[>] partideiros do cacique


Berço do pagode dos anos 80, foi escola de nomes como Almir Guineto, Zeca Pagodinho, Jovelina Pérola Negra, Fundo de Quintal, Jorge Aragão e muitos outros. O Cacique está de volta com uma nova geração de sambistas, os Partideiros do Cacique: Renatinho Partideiro (um grande versador), Marcinho Brau (pandeiro que não deixa o pagode quebrar), Banana (filho do falecido Neoci, tan-tan da melhor qualidade), Tcha Tcha Tcha (grande percussionista), Marcos Saliva (violão), Márcio Vanderlei (banjo e cavaco que dispensam comentários), Andrezão (grande repique de anel).

\o/ | novidades na portela


agora todo segundo sábado de cada mês teremos uma macarronada na sede da Portelinha que fica na Estrada do Portela, 446, em frente à Praça Paulo da Portela, em Oswaldo Cruz. O ingresso custa R$ 5, o mesmo preço da macarronada. E no mês que vem teremos como convidado o pagode da tia Doca e o pagode da tia Surica.

dedé da portela

Em 1975, Leci Brandão interpretou de sua autoria "Meu dia de graça" no disco "Antes que eu volte a ser nada", lançado pelo Selo Marcus Pereira. No ano seguinte, Roberto Ribeiro gravou "Quero", parceria com Dida. No ano de 1977 compôs com Catoni, Jabolô e Waltenir "A festa da aclamação", samba-enredo que deu à Portela o vice-campeonato daquele ano. Neste mesmo ano, ao lado de Dicró, Picolé da Beija-Flor, Cartolinha, Conjunto Realidade, Carlão Elegante, Djalminha, Matias de Freitas e Rubens Confeti, participou do disco "A hora e a vez do samba", produzido por Ramalho Neto. No LP interpretou de sua autoria "Palavra de mãe", parceria com Sérgio Fonseca. No ano de 1978, ao lado de Aniceto do Império, Baiano do Cabral, Nelson Cebola, Arielson da Bahia, Luiz Grande e Preto Rico, participou do LP "Os bambas do partido alto", no qual interpretou de sua autoria "Madureira, berço do samba". Em 1979, Beth Carvalho interpretou "Senhora rezadeira" (c/ Dida), no LP "No pagode". Neste mesmo ano, Alcione, no LP "Gostoso veneno", interpretou "Amantes da noite" (c/ Dida). No ano de 1980, no disco "Fala meu povo", Roberto Ribeiro interpretou "Resto de esperança" (c/ Jorge Aragão) e Délcio Carvalho, no LP "Canto de um povo", gravou "Hora de ser criança", parceria com Dida. Ainda em 1980, Alcione gravou "Meu dia de graça". No ano seguinte, a mesma cantora registrou "A volta da gafieira"(c/ Dida) em seu novo disco. Em 1983, "Dor de amor" (c/ Délcio Carvalho) foi incluída no LP de Roberto Ribeiro lançado pela gravadora Emi-Odeon. No ano seguinte, compôs com Norival Reis "Contos de areia", samba-enredo com o qual a Portela desfilou naquele ano classificando-se em 1º lugar do Grupo 1. Neste mesmo ano, Alcione no LP "Fogo da vida", outra composição de sua autoria, desta vez, em parceira com Luís Carlos, "Deixa que o dia amanheça", além de fazer uma regravação de "Meu dia de graça". Ainda em 1984, o Grupo Fundo de Quintal, no LP "Seja sambista também", interpretou "Canto maior" (c/ Arlindo Cruz e Sombrinha). Em 1985, gravou o samba-enredo "Recordar é viver", de Noca da Portela, Edir Gomes, Poliba e Jorge Careca, para o disco "Carnaval de 1985", lançado pela gravadora CID. No ano de 1986, no LP "Bom ambiente", Dominguinhos do Estácio interpretou "Rala coco, sinhá" (c/ Dida). No ano seguinte, em 1987, o Grupo Exporta Samba gravou de sua autoria "Chuva boa", em parceria com Dida. Em 1998 "Senhora rezadeira" (c/ Dida) foi regravada por Beth Carvalho CD "Pérolas do pagode". No ano 2000 Norival Reis participou da gravação do disco "Ala de Compositores da Portela", no qual o parceiro declamou versos do samba-enredo "Contos de areia", parceria de ambos. Em 2003, Walter Alfaiate lançou o CD "Samba na medida" (gravadora CPC-Umes), disco no qual incluiu de sua autoria "Conto de areia", samba-enredo em parceria Norival Reis, defendido pela Portela em 1984. Neste mesmo ano de 2003, Alcione, no disco "Alcione ao vivo 2", regravou de sua autoria "A volta da gafieira" (c/ Dida). Neste mesmo ano, a Escola de Samba Tradição, ao lado da Portela, Império Serrano e Viradouro, foi uma das Escolas de Samba que optaram em comemorar o 20º aniversário do Sambódromo, quando foi construída a "Passarela do Samba", levando para a avenida sambas-enredo anteriores a 1984. A Tradição resolveu homenagear a Portela (de quem se separou em 1984) e escolheu o samba-enredo "Contos de areia". Para a gravação do samba a escola convidou Alcione. O samba, de sua autoria, foi cantado na avenida no carnaval de 2004. Entre seus intérpretes estão também Sonia Lemos, que gravou "Meus outros anos", "Primeiro botequim" e "Canto nenhum"; Nadinho da Ilha, interpretando "Praias de pedra e pranto" e "Adeus suspenso", todas em parceria com Sérgio Fonseca. O próprio compositor gravou várias músicas como "Tocaia", "Palavra de mãe" e "Palavra de preto velho", as três em parceria com o Sérgio Fonseca. Entre seus vários intérpretes constam Miltinho, Zaira e Grupo Pirraça, que gravou "Palavras de Preto Velho"; Aroldo Santos em "Grito negro"; Luiza Maura cantando "Nó de marinheiro" (c/ Sérgio Fonseca). De sua parceria com o letrista Sérgio Fonseca foram gravadas ainda "Remandiola", por Dora Lopes; "Oxumaré", com o Conjunto Os Batuqueiros; "A distância", com Sonia Santos; "Contrato de risco", interpretada por Fabíola e um dos sucessos de Helena de Lima, a composição "Carinho morno".

fonte: dicionario mpb

dudu nobre

Dudu Nobre começou na música aos 5 anos, quando ganhou um cavaquinho velho de um porteiro do prédio onde morava, em Vila Isabel. Afilhado do baterista Wilson das Neves, Dudu começou a aprender a tocar instrumentos de percussão durante batucadas com a garotada de Padre Miguel e sob o olhar do mestre Jorjão. Com Henrique Cazes, aprendeu cavaquinho. Os pais, Anita e João Nobre, pagodeiros de primeira, adoravam reunir os amigos em casa, para uma batucada. Desde cedo, Dudu conviveu com pessoas que, na época, já eram nomes de relevo no samba, como Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Grupo Fundo de Quintal, Almir Guineto, Neoci de Bonsucesso, Jorge Aragão, Carlos Dafé, Beto sem Braço, Geraldo Babão, Baiano do Cacique, Dicró, Jovelina Pérola Negra, Deni de Lima, Cláudio Camunguelo, Cláudio Jorge, Grupo Só Preto, Pedrinho da Flor, Nei Lopes, Luiz Carlos da Vila, Nelson Cavaquinho. Não demorou muito para que ele se integrasse nas escolas de samba mirins. Estreou na Alegria da Passarela, quando foi o primeiro campeão, em parceria com Beto sem Braço. Depois, passou por diversas outras, como Império do Futuro, Aprendizes do Salgueiro, Herdeiros da Vila e Estrelinha da Mocidade, sempre como compositor e puxador mirim. Dudu chegou a cursar a faculdade de Direito até o quinto semestre, mas deixou de lado depois de discutir com um professor que não quis mudar a data de uma prova devido a uma excursão do músico. Antes de integrar o grupo de Zeca Pagodinho como cavaquinista, Dudu passou pelas bandas de Dicró, Pedrinho da Flor e Almir Guineto. Com Zeca trabalhou por seis anos, apresentando-se no Brasil e exterior. Dudu compôs cerca de 60 músicas para diversos grupos e intérpretes, antes de gravar o primeiro disco, produzido por Rildo Hora.

dudu nobre no bom sujeito

walter alfaiate

Nascido no Rio de Janeiro, iniciou o trabalho como alfaiate aos 13 anos, no bairro de Botafogo. Autodidata, compôs para blocos carnavalescos da região, como o Foliões de Botafogo e o São Clemente. Participou nos anos 60 de rodas de samba no Teatro Opinião e formou vários grupos, com destaque para os Reais do Samba e o Samba Fofo. Mesmo sendo um dos principais nomes do samba em Botafogo, que viria a se tornar o grande celeiro de compositores do gênero, o cantor e compositor só foi descoberto na década de 70, quando Paulinho da Viola gravou três de suas canções – “Coração Oprimido”, “A.M.O.R.Amor” e “Cuidado, Teu Orgulho Te Mata”. Brilhou como crooner da boate Bolero, em Copacabana, onde ficou conhecido como Walter Sacode, por interpretar com maestria o samba “Sacode Carola”, de Hélio Nascimento e Alfredo Marques. Em 1982 foi convidado pelo parceiro e amigo Mauro Duarte a entrar para o G.R.E.S da Portela. Cultuado pela maioria dos sambistas do Rio de Janeiro, jamais foi reconhecido pelas gravadoras – com mais de 50 anos de carreira e com 200 sambas compostos, gravou apenas um disco, “Olha Aí”, lançado em 1998 pelo selo Alma e produzido por Aldir Blanc e Marco Aurélio.

walter alfaiate em uma roda de samba

casquinha da portela

Carioca, filho de um engenheiro alemão e de uma carioca, Otto Enrique Trepte ganhou ainda na infância o apelido de Casquinha, num almoço de família em que ficou de olho na "pontinha" de um prato. Na adolescência e juventude, suas predileções eram o futebol (em que atuava como center-half) e o samba da quadra da Portela. Lá fez amizade com Candeia, com quem compôs sua primeira música, "Indecisão". Em 1953 seu samba "Brasil - Pantheon de Glória", em parceria com Candeia, Valdir 59, Bubu e Altair Prego, conquistou o carnaval para a Portela. Quando Paulinho da Viola chegou à Portela, foi seu primeiro parceiro, com "Recado". Suas primeiras experiências com gravações foram com o grupo Os Mensageiros do Samba, ao lado de Picolino, Bubu, Candeia, Arlindo Cruz e Davi do Pandeiro. O grupo chegou a lançar um LP pela Polydor. Depois integrou o Partido em 5 com Candeia, Velha, Anézio e Joãozinho da Pecadora, que gravou um disco com essa formação e um segundo volume com Wilson Moreira, Hélio Nascimento, Anézio, Candeia e Velha. É integrante da Velha Guarda da Portela, grupo que já gravou várias composições de sua autoria. Outros intérpretes que registraram suas músicas foram Beth Carvalho ("A Chuva Cai", "Gorgear da Passarada", ambas com Argemiro), Clara Nunes ("Outro Recado", com Candeia), Zeca Pagodinho ("Coroa Avançada", com Dolino) e Paulinho da Viola ("O Ideal É Competir", com Candeia, "Maria Sambamba", "Mudei de Opinião", com Bubu). Em 2001 lançou seu primeiro disco solo, "Casquinha da Portela", pela Lua Discos.

casquinha na feijoada da portela

candeia

Antônio Candeia Filho ( RJ, 17/08/35 - 16/11/78 ) foi um importante sambista, cantor e compositor brasileiro. Filho de sambista, o menino Candeia até poderia guardar mágoa do samba. Em seus aniversários, ele contava com certa tristeza, não havia bolo, velinha, essas coisas de criança. A festa era mesmo com feijoada, limão e muito partido-alto. No Natal, a situação se repetia. Seu pai, tipógrafo e flautista, foi, segundo alguns, o criador das Comissões de Frente das escolas de samba. Passava os domingos cantando com os amigos debaixo das amendoeiras do bairro de Oswaldo Cruz. Assim, nascido em casa de bamba, o garoto já freqüentava as rodas onde conheceria Zé com Fome, Luperce Miranda, Claudionor Cruz e outros. Com o tempo, aprendeu violão e cavaquinho, começou a jogar capoeira e a freqüentar terreiros de candomblé. Estava se forjando ali o líder que mais tarde seria um dos maiores defensores da cultura afro-brasileira. Arte negra era com ele mesmo. Candeia começou a fazer músicas ainda na adolescência. Seu pai tocava flauta e carregava o filho para rodas de samba e de choro em Oswaldo Cruz e Madureira Compôs em 1953 seu primeiro enredo, Seis Datas Magnas, com Altair Prego: foi quando a Portela realizou a façanha inédita de obter nota máxima em todos os quesitos do desfile (total 400 pontos). Começou a freqüentar a Portela, virou compositor da escola e em 1953, antes de completar 18 anos, viu sua gloriosa agremiação de Madureira desfilar com um samba enredo de sua autoria, As seis cartas magnas. No início dos anos 60, dirigiu o conjunto Mensageiros do Samba. Em 61, entrou para a polícia. Tinha fama de truculento e suas atitudes começaram a causar ressentimentos entre seus antigos companheiros. Provavelmente, não imaginava que começava a se abrir caminho para a tragédia que mudaria sua vida. Diz-se que, ao esbofetear uma prostituta, ela rogou-lhe uma praga; na noite seguinte, ao sair atirando do carro num acidente de trânsito, levou um tiro na espinha que paralisou para sempre suas pernas. Candeia fundou o Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo, para a valorização da cultura negra e da arte popular. Em seus sambas, podemos assistir seu doloroso e sereno diálogo com a deficiência e com a morte pressentida: Pintura sem Arte, Peso dos Anos, Anjo Moreno e Eterna Paz são só alguns exemplos. Recolheu-se em sua casa; não recebia praticamente ninguém. Foi um custo para os amigos como Martinho da Vila e Bibi Ferreira trazerem-no de volta. De qualquer maneira, meu amor, eu canto, diria ele depois num dos versos que marcaram seu reencontro com a vida. O couro voltou a comer nos pagodes do fundo de quintal de Candeia que comandava tudo de seu trono de rei, a cadeira que nunca mais abandonaria. No curto reinado que lhe restava, dono de uma personalidade rica e forte, Candeia foi líder carismático, afinado com as amarguras e aspirações de seu povo. Fiel à sua vocação de sambista, cantou sua luta em músicas como Dia de Graça e Minha Gente do Morro. Coerente com seus ideais, em dezembro de 75 fundou a Escola de Samba Quilombo, que deveria carregar a bandeira do samba autêntico. O documento que delineava os objetivos de sua nova escola dizia: Escola de Samba é povo na sua manifestação mais autêntica! Quando o samba se submete a influências externas, a escola de samba deixa de representar a cultura de nosso povo. No mesmo ano de 75, Candeia compunha seu impressionante Testamento de Partideiro, onde dizia: Quem rezar por mim que o faça sambando. Em 78, ano de sua morte, gravou Axé um dos mais importantes discos da história do Samba. Ainda viu publicado seu livro escrito juntamente com Isnard: Escola de Samba, Árvore que Perdeu a Raiz. Voltou a ter reconhecimento em 1995, quando Martinho da Vila gravou o disco Tá delícia, tá gostoso, no qual incluiu um pot-pourri chamado Em memória de Candeia, que tinha as faixas Dia de graça, Filosofia do samba, De qualquer maneira, Peixeiro grã-fino e Não tem vencedor. Em 1997 foram relançados em CD três discos de Candeia: Samba da antiga, de 1970, Filosofia do samba, lançado originalmente em 1971 e Samba de roda, de 1974.

candeia e o samba de partido alto

tia surica

Iranette Ferreira Barcellos nasceu em Madureira, no dia 17 de novembro de 1940. Aos 4 anos, já desfilava pela Portela, presa à cintura da mãe, Judith companhada de perto pelo pai , conhecido como Pio. O apelido " Surica ", foi dado por sua avó, quando ela ainda era pequena. Surica é um adjetivo usado para roupa curta, por encolhimento. Quem conhece Iranette e seu 1,47m sabe que o apelido lhe cai como uma luva. Em compensação, o que falta em altura,sobra, em talento e alegria. Em 1966, foi puxadora do samba-enredo "Memórias de um Sargento de Milícias", de autoria de Paulinho da Viola, ao lado de Maninho e Catoni. Em 1980, entrou para a Velha Guarda da Portela, a convite de Manacéa. Tia Surica permanece fiel ao bairro onde nasceu. Ela mora em uma Vila, bem próxima ao Portelão. Sua casa, conhecida como "Cafofo da Surica", é palco de festas memoraveis. Aos 63 anos,Tia Surica lança, pela FINA FLOR, seu primeiro Cd cujo repertório reúne a elite de compositores da Portela como Monarco, Chico Santana, Aniceto, Casquinha,Manacéa, entre outros.


tia surica na feijoada da portela

banana

O samba corre, literalmente, em suas veias. Neto de João da Baiana e filho de Neoci, fundador do Fundo de Quintal e um dos autores de “Vou Festejar”, Banana cresceu numa casa que recebia visitas constantes de gente como Mussum, Jorge Aragão, Almir Guineto e Alcione. Da infância, ele lembra das quartas-feiras no Cacique de Ramos, que começavam com o futebol e iam até tarde da noite com as rodas de samba. São recordações como essa que levaram Banana a largar o que fazia antes e seguir a tradição da família no samba quando Bira Presidente, do Fundo de Quintal, convidou-o para formar o Partideiros do Cacique. Já participou de shows de Sombrinha, Arlindo Cruz e Alcione,Beth carvalho com quem também gravou CD e DVD, e gravou CD com Joana foi músico da banda do Jorge Aragão e das Velhas Guardas da Mangueira, Portela e Salgueiro hoje é do GRUPO PARTIDEIROS DO CACIQUE...

site: Coisa de Samba - Vá ao Samba com Estilo

A Coqueluche do Samba

Bira, Ubirany, Sereno, Neocy, Almir Guineto, Jorge Aragão e Sombrinha foram os primeiros integrantes do Fundo de Quintal. Neocy morreu pouco tempo depois da formação do grupo. Quem não gostaria de ter esses partideiros e poetas tocando na própria casa? Era tanto talento que muitos criaram asa e foram tentar vôos-solos. E pensar que aconteceu tudo sem querer. "O Fundo de Quintal não foi criado pensando em fazer dele um grupo de samba, a gente se reunia no Cacique de Ramos para bater uma pelada e depois era aquela história de comida, cerveja, chegava o pessoal com os instrumentos e aí fazíamos aqueles pagodes", conta Ubirany. "Nos reuníamos toda quarta-feira. Aquilo acabou virando um reduto, uma coqueluche no Rio de Janeiro, freqüentado por grandes sambistas." Naquela época, muitos compositores perderam espaço nas escolas de samba, que não davam mais oportunidade para o samba de quadra e o de terreiro – e passaram a valorizar o ensaio tradicional que conhecemos hoje. O jeito era ir para o Cacique mostrar o que tinha de novo. "Com isso, muitos artistas, jogadores de futebol iam para lá. Elza Soares foi uma das primeiras. Depois vieram Alcione, Martinho da Vila, Roberto Ribeiro, Emílio Santiago e tantos outros", relembra Ubirany. Quem tirou o grupo do anonimato das gravadoras foi Beth Carvalho, daí ela ser chamada de madrinha com todo mérito. Conta Ubirany: "Ela se maravilhou com o que viu e percebeu que ali o samba estava renovado tanto em melodia, harmonia e novos instrumentos". A sambista levou Rildo Hora, então produtor dela, para conhecêlos. Empolgado, ele chamou os rapazes para participar do disco Pé no Chão, de Beth, lançado em 1978, que teve, entre outros sucessos assinados por eles, Vou Festejar e Coisinha do Pai. "A partir daí, todo mundo queria gravar com a gente. Foi uma loucura", diverte-se Bira Presidente. Foi Waldomiro, um produtor musical da época, quem batizou o grupo de Fundo de Quintal. A inspiração aconteceu no quintal da casa de Sereno, um dos muitos fundos de quintais onde eles mostravam o pagode para os íntimos e bem-aventurados. O grupo cumpriu o compromisso verbal e acompanhou Beth Carvalho por dois anos. Só em 1980 assinou o primeiro contrato com uma gravadora e lançou o primeiro disco, Samba É no Fundo de Quintal. É por isso que este ano, oficialmente, o grupo comemora 25 anos de carreira.


fundo de quintal e jorge aragão no cacique de ramos

zeca pagodinho

Zeca Pagodinho nasceu no Irajá, batizado de Jessé Gomes da Silva Filho, em 4 de fevereiro de 1959. Filho de Seu Jessé e Dona Iréia, quarto de uma família de cinco crianças, desde cedo já trocava as aulas por uma boa roda-de-samba. Por isso, depois da quarta-série, não quis mais saber de escola. Nos anos 70, o partido-alto começa a se tornar uma febre nos subúrbios do Rio. E entre um samba e outro, Zeca se virava como podia. Feirante, camelô, office-boy, contínuo e anotador de jogo do bicho. Fez de tudo. Desta época, surgiram amizades valorosas como Sérvula, Dorina, Paulão Sete Cordas, Monarco, Mauro Diniz, Almir Guineto, Bira Presidente, Dudu Nobre, Beto Sem Braço e Arlindo Cruz. Freqüentava também as rodas do Cacique de Ramos. No inicio dos anos 80, Pagodinho começa a se estabelecer como um versador de respeito. Em parceria com o flautista e partideiro Cláudio Camunguelo, teve sua primeira música gravada: "Amargura". A faixa entrou no repertório do segundo disco do grupo Fundo de Quintal, fundado em 1977 e originário do Cacique de Ramos. A aproximação com o grupo acabou levando Zeca Pagodinho para perto de Beth Carvalho. Foi ela quem gravou seu primeiro sucesso: "Camarão que Dorme a Onda Leva", que ganhou até clipe no Fantástico. A madrinha ainda gravou "Jiló com Pimenta" (Arlindo Cruz e Zeca). Depois foi a vez de Alcione registrar "Mutirão do Amor" (Zeca, Sombrinha e Jorge Aragão) no LP "Almas e Corações", de 1983. O pagode, então, já se preparava para estourar no Brasil. A RGE lançou a coletânea "Raça Brasileira" (1985). Entre as canções de Zeca estavam "Mal de Amor", "Garrafeiro", "A Vaca" e "Bagaço da Laranja". Foram 100 mil cópias vendidas. No ano seguinte, o sambista estreava em disco solo, "Zeca Pagodinho". Emplacou os sucessos "Coração em Desalinho", "Quando Eu Contar (IáIá)", "Judia de Mim" e "Brincadeira tem Hora", atingindo a marca de um milhão de cópias vendidas. Pela RGE ainda gravou "Patota do Cosme" (1987). Em seguida, se mudou para a RCA (atual Sony-BMG), ao lado de Beth Carvalho, Paulinho da Viola e Martinho da Vila. Na casa nova, ele gravou "Jeito Moleque" (1988), "Boêmio Feliz" (1989), "Mania da Gente" (1990), "Pixote" (1991), "Um dos Poetas do Samba" (1992) e "Alô, Mundo!" (1993). Em 1995, foi para a Universal, onde gravou "Samba Pras Moças" (1995) , "Vou Botar teu Nome na Macumba" (parceria com Dudu Nobre) e "Guiomar" (de Nei Lopes). O próximo disco "Deixa Clarear" (1996) traria alguns dos maiores sucessos da sua carreira como "Verdade", "Conflito", "Não Sou Mais Disso" e "Jiló com Pimenta". Ainda vieram "Hoje É Dia de Festa" (1997), "Zeca Pagodinho" (1998), "Zeca Pagodinho Ao Vivo" (1999), "Água da Minha Sede" (2000) e "Deixa a Vida Me Levar" (2002). Zeca Pagodinho ganhou um Grammy e em 2003 lançou o "Acústico MTV Zeca Pagodinho" (CD e DVD). O disco foi um sucesso instantâneo. Em 2005 lançou "À Vera" e em 2006 repetiu a parceria com a MTV que, de forma inédita, resolveu repetir o projeto acústico com um mesmo artista, com "Acústico MTV 2: Gafieira - Zeca Pagodinho".

zeca pagodinho canta maneiras

leci brandão

Nascida em Madureira, criada em Vila Isabel, a primeira mulher a fazer parte da Ala de Compositores da Mangueira, Leci, acima de tudo é uma batalhadora, lutou muito para conquistar seus espaços. Filha de Lecy de Assumpção Brandão e Antonio Francisco da Silva, família humilde, teve a necessidade de ajudar no orçamento familiar; desde muito nova, principalmente após a morte de seu pai, causado por um AVC (Acidente Vascular Cerebral), mudando seus estudos diurnos para noturnos. Apesar dos obstáculos, a moça persistiu e conseguiu trabalho na DATAMEC, TELERJ e por fim na faculdade GAMA FILHO, chegando a cargo de chefia. Em 1973, o crítico musical e jornalista SÉRGIO CABRAL. descobriu Leci e a convidou para gravar um disco. Naquela época ela cantava no Teatro Opinião, na noitada de samba, sob o comando de JORGE COUTINHO. No ano seguinte Sérgio levou Leci para a gravadora MARCUS PEREIRA DISCOS, onde gravou seu primeiro compacto simples e em 1975, lança seu primeiro LP, Antes que eu volte a ser nada, agraciado por vários prêmios da critica. Porém durante cinco anos Leci ficou sem gravadora, por absoluta questão política (1980-1985). As gravadoras não a aceitavam por causa de suas músicas com temáticas sociais. Cantou a defesa das minorias (todas elas). Era convidada pra cantar em todos os eventos afinados com sindicalistas, índios, prostitutas, gays, partidos de esquerda, movimentos de mulheres e principalmente do movimento negro. Quando voltou aos discos, Leci faz questão de colocar músicas contendo esses temas de forma direta, transparente e apaixonada. É uma cantora das comunidades e sente muito orgulho disso. Entre seus ídolos constam Martinho da Vila, Ruth de Souza e Benedita da Silva.

leci brandão canta fogueira de uma paixão