2 Anos do Clube do Samba de Pernambuco



Domingo quente no Morro da Conceição (Casa Amarela) para o aniversário dos 2 anos de existência do Clube do Samba de Pernambuco, muitos sambistas, muitos anônimos, muita gente bonita, muita gente importante e também metida a importante, mas nada que ofusca-se o dia ensolarado que já no finalzinho arriscou uma chuvinha que logo viu que não tinha vez e foi embora.

Karynna Spinelli como sempre maravilhosa, ótima presença de palco que a cada dia que passa fica ainda melhor, cheguei relativamente cedo (por volta das 14hs), deu pra curtir um pouco do som do DJ 440, gostei muito, tocou muita coisa boa, Candeia, Exporta Samba e Clementina de Jesus foram algumas das pérolas tocadas por ele, só não consegui entender quando ele tocou uma montagem de Michael Jackson (Don't Stop 'til You Get Enough) junto com uma percussão que mais parecia o bloco baiano Filhos de Gandhi (????) mas tudo bem, nada muito grave, voltamos ao palco, Trio Pouca Chinfra quem abriu os shows, muito bom por sinal, Demóstenes e sua trupe sabe muito bem como fazer samba bom com uma pitada de malícia e diversão, em seguida Karynna sobe com as convidadas especiais, Fabiana Cozza (SP), Luíza Dionísio (RJ) e Mariene Castro (BA), destaque para Fabiana Cozza que empolgou muito, me atrevo a dizer que foi o melhor show do domingo, sempre imponente no palco, soube conduzir muito bem os 30 minutos dedicado a apresentação dela, seguida por Luíza Dionízio quem eu achava que seria a melhor do dia também fez uma ótima apresentação, pena não ter cantando Conceição da Praia (Luiz Carlos Máximo), já Mariene Castro não empolgou tanto assim, já era noite quando ela subiu ao palco, mostrou um show frio e meio sem graça.

A produção mostrou mais uma vez que sabe muito bem como fazer um verdadeiro pagode, deu até chance de apresentação aos locais do morro, quem fechou o domingo foi a azul e branco de Casa Amarela, Galeria do Ritmo, por tudo isso o Clube do Samba de Pernambuco esta de parabéns, agora é esperar o próximo pra ver.

Recife 28/08/2011



Pouca Chinfra e a Cozinha


Fabiana Cozza


Karynna Spinelli


Luíza Dionízio


Mariene Castro





Fotos | Videos | Texto
Zé Ricardo

Viver



Viver
(Candeia)

Lalaiá, laiá
Lalaiá, laiára
Eu digo, até posso afirmar
Vive melhor quem samba

Vou pela rua cantando
E o clarão da lua vem ornamentar
Sim, vou levando alegria
Pra Dona Tristeza alegre ficar
Abra a janela do peito e deixe o meu samba passar
Samba não tem preconceito e já vai te libertar
A liberdade dos prantos
E dos desencantos que a vida nos deu
A liberdade que canto
É amor, é esperança pra quem já sofreu
Cada qual que olhar para trás
Verá que sempre há uma razão de viver
Quem guerreia pela paz
A verdadeira paz nunca há de ter

Cantem todos como eu faço
Perdoem os fracassos, a vida é tão curta
Enquanto se luta, se samba também
Noite fria, enluarada, fim de madrugada
Feliz, vou cantando, cantando a alegria
Que o samba contém

A Primeira Escola de Samba



O início das escolas de samba está diretamente ligada á própria história do carnaval em sí, bem como a criação do samba moderno. Em agosto de 1928, na rua Estácio, no Rio de Janeiro, um grupo de sambistas ensaiavam ao lado de uma escola normal. Dali surgiu o "União faz a Força", que deu origem ao "Deixa Falar", que foi a primeira escola de samba do Brasil.

Criado por Ismael Silva, Bide, Silvio Fernandes, Oswaldo Vasques, Edgar, Julinho, entre outros, o "Deixa Falar" - que nunca chegou a desfilar como escola de samba realmente- foi de fundamental importância para o samba moderno. Entre as contribuições para o carnaval atual se destacam o cortejo capaz de desfilar sambando, o conjunto de percussão, sem a utilização de instrumentos de sopro e a ala das baianas.

Mas seus integrantes não apreciavam a forma do samba da época, ainda muito parecido com o maxixe. Criaram então um novo formato de samba, e um novo instrumento de percussão. De uma lata de manteiga de 20kg, Alcebíades Barcelos, conhecido como "Bide" inventou o "surdo". Ele abriu os dois lados da lata, esticou por cima um pedaço de papel de saco de cimento umidecido e ligeiramente quente, prendendo com arame grosso. Estava pronta uma inovadora ideia que se tornou o principal instrumento da percussão da bateria.

Foi Bide também quem fez a nova marcação do samba, feita pelo surdo e quem determinou como seria o samba da escola. Até então, o samba tinha um refrão e o resto era improvisado. O samba também passou a ter a segunda parte composta. Nos dias de hoje, todos os gêneros dele derivados, são o reflexo das modificações criadas por Bide em 1928. A estréia do "Deixa Falar" no carnaval ocorreu no ano seguinte a sua fundação.

Foram os sambistas da Estácio que criaram as bases das atuais escolas de samba. A Deixa Falar fez muito sucesso entre os moradores da região. Ela acabou por estimular a criação, nos anos seguintes, de outras agremiações de samba. Surgiram assim, posteriormente, as seguintes escolas de samba: Cada Ano Sai Melhor, Estação Primeira (Mangueira), Vai como Pode (Portela), Vizinha Faladeira e Para o Ano sai Melhor.

Carregue e ouça abaixo a entrevista concedida por Ismael Silva, nos anos 70, onde ele fala sobre a primeira escola de samba, sua parceria com Noel Rosa, e para finalizar, escute ao samba “Quem não quer sou eu”.

Em 1929 ocorreu o primeiro concurso de sambas, realizado na casa de Zé Espinguela, onde o "Conjunto Oswaldo Cruz" saiu vencedor e do qual participaram também a "Mangueira" e a "Deixa Falar". Esse ano é considerado o marco da criação das escolas. No ano de 1932, o Jornal Mundo Sportivo, de propriedade do jornalista Mário Filho, (irmão de Nelson Rodrigues), resolveu realizar a organização de um desfile carnavalesco. O jornal que se encontrava sem assunto e perdendo leitores, teve a ideia de fazer na Praça Onze, - avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, um desfile de escolas de samba.

Assim 19 escolas compareceram. O jornal estabeleceu critérios para o julgamento das escolas participantes. A tradicional "ala das baianas" era pré-requisito para concorrer, sendo que as escolas, todas com mais de cem componentes, deveriam apresentar sambas inéditos e não usar instrumentos de sopro, entre outras exigências.

Com o passar do tempo, as escolas incluíram o casal de mestre-sala e porta-bandeira, enredo, e a comissão de frente, elementos aos quais Ismael Silva, ao idealizar o Deixa Falar, era contrário.

Não demorou muito para que as escolas de samba também se expandissem para outros estados, com a fundação em 1935, da "Primeira de São Paulo". Os concursos oficiais na capital paulista só começaram em 1950, com a vitória da "Lavapés", porém antes disso já existiam outros pequenos torneios entre escolas.

Nestas primeiras décadas, as escolas de samba não possuíam toda estrutura e organização. Eram organizadas de forma simples, com poucos integrantes e pequenos carros alegóricos. A competição entre elas não era o mais importante, mas sim a alegria e a diversão.

No início dos anos 40, os desfiles cresceram em tamanho e importância, ultrapassando os antigos ranchos em poucos anos, e criando uma nova cultura do samba. Nos primeiros desfiles o povo se aglomerava nas calçadas para ver o espetáculo, e as autoridades e jurados assistiam ao desfile de pequenos palanques de madeira, especialmente instalados para eles.

Logo apareceram os espectadores que traziam caixotes nos quais subiam para obter uma visão melhor. Em pouco tempo a prefeitura passou a instalar tablados rudimentares de madeira, com degraus de onde se assistia ao desfile em pé. Estes também foram insuficientes para o público cada vez maior e, em pouco tempo a prefeitura passou a instalar arquibancadas. A partir daí então, a classe média se misturava aos pobres para ver as escolas e, em meados doas anos 40 a prefeitura passou a cobrar ingressos para o desfile e os mais pobres ficaram de fora, aglomerando-se nos locais de concentração e dispersão das escolas.

Com o passar do tempo, as agremiações se organizavam cada vez melhor, construindo barracões com chão de terra batida para seus ensaios. Cresciam também em número de integrantes, o que propiciou o nascimento das alas, que tinham estatuto, diretor e presidente próprios.

Em 1952, foi criado no Rio de Janeiro, o Grupo de Acesso, devido ao grande número de escolas previstos para o desfile. Nos dias de hoje as escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo estão profissionalizadas e movimentam milhões de reais.

Eu sinceramente não assisto, não gosto muito, mais respeito e muito a história do samba que eu adoro. Gostaria de voltar no tempo por uma noite para presenciar o carnaval no começo dos anos 30, onde a diversão prevalecia sobre a competição, e o samba predominava.

Deixo abaixo um curto vídeo com uma entrevista de Ismael Silva concedida a Globo, no ano de 1977 – um ano antes de falecer – esse é um dos raros registros do grande sambista.

Professores do Samba

Uma discussão travada numa das salas da Sociedade Brasileira de Autores, em fins da década de 60, colocou a seguinte pergunta à Donga e Ismael Silva. Qual o verdadeiro samba?

Donga diz:
_Ué. Samba é isso, há muito tempo:
“O chefe da polícia pelo telefone mandou me avisar, que na Carioca tem uma roleta para se jogar...”

Ismael retruca:
_Isso é maxixe.

_Então o que é samba?

E Ismael cantarola:
"Se você jurar que me tem amor, eu posso me regenerar..."

Então Donga completa:
_Isso não é samba, é marcha!

De acordo com a Biblioteca Nacional, o primeiro samba registrado no país foi “Pelo Telefone”, de Donga, em 1916. A discussão acima entre os grandes sambistas refere-se a forma do samba. Entre 1917 e 1927, o samba era feito nos “ranchos”, casas como a da Tia Ciata, principalmente em rodas que privilegiavam o Partido Alto: uma pessoa dançava por vez, acompanhada por palmas, cavaquinho, pandeiro, violão e até instrumentos de sopro. Mas existia também o samba corrido onde todo mundo sambava e cantava. Este samba no período do carnaval era levado as ruas em passeatas que atraiam foliões representando pastores em roupas de cores vivas e outros personagens que lutavam contra a figura principal que dava nome ao rancho. Um exemplo interessante é o Grupo de Caxangá que saía por diversão durante o carnaval, com os integrantes fantasiados de nordestinos, comandados pela flauta de Pixinguinha. Do fim da Primeira Guerra Mundial a 1927, o samba estabeleceu suas raízes e se profissionalizou. As gravações deste período marcam o fim das gravações mecânicas e o advento do sistema elétrico – guardam entre eles a marca sonora do seu parentesco com os sambas do partido alto dos baianos, que soavam ainda como eco de suas origens rurais no recôncavo.

Foi então preciso que uma nova geração de talentos, já agora saídos das camadas baixas cariocas, igualmente herdeiras de uma tradição local de sambas de roda à base de versos repetidos, fizesse sua contribuição definitiva para a carreira comercial do gênero: o samba batucado e marchado da Estácio.O bairro do Estácio, na zona norte do Rio, foi abrigo desde o início de uma população proletária, com pequenos comércios e atividades artesanais. A proximidade com a zona de prostituição do Mangue, atraía para os seus muitos bares os bambas das zona – os tipos especiais de indivíduos que viviam da exploração do jogo ou das mulheres. Esse tipo de personagem na época ficou conhecido como malandro. E não demorou muito para que os malandros se reunissem para organizar um bloco, que se tornou um sucesso. Surgia o embrião da primeira escola de samba em 1927: a “Deixa Falar”. Essa nova forma de samba urbano arquitetado por Ismael Silva e outros – conhecido como samba carioca – afastou-se definitivamente do modelo do partido alto dos baianos, quando foi introduzido o surdo de marcação por Alcebíades Barcelos. De fato, o som desse tambor empurrava o samba para frente e o deixava mais solto pelas ruas, mas, ao mesmo tempo por oposição ao movimento do partido alto (que neste ponto se aproximava do maxixe), havia o risco de simplificação ao nível de marcha ao acelerar o ritmo. Tal diferença ficaria representada na discussão travada na década de 60 entre Donga, o filho de baiana que marcou o partido alto em 1916, e Ismael Silva, carioca, pioneiro dos sambas do Estácio. Bate boca e debates a parte, ambos tiveram uma participação decisiva nos moldes do carnaval e sambas modernos. Para saber mais sobre a “Deixa Falar”.

Fonte: Farofa Apimentada