benito di paula

Benito di Paula, nasceu em Nova Friburgo, Estado do Rio de Janeiro, filho de uma família de treze irmãos, herdou de seu pai a influência musical que o levaria a ser um dos nomes fortes do samba feito nos anos 70 e 80. É um dos pais do estilo conhecido como "sambão jóia". Jovem ainda, integrou um conjunto como "crooner", onde se apresentava em bailes estudantis de fins de semana em Nova Friburgo. Desta forma Benito era obrigado a cantar todos os gêneros musicais, desde o samba e o bolero até o rock'n roll. Até que um dia resolveu se lançar totalmente às suas ambições artísticas, abandonando sua cidade em troca da capital. Nela, Benito Di Paula sofreu muito até conseguir impor o seu trabalho. Mas se o tempo em que ele morou no Morro da Formiga foi um tempo de muita dificuldade financeira, também foi onde Benito manteve contato com sambistas autênticos e somou novas experiências que o levariam a cantar em diversas casas noturnas. As dificuldades financeiras desta época da carreira de Benito eram devido ao fato de iê- iê- iê estar imperando na terra do samba. Ele não estava disposto a abrir mão de seu estilo. Segundo suas palavras: "Lá, meu camarada, era realmente impossível. O pessoal estava mais interessado no som importado do que no nacional. Era uma luta conseguir tocar e cantar música brasileira e agradar". Em seguida, Benito morou durante dois anos na cidade de Santos, no estado de São Paulo, onde pela primeira vez formou seu próprio conjunto. Cantando e tocando piano, Benito apresentou-se em diversas boates, até que, em pouco tempo, conseguiu um contrato com a gravadora Copacabana. Apesar de um estilo diferente de fazer samba (quase sempre ao piano, com interpretação chorosa ou exaltada e trajando fraque), Benito lançou o estilo "brega-chique". Ainda não era conhecido pelo público - razão pela qual seu primeiro trabalho nesta gravadora foi produzido com composições de autores consagrados, contando também com quatro músicas de autoria de Benito ("Eu Gosto Dela", "Preciso Encontrar Você", "Você Vai Ser Alguém" e "Longe De você", esta última em parceria com Carlos de Carvalho). Neste L.P., gravado em 15 de fevereiro de 1971, havia sucessos como "Apesar de você", de Chico Buarque de Hollanda, e composições de Taiguara, Vínicius de Moraes, Tim Maia, Ivan Lins, Paulinho Nogueira, Roberto e Erasmo Carlos. O segundo LP. de Benito foi "Ela", também gravado pela Copacabana, mas foi só a partir de seu terceiro trabalho, "Um Novo Samba", gravado em 1973, é que Benito passou a realmente integrar a restrita galeria de grandes sucessos comerciais, com constantes aparições em programas de tevê e 150 mil cópias vendidas, tendo duas músicas deste disco sido gravado por intérpretes de outros países: sua obra maior "Retalhos de Cetim", por Paul Mauriat, e "Violão Não se Empresta a Ninguém", lançado pela global no Japão, com imenso sucesso. Em 1975, Benito di Paula tem compromissos firmados com o México, Japão, EUA, se apresenta no MIDEM em Cannes, seu LP. É lançado na Argentina com uma vendagem bem acima da esperada e cede uma música sua para o LP de Roberto Carlos, música que fará grande sucesso: "Quero Ver Você de Perto". Diversos intérpretes brasileiros gravam músicas de autoria de Benito di Paula. Seu próximo LP, Benito solta-se ainda mais, tendo músicas que aparecem nas paradas de sucesso nessa época, "Meu amigo Charlie Brown", feita em homenagem ao personagem de Schultz, que era uma de suas leituras prediletas. Ainda em 1975, Benito passa a apresentar um programa de música verdadeiramente brasileira na televisão, o Brasil Som 75, com uma audiência espetacular. Este programa gerou um LP, onde Benito e seus convidados cantam uma série de sucessos que perduram até hoje. Já em 1976, Benito di Paula é sucesso consagrado, apresentando-se na Boate Vivará, no Rio, onde faz um show produzido por Augusto Cesar Vanucci e com orquestrações por Radamés Gnatelli. Este show dura até março de 1977, tendo suas reservas esgotadas com duas semanas de antecipação, Benito se apresenta de terça a domingo, com o Grupo Tempero e uma orquestra de 42 músicos. Seus LPs vendem em média de 600 mil cópias. A Copacabana, gravadora que lançou Benito di Paula, passa a trabalhar 24 horas seguidas para atender aos milhares de pedidos de lojas para serem entregues antes do Natal. Em 1977, Benito lança um novo LP, novo sucesso de vendagem. O pedido inicial soma mais de 400.000 cópias e benito prepara uma excursão pela Europa, iniciando-se pela Itália. No ano seguinte, seu LP, sai com uma particularidade: pronto para ser prensado na Copacabana, Benito telefona pedindo para incluir mais uma música, "30 anos de saudade", composta e com arranjos feitos de uma só vez, numa só noite, feita em homenagem aos "Unidos da Saudade", time de futebol que virou escola de samba. Compôs diversas trilhas para novelas (Nino, o italianinho, Simplesmente Maria, etc.) e ganhou o prêmio "Chico Viola", promoção da TV Record com sua música "Faça de mim uma Ilha". Figura rara na aparência (smooking, bigodão e costeletas), é fruto de uma safra de sambistas brasileiros que apesar de não trazerem influências diretas do calor do morro, da pureza primitiva, traz um samba bem brasileiro influenciado pelo luxo das casas noturnas das capitais.

pagode da tia doca

Doca, cujo nome de batismo é Jilçaria Cruz Costa respira samba desde a sua infância. Sua mãe, Albertina, foi porta estandarte do GRES Prazer da Serrinha, que depois originou o Império Serrano. Entretanto, deixou-se contagiar pelo samba da Portela e desde muito cedo passou a freqüentar a escola onde já fez de quase tudo. Já foi diretora da escola e é pastora da Velha Guarda Show da Portela desde a década de 1970. O Pagode de Tia Doca teve início como alternativa para que Doca pudesse sustentar seus filhos, quando separou-se de seu marido. O sucesso das rodas de samba promovidas por Tia Doca foi tanto que há cerca de quatro anos, o seu pagode passou a acontecer também às sexta-feiras na sede do Cordão do Bola Preta. O pagode de mesa e samba de raiz, que tradicionalmente ocorre aos domingos em Oswaldo Cruz, bairro do GRES Portela, é ponto de encontro e referência para os sambistas. Sambistas de prestígio como Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Almir Guineto, Dudu Nobre e Marquinhos de Oswaldo Cruz eventualmente passam por lá e dão canja no terreiro de Tia Doca.


Pagode da Tia Doca

joão nogueira

Carioca, aprendeu a tocar violão com o pai, o advogado e músico João Batista Nogueira. Na adolescência começou a compor sambas para os blocos carnavalescos do bairro do Méier, onde morava, até que em 1968 sua composição "Espera, ó Nega" foi gravada por um grupo de sambistas. Sua estréia profissional foi em 1970, quando Elizeth Cardoso gravou sua música "Corrente de Aço", inserindo João Nogueira definitivamente no meio musical. Como compositor, teve músicas gravadas por diversos intérpretes como Elis Regina, Clara Nunes, Emílio Santiago, Beth Carvalho, Alcione e outros. Em 1971 ingressou na ala dos compositores da Portela (com o samba "Sonho de Bamba") e foi fundador da escola de samba Tradição. Lançou em 1974 o LP "E Lá Vou Eu", um de seus grandes sucessos, seguido por "Vem que Tem", "Espelho" e vários outros discos. Entre os sucessos desses lançamentos, "Mineira" (com P.C. Pinheiro), "Chorando pelos Dedos" (com Claudio Jorge) e "O Passado da Portela" (Monarco). Foi fundador, ao lado de outros sambistas, do Clube do Samba, para preservar e divulgar o samba carioca. O LP "Clube do Samba" foi lançado pela Polygram em 1980, incluindo "Súplica" (com P.C. Pinheiro) e "Enganadora" (Monarco/ A. Lopes). Outros sambas interpretados por João Nogueira que se tornaram populares são "Se Segura, Segurança" (com Edil Pacheco/ Dalmo Castelo), "É Disso que o Povo Gosta" (Carlinhos Vergueiro), "Cachaça de Rolha" (com P.C. Pinheiro).

espelho

marquinho santana

Marco Antonio Costa Santos nasceu dia 24/01/1956 no Rio de Janeiro Cantor, Compositor em 1987, lanço pela gravadora Ariola o disco "Marquinhos Satã", ao final da década de 90, mudou o nome artístico para "Marquinho Sathã" e no ano 2000 mudou novamente o nome para "Marquinho Santanna", gravou também o LP "Graça Divina" (independente pelo selo Zapelli) em 2002 lançou o CD "Nosso Show" (independente), seu mais recente trabalho é o CD "Mais Feliz" (independente), com a produção musical, arranjos e regência assinados pelo maestro Élcio de Souza (Élcio do Bandolim)

projeto cultural samba autêntico

O Projeto Samba Autêntico nasceu da vontade de um grupo de pessoas determinadas em relembrar sambas antigos, a história de seus compositores, bem como a história da música, ou seja, como ela foi composta, qual a inspiração do compositor naquele momento, buscando desta forma resgatar o nosso samba em todas as vertentes, seja ele de terreiro, de breque, de roda, rasgado, partido alto, etc. Voltado para a preservação do samba verdadeiro, do samba de raiz, ou seja, o Autêntico, os idealizadores do Projeto, buscam não somente a pesquisa e divulgação do samba dito “da Antiga”, mas principalmente visa à apresentação e lançamento de novos compositores preocupados em fazer samba de qualidade cultural. Oportunamente os novos compositores têm um espaço para mostrar o seu trabalho e vê-lo aplaudido pelo público. Em regra, as novas composições preservam o samba de raiz e são apresentadas com acompanhamento de alguns músicos que são fixos no projeto, e oportunamente por alguns outros itinerantes. São músicos fixos do Projeto:- T. Kaçula (voz, cavaco, banjo), Mestre Paulo(voz, surdo),Serjão (chek-balde e afoxé).Michel Maltz( Sax, flauta) Pastoras: Elisangela “Ne”, Ligia Fernandez.

Idealizado por T. Kaçula, o Projeto Samba Autêntico, não é somente uma roda de samba, pois também se preocupa com o lado social através de oficinas de aprendizagem de instrumentos musicais. As rodas do Projeto já foram fixas no Villaggio Café por 7 meses, sempre as terças-feiras, e por 10 meses no CDM/UESP (Centro de Documentação e Memória da União das Escolas de Samba Paulistanas). Hoje a roda estava fixa somente na Contemporânea – Loja de Instrumentos Musicais, sito a General Osório, 46 Santa Ifigênia, fones 11 221-8477 ou 220-2954, local este identificado como um dos mais importantes focos do samba brasileiro, onde constantemente os rapazes recebem a visita informal de bambas de nosso samba como Beth Carvalho, Almir Guineto, Zeca Pagodinho, Murilão, etc. Lá além da animada roda, os rapazes intercalam a apresentação dos sambas contando histórias de compositores consagrados, uma verdadeira aula. (esta roda já completou 5 anos). Em razão destes trabalhos, a rapaziada do Projeto Samba Autêntico já acompanhou:- Monarco, Davi do Pandeiro, Surica, Borba, Ivan Milanez, Ideval, Dorina, em apresentações no Villaggio Café e recentemente a Embaixada do Samba Paulista na Pinacoteca do Estado (exposição de fotografias), no Olympia com a entrega do Troféu Sambista Nota 10, promovido pelo Diário de São Paulo, bem como dia de homenagens à nata do samba, na cidade de Pirapora, além de participarem do Aniversário da Cidade de Santo André, vinculando a roda de samba do Samba Autêntico, ao projeto Santo André tem Samba. Acompanharam também Jamelão, Tia Surica e Nelson Sargento.

Ligados também em trabalhos sociais participaram da Caminhada pela Paz, promovida pela UESP, onde percorreram as principais ruas do Centro de São Paulo, partindo da Praça da Republica, passando pelas ruas 7 de Abril e Vale do Anhangabaú, sendo responsáveis em apresentar o samba de raiz pelos locais que passavam, mas principalmente para mostrar que o samba e a paz caminham unidos. Sempre preocupados na divulgação do nosso samba, desenvolveram um WorkShop na Universidade Mackenzie, intitulado de “AfroMac”, este trabalho voltado não somente para o samba de raiz, mas sim, para cultura negra como um todo. Ainda seguindo esta vertente prestaram consultoria para episódios do Retrato Falado do Fantástico. Buscando a interação com outros focos do samba “antigo”, se fizeram presentes nos 1º e 2° Fórum Nacional dos Sambistas no Rio de Janeiro – Edições 2001 e 2002. Na semana de comemoração do dia Nacional do Samba, ficaram responsáveis por vários eventos como uma apresentação em prol da Conscientização do Negro no Teatro de São Pedro, e três dias de Projeto.

fonte: Samba Autêntico

> sol e pedra



sol e pedra
(paulinho da viola)

Mulher
Me dá teu coração
Mesmo sendo de pedra
Ninguém vive de amor
Sem sofrimento
Não te juro amor somente
Mas te darei meu samba
De acordo com o teu procedimento

Sabes muito bem
Que a vida é curta
E muitas vezes
A gente morre sem viver
Entre sol e pedra nos achamos
Guerreando nos amamos
Quase sempre sem saber por que
Posso até fazer quem sabe um dia
Um samba só de alegria
Pra dedicar a você


> download aqui
se gostarem, sugiro que adquira o álbum:
Paulinho da Viola - Paulinho da Viola - 1971

reinaldo

Natural do Rio de Janeiro, Reinaldo veio para São Paulo onde lançou seu primeiro disco Retrato Cantado de um Amor (1986), pela Continental, seguido dos LPs Aquela Imagem, Pra Ser Minha Musa, com o qual recebeu o primeiro disco de ouro, e Coisa Sentimental, considerado pela crítica como o melhor trabalho de sua carreira, que lhe valeu a indicação para receber o Prêmio Sharp, na categoria de Melhor Cantor. Em 1992, lançou o disco Soneto de Prazer e, em 1995, Samba Meu Brasil. Em 1997, o Príncipe do Pagode retorna à Continental com LP Traz de Volta Minha Paz. Dois anos depois grava o primeiro CD de uma coleção de cinco, intitulados Pagode Pra Valer. O resultado é um novo disco de ouro. Neste ano, lança o segundo Pagode Pra Valer, trazendo de volta o samba de raiz, marcado na palma da mão, faturando mais um disco de ouro. Intitulado pelos colegas como "príncipe do pagode", Reinaldo mora há 16 anos na cidade de São Paulo. Chegou com a experiência dos pagodes de quintal do Cacique de Ramos, bloco histórico do subúrbio carioca, e ajudou a popularizar as rodas de samba paulistas. Seu nono disco, Pagode pra Valer, dispensa equipamentos elétricos. Nada de baixo, teclado e guitarra. Só banjo, cavaco, pandeiro, tantã, surdo, repique e reco-reco, como nas rodas. Também foi resgatando a cultura das rodas, agora praticadas em bares de classe média e não mais relegadas aos quintais da periferia, que Almirzinho, filho de Almir Guineto, encontrou seu espaço na cidade. Seu CD de estréia, no momento, está sendo mixado.

cordão do prata preta



CENÁRIO
No início do século XX, o Rio de Janeiro, então capital do Brasil, figurava como um dos lugares mais perigosos do mundo. Calma, não estamos falando de altos índices de criminalidade (homicídios, latrocínios, assalto à mão armada, roubo de carros, balas perdidas...). A periculosidade da Cidade Maravilhosa era devido a epidemias de febre amarela, peste bubônica e varíola, que anualmente ceifava muitas vidas. Em suma, o Rio de Janeiro era nessa época uma cidade doente.



ENREDO
Quando o paulista Rodrigues Alves assumiu a Presidência da República (1902) resolveu cumprir as promessas de campanha (parece que naquela época isso acontecia!!!). E iniciou-se a remodelação do Rio de Janeiro, sendo Pereira Passos nomeado para tal empreendimento, botando abaixo inúmeras casas (na maioria habitações coletivas) para abrir largas avenidas e transformar o Rio na Paris dos trópicos. E a população pobre que habitava esses cortiços...nem se fale: A POPULAÇÃO QUE SE DANE!!! Na área da saúde, o Dr. Oswaldo Cruz seria o responsável pela cruzada contra as doenças que 'queimavam o filme do Brasil' no exterior. A forma despótica como foi encaminhada a questão sanitária culminou com a Revolta da Vacina (1904).



NOSSO PERSONAGEM
Negro, forte, homem de muita bravura, eis Horácio José da Silva, vulgo Prata Preta. Prata Preta foi um dos artífices da farsa construída pelos moradores locais contra as autoridades constituídas. Eis o que houve: entre barricadas, um canhão improvisado com carro de lixo e poste de iluminação tirou o sono daqueles que nunca levaram em consideração os interesses dos menos favorecidos. Prata Preta e seus comandados resistiram à vacina obrigatória dizendo um não a toda opressão. Em 2005 Prata Preta voltou a circular pelas ruas do bairro da Saúde, desta vez em forma de arte, saracoteando em um belo estandarte levado por foliões que acreditam que o carnaval é uma festa do povo. Salve o Cordão do Prata Preta.

fonte: cordão do prata preta

candogueiro

O lugar é longe. Escolha logo uma mesa, sente e peça um isopor cheio de cerveja e uma porção, melhor, duas! de pastel de siri. Depois é só curtir a melhor roda de samba do Rio. A partir de umas 22h30 a roda começa, normalmente com uns choros para esquentar. Depois o samba tem início e adentra a madrugada sem intervalo. É o único lugar onde o samba não pára. Na roda estão Paulinho Marques no violão, Serginho Procópio e Wanderley Monteiro no cavaquinho e voz, Wander no outro violão, Iracema na voz, Ivan no Clarinete, Marquinho Basílio, Marcelo Pizzotti, Vinicius e Ilton na percussão. Todos músicos de primeira. Há sempre um grande nome do samba como convidado especial, mas este só se apresenta após a meia-noite. Enquanto isto você pode experimentar cada uma das opções do cardápio, como carne seca com aipim, o já falado maravilhoso pastel de siri, caldinho de feijão ou sardinha frita, tudo muito bem feito na cozinha controlada pela Hilda. Cerveja gelada, petiscos deliciosos com bom preço, gente bonita e música de primeiríssima, o que você quer mais? É bom chegar cedo, especialmente quando é alguém mais conhecido, como Dona Ivone Lara ou Velha Guarda da Portela. Na verdade este é o grande problema do local, tem estado cheio demais. Depois de uma reforma recente, que expandiu a casa, colocou um bar na entrada e mudou a posição da mesa, o conforto melhorou bastante. Mas mesmo assim, chegando tarde corre-se até o risco de não entrar. Não é mole se despencar até Pendotiba para dar de cara na porta. Acaba ficando muito cansativo ter que chegar cedíssimo, com o samba começando horas depois e o convidado cantando só após a meia-noite. Haja disposição. E nem adianta que eles não fazem reservas.

fonte: samba & choro

roda de samba do candongueiro

> filosofia do samba



filosofia do samba
(candeia)

Pra cantar samba
não preciso de razão,
pois a razão
está sempre com dois lados.

Amor é tema tão falado,
mas ninguém
seguiu nem cumpriu a grande lei:
cada qual ama a si próprio,
"liberdade e igualdade", onde estão,
não sei.

Mora na filosofia,
morou, Maria...
Morou, Maria?
Morou, Maria!

Pra cantar samba
veja o tema na lembrança:
Cego é quem vê
só aonde a vista alcança.
Mandei meu dicionário às favas:
mudo é quem
só se comunica com palavras.
Se o dia nasce,
renasce o samba.
Se o dia morre,
revive o samba.

Mora na filosofia,
morou, Maria...
Morou, Maria?
Morou, Maria!


> download aqui
se gostarem, sugiro que adquira o álbum:
Candeia - Raiz (Filosofia do Samba) (1971)

deixa falar

Fundada em 28 de setembro de 1996, na Rua Francisco Berengue, 487, no bairro de Campo Grande, na cidade do Recife – PE, um grupo de (06 pessoas) liderado pelo Sr. Nielson Arruda (atual presidente) foi fundada a Sociedade Recreativa Escola de Samba “DEIXA FALAR”, titulada nome (natureza) em homenagem a 1ª Escola de Samba do “BRASIL” que posteriormente tornou-se Unidos do Morro de São Carlos e hoje em definitivo chama-se G.R.E.S ESTÁCIO DE SÁ, oriundo do Rio de Janeiro. Esta conceituada escola desfilou durante 05 anos consecutivos pelas ruas do bairro de Campo Grande ainda como “BLOCO DE SUJOS”, seu primeiro desfile oficial aconteceu no ano de 1997 com o tema “REINADO DE BAMBAS” que contou com 300 figurantes. Em 2001 com o tema “100% NEGRO” e com 600 figurantes arrastou 3 000 pessoas pelo bairro de Campo Grande, em 2002 filiou-se a FESAPE (FEDERAÇÃO DAS ESCOLAS DE SAMBA DE PERNAMBUCO) e faz seu 1º desfile oficial na Passarela do samba na Av. Dantas Barreto onde sagra-se campeã do grupo de acesso, com uma expressiva diferença de 40 pontos. Em 2003 estreando como no “GRUPO ESPECIAL” com o tema “O PLANETA ÁGUA, A ÁGUA QUE O PASSARINHO NÃO BEBE”, arrebatou merecidamente o vice-campeonato sendo superada apenas pelo G.R.E.S GALERIA DO RITMO, em 2004 com o tema “A CIDADE MÁGICA NO MUNDO DA IMAGINAÇÃO” enredo do carnavalesco Hilário da Silva (carnavalesco), ficando no surpreendente 3º lugar. Em 2005 com o tema por motivo de força maior a Escola de Samba DEIXA FALAR desfilou apenas pelas ruas do bairro de Campo Grande,sofrendo a punição de rebaixamento para o grupo de acesso, EM 2006 com o tema PETER PAM E AS MARAVILHAS DA TERRA DO NUNCA, retorna ao GRUPO ESPECIAL onde desfilou no ano de 2007.

noca da portela

Nascido em Minas mas carioca por adoção, começou a tocar violão cedo com o pai, que era professor do instrumento. Compôs sambas para diversos blocos, agremiações carnavalescas e escolas de samba antes de ingressar na Portela, levado por Paulinho da Viola, em 1967. Nesse mesmo ano lançou uma de suas músicas mais famosas, "Portela Querida" (com Picolino e Colombo). Membro da ala dos compositores, classificou seus sambas em concursos e teve músicas gravadas por MPB-4, Eliana Pittman, Alcione, Maria Bethânia e outros, totalizando mais de 300 composições gravadas. Continua compondo para a Portela. Os sambas-enredo de 1985 ("Recordar É Viver") e 1998 ("Os Olhos da Noite") são seus, em parceria com outros compositores. Outros sucessos são "Capital do Samba", "Isto Tem que Acabar" (com Mauro Duarte), "Aos Pés do Altar" (com Nélson Gonçalves), "Ilumina", "Recordar É Viver" (com Edir/ Jorge Careca/ Poli), "Virada" (com Gilper), sucesso de Beth Carvalho), "É Preciso Muito Amor" (com Tião de Miracema), "Caciqueando", "Nossas Senhoras Meninas" (com Toninho Nascimento) e "Minha Missão" (com Adauto Megalha). Se apresenta com a Velha Guarda da Portela, onde atua como intérprete também.


Samba de Noca da Portela, "Recordar é Viver", carnaval de 1985.

Cacique de Ramos: ainda doce refúgio

Lá, onde as tamarineiras são da poesia guardiãs, o samba ainda existe. Continua perto de tudo, ali no subúrbio do Rio. A quadra da rua Uranus segue revelando talentos, mas se tornou difícil concorrer com o sambanejo e as regravações de bambas do passado. Aos Partideiros do Cacique de Ramos, resta manter as tradições daquele doce refúgio. Eles sabem que a fonte não secou. “Todo feijão tem que ter um bom tempero. O importante é não deixar aquilo ali morrer”, diz Banana, um dos líderes dessa não tão nova geração de sambistas do Cacique de Ramos, bloco carnavalesco que revelou nomes como Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal, Jorge Aragão, Almir Guineto, Arlindo Cruz e qualquer outro sambista que você lembrar que fez sucesso nos anos 80. A madrinha da rapaziada da zona da Leopoldina continua sendo Beth Carvalho, que convidou os partideiros para abrir seu show no Circo Voador, na última semana, pelo programa Samba Social Clube da MPB FM. “É uma casa maravilhosa, com gente de todas as tribos. A idéia de fazer uma roda, fora do palco, foi ótima. A galera toda cantou com a gente. O povo está carente disso, né?”, indaga o partideiro. Banana é uma figura responsa. Pode até intimidar pelo tamanho, mas lá de cima sai um papo maneiro. Do amor pelo batuque, criou a marca de camisas “Coisa de Samba”, com estampas como São Jorge, pandeiros e o símbolo do Cacique. Batizado Henrique Hatischvili, ele é de família de bambas e honra a tradição: neto de João da Baiana e filho de Neoci, fundador do Fundo de Quintal e um dos maiores partideiros da história.



“Eu tenho 38 anos, o Fundo tem 28. Vi muita gente passar pela minha casa. Meu pai levava todo mundo. Mussum, Zeca, Almir Guineto, Jorge Aragão, que era meu vizinho. A Beth vivia lá, adorava o feijão da minha mãe. O Sombrinha já morou na minha casa, quando meu pai o trouxe de São Vicente para tocar no grupo”, lembra. Com uma história dessas, coisa ruim não poderia sair de uma banda formada por ele. Os Partideiros do Cacique contam com Banana, Carlinhos Tchatchatcha, Marcinho do Pandeiro, Márcio Vanderlei e Renatinho Partideiro. Eles dão conta do recado e puxam sambas dos seus ídolos da rua Uranus. Mas também arriscam inéditas. “Todo compositor é bem-vindo. Lá sempre foi assim. Havia a tradição de toda quarta-feira ter roda para apresentar sambas novos”, diz Banana. Para quem quiser se arriscar a versar, o pagode rola das 17h às 22h no tradicional endereço do bloco. “Mudamos o dia para domingo. Mas tem que ser samba bom, não adianta pisar na grama sem chuteira”, afirma Banana, lembrando que para participar da roda também precisa ter gogó. “O Cacique de Ramos é o único pagode que rola há quase 30 anos sem o uso de microfone.” Dos anos 80 para cá, muita coisa mudou no samba. A geração do Cacique deu origem ao pagode meio mauriçola, que dominou as rádios na década seguinte. Banjo, tantan e repique de mão viraram peças presentes em todos os grupos. Vale lembrar que a maioria dos líderes daquelas bandas cresceu ouvindo a galera do Cacique e muitos passaram a infância freqüentando a quadra.

Banana até defende esses grupos. “Eles abriram caminho para muita gente. Kiloucura, Molejo, Exaltasamba. Muitos acabaram, mas havia qualidade”, diz o partideiro. Não há como negar, contudo, que o mercado fonográfico ficou saturado do estilo deles. E a galera que havia começado o movimento nos anos 80 voltou a ser procurada. Zeca, com seu disco ao vivo de 1997, bateu recordes e tornou-se ídolo nacional. Nessa linha, Arlindo Cruz é referência e cedeu cinco músicas para Maria Rita gravar, no álbum recém-lançado. Mas quem está começando agora, como é que fica? Está difícil encontrar compositores jovens sendo gravados pelos bambas. Dudu Nobre surgiu como novidade, mas depois dele poucos apareceram e se firmaram. Banana garante que a história está mudando: “Caetano, Moisés, Adrianinho e Márcio Vanderlei, da nova geração, estão sendo gravados. Muitos grupos que surgiram na trilha do Fundo acabaram, mas tem muita gente boa. O Xande de Pilares, do Revelação, vivia com a gente lá na quadra”, afirma Banana. “Tomara que apareça alguém para substituir a gente.” Para uns, o Cacique é uma cachaça. Para outros, religião. Continua assim, com o samba em alta bandeira. Vai aparecer, para cantar com os passarinhos na manhã.

fonte: Thales Ramos e Thiago Dias (o samba é meu dom)

cordão do bola preta

Um dos mais conhecidos Blocos de Carnaval do Rio de Janeiro, o bloco Cordão da Bola Preta foi fundado na rua da Glória nº 88, e saiu pela primeira vez em 13 de dezembro de 1918. Último representante remanescente dos antigos cordões carnavalescos que existiam no Rio de Janeiro. Sua maior figura e diversas vezes seu presidente, foi Francisco Carlos Brício, autor da compra em 1950 da sede atual do Cordão na avenida Treze de Maio. Desfila pelas ruas do centro da cidade puxado por uma banda, com instrumentos de sopro e um vasto repertório conhecido de marchinhas de carnaval. É considerado por alguns como um dos pontos mais fortes do carnaval de rua do Rio de Janeiro. Todo ano são dezenas de milhares de pessoas, cantando numa festa democrática, sem confusão, seguindo um trio elétrico pelo Centro da cidade. É possível ver os diferentes moradores da cidade brincando juntos: pobre, rico, branco, preto, velhinhas e crianças, sem confusão. É preciso acordar cedo para acompanhar o Bloco, a folia começa cedo a partir das 9 horas do sabado de Carnaval. As cores do bloco são o Branco e o Preto, e o uniforme oficial é qualquer roupa branca com bolinhas pretas. Muita gente vai fantasiada e até monta alas.


Cordão do Bola Preta, carnaval 2007


Cordão do Bola Preta na Av. Rio Branco (RJ)

[>] feijoada da portela



coisa boa é isso aqui, antes de irmos dessa para melhor, temos que um dia sentir esse astral de perto, Feijoada da Portela (RJ)



alcides "malandro histórico"

Alcides Dias Lopes, também chamado de ‘Malandro Histórico da Portela’, foi um dos mais importantes nomes da Escola, Mestre de Canto, responsável pela resposta de improviso na segunda parte das compo-sições durante os desfiles e as rodas de samba. Excelente partideiro, fez fama sua prodigiosa memória, capaz de impressionar até mesmo os mais experientes versadores. Foi ainda o grande responsável pelo registro oral das obras de Paulo da Portela e de seus companheiros mais antigos, fundadores da Escola. Era capaz de contar com detalhes toda a história da Portela. Nasceu (17-12-1909) e morreu (09-11-1987) no Rio de Janeiro, cidade que amava. Na juventude, levou vida de malandro, vagando sem destino e sem ocupação fixa pelas ruas do Rio. Seu primeiro emprego só veio depois do casamento com Guiomar, com quem teve quatro filhos. Foi mano-brista e sinalizador de trens da Rede Ferroviária Federal, trabalhando perto do subúrbio de Benfica. Tor-nou-se então um ‘chefe de família’, aposentando-se em 1947. Porém, mesmo trabalhando, Alcides nunca faltava aos ensaios da Escola. Estava sempre presente, com sua fisionomia fechada, seu tronco avantajado e seu modo simples de se vestir. Em 1947, compôs seu samba mais conhecido, a autobiográfica ‘Vivo Isolado do Mundo’ (‘Eu vivia/ iso-lado do mundo/ quando eu era vagabundo/ sem ter um amor/ hoje em dia/ eu me regenerei/ sou um chefe de família/ da mulher que amei’). A primeira gravação desta música foi feita por Candeia e Manacéa, que incorporaram alguns versos, cantados até hoje nas rodas de samba. Monarco parece ter feito a gravação definitiva e Zeca Pagodinho regravou o samba, dando-lhe nova roupagem. Seu primeiro samba gravado foi ‘Olinda’ – também chamado de ‘Vem, Ó Linda’ –, parceria com Jair do Cavaquinho. A gravação se deu em 1965, com o próprio Jair e o conjunto ‘A Voz do Morro’. Participou do primeiro disco da Velha Guarda da Portela, em 1970, com o belíssimo samba ‘Ando Penando’. Um de seus parceiros mais constantes foi Monarco. Da dupla se destacam: ‘Amor de Malandro’, ‘Enganadora’ (gravadas por João Nogueira), ‘Você pensa que eu me Apaixonei’ (gravada por Beth Car-valho), ‘Se eu soubesse vem Depois’ (gravada por Roberto Ribeiro), ‘Abra as Vistas, Rapaz’ (gravada por Zeca Pagodinho) e ‘Deixa meu nome em Paz’ (gravada por Monarco e Velha Guarda da Portela). Outro parceiro importante foi Chico Santana, com quem compôs ‘Eu vou Embora’, ‘Minha Orelha’ e ‘Quanto mais eu Rezo’ (todas gravadas por Jorge Aragão). Um dos maiores divulgadores póstumos da obra de Alcides foi Zeca Pagodinho, que gravou ‘Dona do meu Coração’ (com participação de Argemiro), ‘Já sei de tudo, Mulher’, ‘Meu Tamborim’ e ‘Vivo Muito Bem’, entre outros. Alcides compôs ainda com sambistas como Nelson Cavaquinho – parceria que per-manece inédita até hoje. Apesar de ter sido excelente intérprete e compositor, Alcides Lopes jamais gravou um disco individual. Os únicos registros disponíveis são duas participações ao lado de Dona Ivone Lara, nas músicas ‘Quando a Maré’ (de Antônio Caetano) e ‘Já Chegou quem Faltava’ (de Nilson Gonçalves), presentes no disco ‘Samba – Minha Verdade, Minha Raiz’ (Odeon, 1978). Como reconhecimento por sua contribuição à Portela, seu retrato foi incluído na galeria do Pavilhão de canto do Portelão.

paulinho da viola

Filho do músico Cesar Faria, Paulinho da Viola cresceu num ambiente naturalmente musical. Na sua infância em Botafogo, bairro tradicional da zona sul do Rio de Janeiro onde nasceu em 12 de novembro de 1942, teve contado constante com a música através do pai, violonista integrante do conjunto Época de Ouro. Nos ensaios familiares do conjunto, Paulinho conheceu Jacob do Bandolim e Pixinguinha, entre muitos outros músicos que se reuniam para fazer choro e eventualmente cantar valsas e sambas de diferentes épocas. Ao longo dos anos 70, Paulinho gravou em média um disco por ano, ganhou diversos prêmios e se apresentou por diversas cidades no Brasil e no mundo. Já nos anos 80, gravou mais quatros discos e manteve-se como um dos principais nomes do samba no país. Nos anos 90, entrou numa nova fase, onde a imprensa e os críticos passaram a vê-lo como um músico mais sofisticado e maduro. Mesmo sem perder seu apelo popular, Paulinho gravou um de seus mais importantes trabalhos, Bebadosamba e montou o espetáculo homônimo. O trabalho de Paulinho hoje é visto como um elo entre diversas tradições populares como o samba, o carnaval e o choro, além de suas incursões em composições para violão e peças de vanguarda. Um dos maiores representantes do samba e herdeiro do legado de músicos como Cartola, Candeia e Nelson Cavaquinho mostra que está sempre se renovando e produzindo sem abandonar seus princípios e valores estéticos.

foi um rio que passou em minha vida.

elton medeiros

Respeitado por várias gerações da Música Popular Brasileira, o talentoso compositor de melodias e letras que sempre se destacaram pela sofisticação e simplicidade, além de cantor de marca própria, Elton Medeiros sempre soube honrar a sua nobre descendência negra e o seu nome está sempre associado a diversos movimentos de renovação, preservação e divulgação da cultura popular, como o famoso ZICARTOLA, concorrido restaurante da década de 60, um dos principais redutos de resistência política e cultural, do qual ele tem a honra de ter sido um dos seus iniciadores. Liderado pelo Mestre Cartola e sua companheira, Zica, o ZICARTOLA reunia, no palco, expoentes da nossa música como, Zé Kéti, Ismael Silva, Nelson Cavaquinho, Clementina de Jesus, Paulinho da Viola, João do Vale, Nara Leão, Carlos Lyra entre muitos outros, e, na platéia, representantes do teatro, cinema, literatura em suma, intelectuais os mais diversos, como Ferreira Gullar, Oduvaldo Vianna Filho, Armando Costa, João das Neves, Cacá Diegues, Nelson Pereira dos Santos e muitos mais, palco e platéia na maior integração. Apesar de graduado como Administrador de Empresas pela Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas do Rio de Janeiro – profissão que exerce até hoje – Elton nunca se desligou de duas das maiores paixões, a música e a cultura brasileira, de um modo geral. Seu nome figura em inúmeras parcerias com expressivos autores da MPB, tais como: Cartola, Zé Kéti, Paulinho da Viola, Hermínio Bello de Carvalho, Mauro Duarte, Mauricio Tapajós, Paulo César Pinheiro, Paulo Vanzolini, Eduardo Gudim, Sérgio Ricardo, Ana Terra, Regina Werneck, Délcio Carvalho, Tom Zé, entre outros. Ex-trombonista, ex-baterista e ex-percurssionista, sua formação é eclética: de integrante entusiasmado de um dos corais infantis criados por Villa Lobos, que não perdia um Concerto de Domingo da Orquestra Sinfônica Brasileira, no antigo cinema Rex, a freqüentador assíduo de bailes e gafieira seja como dançarino animado ou instrumentista e cantor durante a juventude, ele absorveu todas as influências com naturalidade.

Fundador de três Escolas de Samba: GRES Tupi de Brás de Pina (final dos anos 40), GRES Unidos de Lucas, resultado da fusão do GRES Aprendizes de Lucas e GRES Unidos da Capela (em 67) e GRAN Quilombo, já nos anos 70, ao lado de Paulinho da Viola, seu “irmão musical” e dezenas de companheiros como Candeia, Martinho da Vila, Juarez Barroso, Monarco, Leonilda e outros mais. Um de seus maiores orgulhos é ser um dos padrinhos da Ala dos Compositores da Portela. Iniciou a sua carreira profissional como compositor no ano de 1958, quando o cantor Jamelão, acompanhado da Orquestra Tabajara, gravou o seu samba “FALTA DE QUEDA”, em parceria com Ari Valério, no LP “O SAMBA É BOM ASSIM” da Gravadora Continental. Ainda naquele ano prosseguiu a sua carreira de compositor profissional, quando a Escola de Samba Aprendizes de Lucas gravou no disco Escola de Samba em Desfile, a sua composição em parceria com Austeclínio Silva, intitulada “Caprichos da Natureza”. Autor de trilhas sonoras para cinema, fez pontas em filmes de Nelson Pereira dos Santos e Roberto Santos, produtor de discos, radialista, pesquisador e autor de textos teatrais e artigos publicados em jornais do Rio de Janeiro e São Paulo. Elton é um dos poucos que se inserem entre a tradição e a modernidade. No exterior, apresentou-se no Show Brasileiro do Festival de Cannes/França; foi membro da delegação brasileira no I Festival de Artes Negras em Dakar, Senegal – África; participou do Encontro Luso-Brasileiro da Cultura em Portugal, participou do 9e Marché International du Disque et d’Édition Musicale, também em Cannes; realizou Workshops e espetáculos nas cidades de Estocolmo, Örebro e Uppsola/Suécia, sem falar nas diversas incursões pela América Latina. Incentivado pelo seu irmão Aquiles fez a primeira música, um samba, aos 8 anos de idade. Como se isso apenas não bastasse, ele teve o privilégio, na escola pública de participar de um dos vários corais supervisionados pelo maestro Heitor Villa Lobos, o que lhe abriu todos os caminhos. “O Villa Lobos foi muito importante nesse processo, pois indiretamente foi o responsável por toda uma geração de bons cantores, intérpretes, conjuntos vocais que despontaram nas décadas de 40 e 50”, afirma.

Graças a esses bons fluídos do nacionalismo emergente, mas infelizmente fruto de um sistema político ditatorial. Elton pode complementar a sua formação musical participando da tradicional banda de música da Escola Técnica João Alfredo, em Vila Isabel, onde Pixinguinha era um dos professores de música e, da Orquestra Juvenil de Estudantes, conduzida pela maestrina Cacilda Borges Barbosa, tocando sax horne barítono. Curioso, como muitos meninos de sua banda, aprendeu a tocar diversos instrumentos (sax horne barítono, trombone e bateria) e ampliou enormemente o seu repertório de interesses musicais. Como autor de samba-enredo atingiu a consagração como co-autor de Exaltação a São Paulo – feito, em parceria com Joacir Santana e Sebastião Pinheiro, em 1954 para a Escola de Samba Aprendizes de Lucas. O maestro Radamés Gnatalli profundamente entusiasmado com a originalidade de sua elaboração fez arranjo para o samba dentro de uma concepção sinfônica para 40 músicos acompanhados de percussão de dez caixas de fósforo, tendo como solista o cantor Jorge Goulart. Elton Medeiros é para uma certa elite, uma espécie de intelectual do samba e o seu prestígio como sambista também lhe rendeu expressiva participação na primeira formação do Conjunto A Voz do Morro, a convite de Zé Kéti e, também, integrado por Cartola, Nelson Cavaquinho, Armando Santos, Ventura da Portela, Nuno Veloso e muitos outros sambistas renomados. Elton Medeiros gravou o CD “AURORA DE PAZ” na Gravadora Rob Digital, onde constam músicas de sua autoria em parceria com Paulinho da Viola, Paulo César Pinheiro, Hermínio Bello de Carvalho, Paulo Vanzolini, entre outros grandes compositores da música popular brasileira. Tem a participação de Zezé Gonzaga, Regina Werneck e Paulinho da Viola. Este Cd foi lançado no dia 07 e 08 de Julho/2001 no SESC POMPEIA em São Paulo.

Em dezembro/2001, Elton Medeiros recebeu o PRÊMIO SHELL DE MÚSICA BRASILEIRA no Canecão – Rio de Janeiro. Nessa ocasião foi realizado um grande espetáculo com Elton Medeiros e as participações de: Paulinho da Viola, Nelson Sargento, Jair do Cavaquinho, Elza Soares, Velha Guarda da Portela, coro e orquestra, dirigidos pelo maestro Cristóvão Bastos, responsável pela direção musical, arranjos e regência do show. A direção geral do evento foi de Paulinho Albuquerque. Elton Medeiros é um dos que muito têm contribuído para o fortalecimento da cultura popular brasileira. Ele tem a abordagem exata. Com certeza, poderá participar da elaboração de uma profunda reflexão sobre o atual momento de criação e contribuir em qualquer projeto que tenha como meta à proposta de novos caminhos e a reavaliação dos parâmetros que norteiam a nossa cultura, sem violentar os seus fundamentos.

fonte: samba e choro