozida.


Rua Adelaide Badajos

Adelaide Badajós Aqui fica a famosa feira das quartas, onde costumava se reunir a "confraria": Armando Passos, Manacéa, Chico Santana e Irene, Rufino, Doca e Altair (filho de Alvarenga), Argemiro e Jorge do Violão, Alvaiade, Casquinha. Ponto de encontro para a compra do peixe e para muita palavra molhada com cerveja e muito tira-gosto. Antônio Badajós Nesta rua moraram a pastora Doca e seu Altair, onde se provavam umas sopas de legumes e de ervilhas que ficaram famosas, com um pagode de primeira e onde a Velha Guarda passou a se reunir na segunda metade da década de 70. Sempre apareciam por lá Beth Carvalho, Jovelina Pérola Negra - prima da pastora Doca - e Roberto Ribeiro. Depois de ficar anos na Estrada João Vicente, entre Osvaldo Cruz e Madureira, ali pela Rua Dona Clara, o pagode da Tia Doca fixou suas bases, recentemente, na Rua Andrade de Araújo, 162, em Osvaldo Cruz. Vem formando gerações de músicos e admiradores entre os mais jovens, com muito samba na palma da mão e no gogó. Fernandes Marinho Bar do Chico, onde Chico Santana e Manacéa tomavam a saideira, depois do encontro da Confraria.

Quintal do Argemiro, numa vila, entre o boteco e a padaria, onde a Velha Guarda se reunia nos anos 80 para ensaiar, beber e saborear corvina ensopada. Ao lado da casa do Argemiro e em frente à casa do Jorge do Violão ficava o ponto de bicho do Zezinho. Contava com as presenças constantes de Martinho da Vila e do - então, iniciante - Zeca Pagodinho. Júlio Fragoso O famoso Cafofo da Surica, onde, atualmente, a Velha Guarda Show se reúne, em eventos especiais - aniversários da anfitriã, em novembro, de amigos comuns e especiais, como o da atual madrinha, Marisa Monte, comemorado em 01 de agosto de 2002.


Surica entre sua feijoada e o foco da mídia.

Especialidades: macarrão com galinha e feijoada. Na mesma vila, mora o ex-passista e ex-mestre-sala Jerônimo Patrocínio. Na mesma rua, atualmente, é realizada uma domingueira na sede do Bloco Vem que Tem, com muito samba com o grupo Baianas da Águia e Grupo B e delícias da cozinha portelense sob o comando de Ivete, irmã do saudoso Silvinho da Portela, e recepção de Vera Lúcia Corrêa - a Verinha - ex-relações públicas da Portela. Perdigão Malheiros Caxambu do Vieira, comandado por Tia Teresa, mãe de Mestre Fuleiro do Império Serrano, onde, além do caxambu, dançava-se um jongo e se cantavam partidos-altos e improvisos. Tia Vicentina e as Baianas da Águia "Provei o famoso feijão da Vicentina/Só quem é da Portela é que sabe que a coisa é divina". Este samba de Paulinho da Viola, de 1972, traduz o clima reinante comum nos encontros da família portelense. Eternizando em seus versos as famosas rodas de samba promovidas pelo inesquecível Norival Reis, Paulinho põe na boca a mítica feijoada de Tia Vicentina. Vicentina do Nascimento, a inesquecível Tia Vicentina, irmã do também mítico Natal, nos traz a lembrança das lendárias tias da Praça XI: cozinheira de mão cheia, mãe de todos, desfilou anos na Ala da Baianas da Portela e trabalhou no barracão na confecção de diversos carnavais.

Sua personalidade festeira e seu carisma podem ser conhecidos - mais ou menos, claro - através de uma saborosa história que João Batista Vargens e Carlos Monte contam em seu livro já citado: "Domingo de carnaval, 1973. Chovia muito, encharcando as fantasias e o encouramento da bateria. A águia, de penas molhadas, abria o cortejo da campeoníssima Portela. Alas evoluíam com dificuldade no asfalto pesado e o agudo das pastoras era travado pelo temporal impiedoso. O último grupamento, a Ala das Baianas, arrastava-se melancolicamente, suportando saias e rendas desfiguradas. Solitária, alguns metros atrás, uma negra redonda, ovelha desgarrada que se atrasara no desfile, jogava beijos e era ovacionada pela platéia. No dia seguinte, Estandarte de Ouro para Vicentina, a grande dama da Portela." (Neste ano, o Cinqüentenário de Fundação com Pasárgada, o amigo do rei.)

Vaidosa consigo mesma e de suas habilidades culinárias, exercia com generosidade a arte de receber e servir, fazendo e decorando com capricho os pratos fartos com todo o tipo de delícias que nos remetem ao aconchego de nossas mães e avós. Para quem viveu e saboreou aqueles tempos, a canja, o mulato-velho, o bobó de camarão, a carne seca, o macarrão com galinha, o mocotó, o angu à baiana e, especialmente, o feijão da Vicentina são lembranças atemporais. Mas Vicentina também era famosa pela voz, considerada linda e firme. Juntamente com Iara, também da Ala das Baianas e sobrinha de Seu Napoleão, participou como pastora da gravação do histórico Portela passado de glória, em 1970, um tributo aos baluartes Paulo da Portela, Antônio Rufino, Antônio Caetano, Ventura, Aniceto, Alberto Lonato, Francisco Santana, Mijinha, Manacéa, Heitor dos Prazeres, João da Gente, Alvaiade, Alcides Dias Lopes "Malandro Histórico da Portela", Armando Santos e Monarco. Para a sessão de fotos, Dona Iara emprestou sua casa, na Rua Sérgio de Oliveira, a famosa antiga Rua B, e - claro - preparou a comida.

Para a gravação, no Estúdio Havay, atrás da Central do Brasil, Vicentina levou salgadinhos e galinha, dando um toque intimista, familiar, caseiro. Foi um momento único, sem ensaio, uma gravação de primeira. Imortalizava-se a Velha Guarda. Imortalizava-se Tia Vicentina. Com a inauguração da nova sede da Portela, em 1972 - o Portelão - Tia Vicentina afastou-se do grupo para cuidar da cozinha da nova quadra. Tarefa de muita responsabilidade e que requeria alguém com a mesma grandeza. E as rodas de samba no Portelão continuaram com o sabor do feijão da Vicentina. E, entre tantas estrelas, começa a brilhar no chão portelense Clara Nunes, assídua presença. E foi nesse chão portelense que a mestiça maior pisou feliz. Sábia a sabiá! Sabia o sabor e fruía a sabedoria dos antigos, as especiarias, as sementes que se tornam caudalosas poções negras como as tias baianas e a mais intensa e profunda noite com estrelas.


Clara em uma de suas últimas fotos, num encontro de portelenses.


Até 1983, éramos uma enorme família feliz, com laços e elos inquebrantáveis. Nossa força vinha daquelas comunhões, da nossa gente, daquelas melodias, daquelas tardes feitas de cheiro e sabor. Hoje, a Guerreira e a Dama são mais duas estrelas no Céu Portelense. Depois de um longo e doloroso luto pela morte de Clara Nunes - exatos 20 anos - a Portela volta com muito sucesso a reunir sua Velha Guarda, seus admiradores, seus vizinhos, batuqueiros e partideiros para provar que saber e sabor, de fato, andam juntos. Seus encontros mensais foram iniciados no dia 21 de junho de 2003, numa bela tarde de sábado, com o céu azul servindo de moldura para um história reatada ao passado, porém, argumento para outra que se inicia. Invocando os grandes sambistas e as divindades - os quais, para nós, portelenses, habitam a mesma morada - o mestre de canto e de cerimônia Marquinhos de Osvaldo Cruz faz evocar, através da Velha Guarda, o sentimento de respeito aos antepassados e o orgulho da nossa resistência. Abrem os sentidos, despertam as emoções. E o cheiro do tempero do feijão nos remete aos tempos da felicidade adormecida em nossos corações. Ecoam as alegrias, o cotidiano, as amores perdidos, as brigas, o sentido maior da vida e da morte. Cantam-se as coisas simples da vida, as histórias, a natureza, sob a forma de sambas e partidos-altos. O canto e a dança portelenses.

Uma vez por mês, cada sábado é aguardado com ansiedade. A quinta-feira anterior é o ponto de partida do sucesso da tarde sabática vindoura, faça chuva ou faça sol. As baianas da Águia, aguerridas, as pastoras, os partideiros, todos envolvidos com a compra do feijão, das carnes, da couve, das laranjas. Dessalga daqui, põe de molho acolá. Os panelões.


Público lota o Portelão durante um dos pagodes da família portelense

A família reunida, que se prepara antes de cada encontro, dias antes se encontra para elaborar o cardápio e o repertório, os ingredientes e os acordes. A boca e o sentimento. O saber de aprender com os mais velhos o sabor do aprendizado através do tempero que torna o banal especial, único, original. Ter a sensibilidade na ponta da língua, o paladar que traduz em prazer o feijão e a palavra. E, como disse o poeta, "a palavra mais linda é a que faz cantar e todo samba, no fundo, é um canto de amor" (Noca da Portela e Toninho Nascimento).

fonte: Rogério Rodrigues

mauro diniz

Nascido num dos bairros mais tradicionais do samba carioca de Oswaldo Cruz, aos 4 anos ficava entre as pernas do pai, deixando todos boquiabertos com a habilidade nos primeiros acordes no cavaquinho. Aos 8 anos além de ter feito uma paródia com um samba de seu pai, para ser o samba-enredo do Bloco da Alegria, foi persenteado com um violão por sua mãe Thereza, pastora da Escola assim deu seus primeiros passos em direção a música guiada nada mais nada menos por bambas da Velha Guarda da Portela. Tinha seu sono embalado por sambas Antológicos de seu maior ídolo, seu pai, o Extraordinário Monarco da Portela.

Mauro Diniz foi um autodidata invejável, durante muito tempo. Aos 24 (vinte e quatro) anos comprou seu primeiro cavaquinho, não se separando do instrumento, até trocá-lo por um outro que já tinha sido do Mestre Nelson Cavaquinho, este último o acompanha até hoje. Em 1982, começou a cursar a Faculdade de Educação Física, não completando o curso devido às seguidas viagens que fazia integrando a banda da cantora Beth Carvalho. Estudou música com gente competente como o nosso saudoso Copinha, maestro Joaquim Nagle e, indicado pelo maestro e Produtor Rildo Hora, foi estudar piano clássico, harmonia e percepção com a magistral professora Felícia.

Algum tempo depois se matriculou no CIGAM, um dos melhores cursos de música do Rio de Janeiro, onde concluiu o Curso de Harmonia, Improvisação e Arranjo.

Teve entre grandes Mestres o ilustre IAN GUEST, o Mestre dos Mestres.

Algum tempo depois Mauro Diniz passou de aluno a professor, teve alunos em vários estados do Brasil. Fundou o seu próprio curso C.A.M.M.D ( Curso de Aperfeiçoamento Musical Mauro Diniz ) e devido aos inúmeros compromissos de gravações, Mauro Diniz preparou professores para que continuassem seus trabalhos. Mesmo de longe ele acompanha o que se passa no Curso, que pela falta de tempo ele continua apenas com seus workshops, até que possa voltar às suas aulas normais e dar conta dos seus quase 100 (cem) alunos semanais.

Mauro Diniz tem 4 (quatro) discos gravados. O Primeiro em 86, Raça Brasileira, junto com Zeca Pagodinho, Jovelina Pérola Negra, Pedrinho da Flor e Elaine Machado com produção de Milton Manhães. O Segundo, em 88 Cantar a Paz; e o Terceiro em 91, Simplesmente Mauro Diniz.

Hoje, Mauro Diniz está entre os mais conceituados cavaquinistas do país, um dos mais estudiosos. Fazendo jus à veia poética da família - seu avô José Felipe Diniz escrevia poesias na revista mineira As Moças - Mauro também começou a compor e já gravou com Roberto Ribeiro, Grupo Fundo de Quintal, Nosso Samba e com Monarco (é claro!). Já gravou tocando em quase todos os discos de samba e também com Amelinha, Fagner e Ivan Lins.

Seu último CD, SAMBA COM REALIDADE, gravado recentemente, recorda os tempos de Pagodes do Cacique de Ramos e faz homenagens a grandes sambistas como Mestre Marçal, Roberto Ribeiro e ao Grupo Fundo de Quintal. Devido às sucessivas viagens em turnêcom Marisa Monte, não foi possível cumprir a agenda de divulgação programada com sua gravadora.

surica


Nascida (em 17 de novembro de 1940) e criada em Madureira, Iranete Ferreira Barcelos está na Portela há 45 anos e na Velha Guarda desde 1981. "É em sua casa que o grupo costuma se reunir para ensaios e almoços. Na mesma gostosa vila de Madureira acontecem pagodes todos os sábados. Surica está concluindo agora seu primeiro disco solo.

serginho procópio

Sérgio Procópio da Silva é o caçula da Velha Guarda. Nasceu em 5 de dezembro de 1967 e entrou para o grupo no ano passado em função da morte de seu pai, Osmar do Cavaco. Herdou o talento no uso do cavaquinho e a paixão pelos tradicionais sambas de terreiro da Portela, o que o faz já se sentir um veterano. Tocou, entre outros, com Zeca Pagodinho e Dona Ivone Lara.

monarco


Hildmar Diniz tinha apenas 37 anos quando foi chamado para a Velha Guarda, já que seu samba "Passado de glórias" iria dar nome ao primeiro disco do grupo. Era 1970, e de lá para cá Monarco só fez consolidar as carreiras de cantor e compositor ("Amor verdadeiro", "Vai vadiar"...), mas nunca deixou a Velha Guarda, onde toca tamborim e é a voz principal. "Gosto de estar junto deles, me sinto feliz", justifica ele, nascido em 17 de agosto de 1933 e que tem três sambas em "Tudo azul", entre eles o clássico "Lenço".

jair do cavaquinho


Nascido em 26 de março de 1920, Jair de Araújo Costa foi o primeiro mascote da Portela, sendo uma das últimas testemunhas vivas da fundação da escola. Participou de grupos importantes como os Cinco Crioulos e A Voz do Morro e entrou na Velha Guarda nos anos 90, no lugar de Manacéa. Apesar do nome, hoje toca tamborim nos shows, mas empunhou o cavaquinho em quatro faixas de "Tudo azul", entre elas a sua "Eu te quero", parceria com Colombo que é uma pérola de sua extensa obra.

guaracy

Amigo de infância de Martinho da Vila, Guaracy de Castro começou a tocar violão na Boca do Mato, subúrbio do Rio, chegando à Portela pelas mãos de Osmar do Cavaco, pai de Serginho Procópio, e passando a compor com Candeia e outros sambistas. Entrou na Velha Guarda há seis anos no lugar de Jorge. Nasceu em 5 de março de 1939 e tem várias músicas gravadas.

eunice


Eunice Fernandes da Silva já completou 25 anos de Velha Guarda, mas de Portela tem praticamente o tempo que tem de vida, iniciada em 16 de maio de 1920. É um grande símbolo da escola e diz que, apesar do cansaço, continua sentindo muito prazer em subir ao palco para cantar, ressaltando que com a Velha Guarda já pôde conhecer França e Itália.

doca


Cantora da Velha Guarda desde os anos 70 e pastora da Portela há décadas, Jilçária Cruz Costa, a Tia Doca, também é conhecida pelos tradicionais pagodes que organiza aos domingos. Nascida em 20 de dezembro de 1932, é uma figura queridíssima em Madureira e Oswaldo Cruz.

david do pandeiro


David de Araújo não faz por menos: "Sou uma história do pandeiro nas escolas de samba". E é mesmo. Foi pioneiro no uso de malabarismos e coreografias nos desfiles e, no início dos anos 60, comandou uma ala de 12 pandeiristas, algo incomum na época. Passou por algumas escolas até se fixar na Portela, entrando para a Velha Guarda no lugar de Alberto Lonato. Nasceu em 28 de dezembro de 1934 e canta em "Tudo azul" uma parceria com Candeia, "Vai saudade".

casquinha


Filho de pai alemão e mãe negra, nascido em 1 de dezembro de 1922, Otto Enrique Trepte praticamente apadrinhou Paulinho da Viola na Portela, compondo a segunda parte de "Recado", primeiro sucesso do sambista. Casquinha começou na Velha Guarda tocando surdo e hoje toca reco-reco, além de ser um dos cantores do grupo. Três sambas seus estão em "Tudo azul": "Vem amor", "Falsas juras" (parceria com Candeia) e "Corri pra ver" (com Chico Santana e Monarco).

casemiro da cuíca

Casemiro Vieira é o mais antigo integrante da Velha Guarda atualmente, tendo nascido em 4 de abril de 1919. Está no grupo há 20 anos, mas já tem mais de 50 de Portela. Seu estilo é marcante e fiel à tradição: ao contrário dos mais jovens, que preferem água, ele ainda passa querosene no pano que segura para tocar a cuíca. Em "Tudo azul", canta seu samba "Tentação" acompanhado só de seu instrumento.

cabelinho


Walter Silva de Vasconcellos Chaves toca surdo na bateria da Portela desde os 18 anos e até hoje desfila na escola entre os instrumentistas. É figura certa nos shows de Paulinho da Viola e também já acompanhou Clara Nunes e muitos outros sambistas. Nascido em 4 de junho de 1948, entrou na Velha Guarda ainda bem jovem, nos anos 70, substituindo no surdo Casquinha, que passou para o reco-reco.

áurea maria


A mais nova das pastoras da Velha Guarda tem o samba nas veias: Áurea Maria de Almeida Andrade é filha de Manacéa, sobrinha de Mijinha, Aniceto e Lincoln, e também é uma compositora de primeira. "Volta meu amor", parceria com o pai, está em "Tudo azul" e tem sido cantada por Marisa Monte em seus shows. Só não toca instrumentos: "Meu pai não tinha paciência para me ensinar cavaquinho". Nascida em 1 de abril de 1952, começou a cantar na Velha Guarda em 1998.

argemiro patrocínio


Nobre representante do antigo estilo portelense de se tocar pandeiro, Argemiro Patrocínio é um dos cantores da atual formação da Velha Guarda. Nasceu em 28 de junho de 1923, mas diz só ter começado a compor sambas depois dos 50 anos. Entre eles há sucessos como "A chuva cai" e "Atenda o apelo", ambos com Casquinha, ambos gravados por Beth Carvalho. Preferiu não incluir nenhum dos seus sambas em "Tudo azul", mas sonha em deixá-los registrados: "Vou deixar para a História, para a eternidade".

antônio caetano


Foi o idealizador dos primeiros enredos da escola, além de ser um compositor de grande talento e de ter cursado o Liceu de Artes e Ofícios, onde desenvolveu seu talento para a pintura. Caetano foi tão importante quanto Paulo, Heitor, Claudionor, Rufino e outros fundadores.

armando santos


Foi criador de um enredo na Portela que marcou época, “Festa Junina”, cantado em fevereiro de 1955. Veio para escola no fim dos anos 30 e foi uma figura de relevo na direção.

alcides lopes


No passado, foi uma das grandes vozes da Portela. Partideiro de versos maravilhosos (“A rosa se desfolhou/ Só por se achar cansada/ De tanto fazer bonito/ No romper da madrugada”), era capaz de contar toda a história da escola.

alvaiade


Oswaldo dos Santos, ou Alvaiade, é outro que já deixou seu nome na história do samba. Foi um dos primeiros a conseguir gravação para suas músicas. Suas melodias são inspiradas e ele é bastante conhecido nos meios radiofônicos.

manacéa


O compositor mais humilde que se conhece. Tímido, Manacéa não revela no primeiro momento aquilo que é: um senhor compositor, dono de muitos sambas de sucesso. Os sambas-enredo de 1948, 1949 e 1950 e 1952 são seus e os de 1948 e 1950 foram feitos em parceria com Nilson e Aniceto, seu irmão.

mijinha

Grande compositor. Irmão de Aniceto e Manacéa. Seus sambas são de muita grandeza na melodia e suas letras, simples como ele, mas de uma força que não se pode explicar.

antônio rufino dos reis


Autor de sambas de sucesso, conhecedor de jongos, conhecido e admirado por todos, foi uma das grandes figuras da criação da escola, da qual foi o primeiro tesoureiro.

francisco santana


É o autor do Hino da Portela. Compositor inspiradíssimo, parceiro de Monarco, dono de sucessos como “O Lenço”, “Noite” e tantos outros.

aniceto


É conhecido como autor de muitos partidos famosos. Tocador de violão-tenor, irmão de Manacéa e Mijinha, era tão tímido quanto seus irmãos. Tem muitos sucessos na Portela.

ventura


Ventura fez um dos primeiros sambas gravados por Moreira da Silva, por volta de 35, chamado “Vejo Lágrimas”. Nunca deixou de participar ativamente da escola. Era um excelente partideiro, contribuiu bastante para o lançamento do CD “Portela, Passado de Glórias”. (na foto ao lado de Paulinho da Viola).

alberto lonato


Andava pela Portela desde os primeiros momentos. Não era propriamente da escola, mas não perdia as reuniões e as festas na casa de “Seu” Napolleão, pai de Natal, Nozinho e Vicentina. Gostava de ver os amigos nos diversos redutos do samba daquele tempo: Favela, Estácio, Mangueira etc. Filiou-se definitivamente à Portela em 1942.