Trem do Samba



Trem e música: componentes tradicionais das comunidades negras nas Américas. Confirmando essa tradição, no início do século XX, e fugindo da perseguição imposta pela elite às práticas simbólicas negras, Paulo da Portela e seus companheiros de escola reuniam-se no trem (que foi transformado em "sede social"), na volta do trabalho, cantando e tocando samba.

Entre os temas mais cantados na música popular podemos destacar os bairros cariocas. Vários exemplos nos vem à memória: Valsa de uma cidade (Antônio Maia e lsmael Neto), Copacabana (J. Barros A. Ribeiro), Tom 74 (Tom Jobim! Vinicius de Moraes), Garota de Ipanema (Tom Jobim! Vinícius de Moraes). Ao cantar uma parte do Rio de Janeiro, essas músicas demonstram que nossa cidade se apresenta "partida", com territórios bastante delineados, em uma tentativa de impossibilitar o trânsito e o diálogo entre os diversos bairros, buscando, dessa forma, a interdição da livre circulação de bens simbólicos. Porém, o Rio de Janeiro é um signo que comporta vários territórios, várias culturas e saberes em uma busca de trocas simbólicas de informações. O Trem do Samba partiu de uma necessidade de dar visibilidade a cantores e compositores, culturas e espaços que não são divulgados pelos meios de informação hegemônicos.

Tantos compositores, tantas músicas cantando esse bairro que fica distante do mar e da indústria cultural. Esse movimento cumpriu o seu papel, quando alguns de seus membros se dirigiram para a criação da Associação de Moradores de Oswaldo Cruz (AMOC) e do Centro Profissionalizante Paulo da Portela, investindo em um trabalho de recuperação da auto-estima dos moradores do bairro através da produção musical ali realizada. Mas que história essa, tão desconhecida que esse bairro vem ao longo do tempo construindo? No início do século XX, dois grandes festeiros foram reconhecidos como lideranças populares por suas casas terem se tornado grande centro de difusão do samba carioca: D. Ester e Seu Napoleão. Este espaço era freqüentado pelos "bambas' do Estácio (lsmael Silva e Brancura), que lá trocavam informações musicais com os sambistas do subúrbio. Um depoimento feito por Cláudio Bernardo (sócio fundador da Portela) nos informa que durante uma dessas festas, Paulo da Portela (compositor) teve sua entrada proibida. O argumento utilizado se relacionava aos seus trajes, um tanto comum entre os sambistas da época: chinelo charlote, camiseta e para acompanhar uma navalha. A partir desse momento, Paulo da Portela passou a se vestir com "pés e pescoço ocupados", isto é, com sapatos e gravata. Não só ele, mas outros sambistas de Oswaldo Cruz fazem desses trajes seus uniformes. Apesar da tentativa de se desassociar da marginalidade, o samba continuava perseguido. Para fugir da repressão, Paulo da Portela após um dia de trabalho (formal) se reunia no trem com outros sambistas, fazendo desse transporte a sede da sua escola de samba (GRES Portela). Podemos, então, concluir que a primeira grande liderança do samba carioca foi Paulo da Portela. Porém faz-se necessário destacar que Paulo, além de líder, é também (e principalmente) um grande compositor. Dando um salto na história do bairro de Oswaldo Cruz, não devemos esquecer de outra grande liderança : Antônio Candeia Filho. Este, já aos 17 anos foi vencedor de samba enredo na escola de samba de Oswaldo Cruz. Seu destaque deve-se à sua luta em torno da Cultura Carioca.Tal como Paulo da Portela, o respeito pelo mestre Candeia se deu, também, em função da qualidade de seu trabalho como compositor: "Jardim do passado, flores mortas pelo chão, pétalas sementes de paixão".



Em 1991, Marquinhos de Oswaldo Cruz (cantor e compositor portelense) vai também utilizar o trem como um espaço para reunião de sambistas, em uma tentativa de superação da ordenação do espaço cultural e musical da cidade. Também fugindo da repressão às vozes e ritmos negros, Marquinhos e um grupo de sambistas refazem no trem a rota da diáspora dos descendentes de escravos expulsos do centro da cidade. Buscavam mostrar à cidade, a música que era produzida no subúrbio e, em especial, no desconhecido bairro de Oswaldo Cruz.

Após participar de várias rodas de samba no subúrbio, tal como, Paulo da Portela, tem a idéia, contando com a colaboração de outros músicos e moradores do bairro, de utilizar o trem para levar o samba através dos seus trilhos.Esse movimento tem sua primeira vitória quando Marquinhos de Oswaldo Cruz e Juarez Barroso conseguem indicar a Velha Guarda da Portela para recebimento da Medalha Pedro Ernesto.

Toda essa luta foi acompanhada de descrédito de muitos moradores que consideravam essas questões menos importantes . Para muitos, Marquinhos era um indivíduo alienado, que só falava de samba. Não entendiam que uma comunidade se mantém através da sua memória e que a memória do bairro de Oswaldo Cruz sempre esteve ligada a música tradicional. Um vagão de trem continuou a ser utilizado ainda em 1992. No entanto, foi em 1996 que o "Pagode do Trem" passou a comemorar o Dia Nacional do Samba. Assim, Marquinhos inventa uma forma original de celebrar o dia 02 de dezembro, relembrando a trajetória do povo negro que com a reforma Pereira Passos, foi expulso dos lugares nobres da cidade para os subúrbios e morros.

Essa tradição se mantém até os dias de hoje: é o PAGODE DO TREM, movimento em comemoração ao Dia Nacional do Samba (2/12), que sai da Central do Brasil, reunindo em rodas de samba espalhadas pelo bairro de Oswaldo Cruz um público estimado em cerca de 60.000 pessoas e com a presença de sambistas de primeira (Beth Carvalho, Velha Guarda da Portela, Império Serrano e da Mangueira, Renatinho Partideiro, Luiz Carlos da Vila, lvan Milanez, Noca da Portela, Walter Alfaiate, Nelson sargento, Noca da Portela, Mauro Diniz, Dudu Nobre, Almir Guineto, Arlindo Cruz etc).Em 2006, foram cinco trens lotados da Central do Brasil até a estação de Oswaldo Cruz. Foram 30 vagões com muito samba. Em cada vagão foi montado um grupo que representava uma roda de samba com importância para a cidade, assim todos os passageiros curtem o melhor do samba brasileiro, inteiramente grátis.

Desse movimento, outros espaços foram construídos e transformados em referências para o samba. Em 1996, Marquinhos de Oswaldo Cruz e um grupo de sambistas (Renatinho Partideiro, Ivan Milanez e Charles da Viola) vão para a deserta Lapa, com a mesma intenção: divulgar o samba dos subúrbios cariocas. Tocando sob os arcos, eles trouxeram de volta à região o som da batucada. Hoje, se a Lapa está lotada de bares e casas noturnas regada à música regional, devemos a esses desbravadores que reuniam semanalmente quase mil pessoas.



Um outro fruto desse movimento está localizado nas escolas de samba. Tempos atrás, se alguém quisesse ouvir sambas de terreiro e partido alto não iria a uma quadra de escola de samba. Com a criação do Pagode da Família Portelense em 2003, por Marquinhos de Oswaldo Cruz, que convidou também a Velha Guarda da Portela a participar, a quadra da escola volta a ser um espaço para se ouvir todos os tipos de samba e não apenas samba de enredo. O melhor de tudo isso foi a construção de novas redes, já que hoje a Mangueira, Império Serrano, Vila Isabel, Estácio, Rocinha também realizam rodas de samba, reunindo suas comunidades para manter e produzir samba.

Para os desconhecedores das formas de expressão negro-brasileiras todas essas atividades são apenas festas. Sim, são festas. E essa é a forma que a população negra possui de manter sua memória, se conectando com seus ancestrais, mantendo os vivos, com muita alegria. É dessa forma que as comunidades de samba garantem a continuidade de suas práticas simbólicas: através de formas de ação inequivocamente políticas. Ainda nos dias de hoje, as festas, os pagodes e as rodas de samba são algumas das formas que as comunidades encontraram de se colocarem no mundo e manterem a memória dos seus grupos.

Além de tudo isso, o Pagode do Trem é um estímulo a quebra do muro invisível que parte essa cidade. Faz com que os moradores possam conhecer a hospitalidade e alegria do povo suburbano, que, na maioria das vezes só é apresentado como violentos e selvagens.

Por tudo isso, convidamos toda a cidade para visitar Oswaldo Cruz e conhecer as formas de expressão da população negra, que fazem dessa celebração um exercício de memória, transformando o bairro em um pedaço da África no Brasil.

Fonte: Marquinhos de Oswaldo Cruz

Marcos Ariel

Músico reconhecido e com mais de 30 anos de carreira, Marcos Ariel se renova. Exímio pianista e flautista, no álbum Noites da Lapa Marcos canta um repertório bem humorado e jovem. O disco inaugura parceria do novo selo Rio Scenarium com a experiência do MP,B e distribuição da Universal Music. A relação de Marcos Ariel com a boemia musical da Lapa é longa. Quando o bairro foi revitalizado e pipocaram novos espaços, ele já estava por lá em temporada com seu ótimo grupo Tigres da Lapa. O novo CD tem o clima dos bares e casas de shows da região. Uma música que nasce com o samba e o choro, mas aceita novos ritmos e idéias. Marcos Ariel mistura desde a bossa até pitadas de breque, gafieira chegando a flertar com o rap. O clima é de dança de salão, os movimentos da música são livres como uma boa noite na Lapa. Marcos Ariel não é grande cantor, mas sabe utilizar a voz de maneira peculiar e charmosa. Prova isso na divertida Parei com Nova York: "O Rio de Janeiro apesar da confusão / Ainda é uma cidade que eu amo de paixão", declara em verso. A Lapa não está só no título e na foto de capa. Paisagens, points e personagens que circulam pela região também passam pelas letras de Marcos Ariel. Como na faixa-título, que faz um passeio pelas melhores casas da região e ainda um encontro com Zé Paulo, o violonista José Paulo Becker que, por sinal, participa da música. Em Dona Cristina conta a história de um boêmio apaixonado por uma funcionária pública. "Se eu pudesse faria concurso / Pra ser funcionário da repartição / Mas minha vida é meio sem horário", explica na letra que remete ao fuso horário de Chico Buarque cantando "Eu sou funcionário, ela é bailarina". Outro tema bem humorado de amor vem em Botequim fechado, em que compara: "Meu coração sem você é um botequim fechado / É ter de trabalhar em pleno feriado". A bossa clássica chega em um arranjo jazzy que mistura (bem) Garota de Ipanema e Desafinado. Espaço aberto para os clássicos, é a vez de Brasileirinho, pulsante e acelerado no piano; pronto para a noite. O tradicional choro ganha mais homenagens em Assim eu choro, que traz na letra citações a diversas músicas e aos mestres. A Lapa de Marcos Ariel é um estado de espírito. Fechando os olhos para os sérios problemas de segurança e infra-estrutura do bairro, afinal de contas é onde se concentra o melhor corredor cultural do Rio. Atrás dos Arcos, a boa música ainda vive democrática e saudável. Marcos Ariel sabe disso e festeja seu canto da cidade.

Chico Pinheiro

Chico Pinheiro, natural de São Paulo, é compositor, arranjador, guitarrista e violonista. Em 1991, começou a trabalhar profissionalmente como instrumentista em importantes produtoras de trilhas em São Paulo, até integrar a banda de José Miguel Wisnik, no mesmo ano. A partir daí, trabalhou com artistas como Chico César, Rosa Passos, Jair Rodrigues, Luciana Souza, Daniela Mercury, Vitor Mendoza, Greg Hopkins Big Band e Giovanni Hidalgo (nos EUA), Vincent Borgeaux , Franck Oberson, Batiste Trotignon, Belmondo Bros. and the Jazz Quintet (membros do Depto. de jazz do ‘Conservatoire de Paris’), Vicente Barreto, César Camargo Mariano, entre outros. Em 1994, conquista o 1º lugar no “Projeto Nascente”, concurso promovido pela USP em parceria com a Editora Abril, na categoria compositor. Voltaria ainda em 2000 à USP, porém proferindo uma serie de palestras : “Jazz and Blues, suas raízes e seus matizes” na ECA , a convite da própria Universidade.

Em 1995 ingressa na Berklee College of Music (Boston, EUA) como bolsista, graduando-se em performance e arranjo(1997) onde conquistou outras duas premiações: “The professional Music Endowed Scholarship award” e “The Willian G. Leavitt Scholarship award”. Após seu retorno ao Brasil, em 1998, conquista ainda o 2º lugar do III Prêmio Eldorado-Visa, edição compositores, promovido pela Rádio Eldorado, O Estado de São Paulo e Cartões Visa (julho/2000), além de ter sido classificado entre os 48 finalistas no “Festival da Música Brasileira” (agosto/2000) promovido pela rede Globo com a música “Desde o Primeiro dia”, também em parceria com Guilherme Wisnik. Chico Pinheiro estréia então seu próprio show primeiramente no Supremo musical, em Maio de 2002, trazendo consigo duas excelentes interpretes, Luciana Alves e Maria Rita Mariano, show este que permaneceu durante nove meses em cartaz com casa lotada. Sucesso de publico e critica.

Lança seu primeiro CD agora em Abril (2003), licenciado e distribuído pela Sony Music, pelo selo Art Music/ Seven, contando com as participações de Lenine, Ed Motta, Chico César, Gilson Peranzzetta, Marçal, Proveta, alem de Luciana e Maria Rita, e dividindo parcerias com nomes como Aldir Blanc, Chico César, entre outros.

Fonte: Chico Pinheiro (Site)

> Eta Povo Pra Lutar


Eta Povo Pra Lutar
(Brasil / Badá / Magaça / Bernine)

Eta povo pra lutar, vai gostar de trabalhar
Nunca vi tão disposto, nunca está de cara feia
Sempre traz escancarao
Um franco sorriso no rosto
Se rola uma "intera"
É o primeiro a pôr a mão no bolso
Se um vizinho ao lado está passando
Por má situação
Ele faz um mutirão e ajeita a situação

Então, por que que essa gente que tem
Não aprende a lição
Com esse povo que nada tem
Mas tem bom coração

Já com a face enrugada e a mão calejada
Lá vai ele pra batalha
E a Deus pede saúde
Vive no fio da navalha


> download aqui
se gostarem, sugiro que adquira o álbum:
Zeca Pagodinho - Uma Prova de Amor - 2009

samba na gamboa





dois do samba

Dois do Samba é um projeto coletivo idealizado e composto por dois doidos. Doidos por música, doidos por samba, que se aventuram com humildade e elegância pelo universo do samba crioulo, jongo, partido alto e samba de roda.

Dudu Nicácio, mineiro de Oliveira, naturalizado belorizontino, é músico, ator, palhaço e advogado. Rodrigo Braga, carioca de Campo Grande, flamenguista, mas habitante de Botafogo, é pianista, compositor de músicas sinfônicas e canções de araque. Os dois resolvem cantar e demonstrar em seu disco de estréia, um repertório composto em parceria ao longo dos três últimos anos. Estas canções - dizem os autores - são os frutos selecionados de uma visão bem-humorada da aventura do cotidiano, que só poderia resultar em samba: este ritmo-cultura-alento que nada mais é que a síntese da canção brasileira. Canto do povo, o samba está em todo o lugar "tirando onda" ou sobrevivendo, em todas as cores, raças e corações deste imenso país; sem dono, sem berço, sem túmulo. O samba é - como disse João Gilberto - tudo. No disco de estréia "Dois do Samba", a dupla conta com os artistas da "nova geração" que, na mesma sintonia, lutam com suas canções contra qualquer indício de preconceito, direto ou invertido, contra sua forma de expressão. São eles: Casuarina, Edu Krieger, Henry Lentino (Tira Poeira), Dona Sú do Jongo, Meninas de Sinhá, Warley Henrique e Tiago Mocotó.

Produzido por Tiago Mocotó e Rodrigo Braga, o disco foi gravado quase inteiramente em Vila Isabel no Estúdio Base A, mixado por Jadir Florindo no Estúdio Copacabana e masterizado por Carlinhos Freitas no Classic Master, em São Paulo. Todas as canções, quase 20, foram compostas em Belo Horizonte, sendo que 10 estão no disco. Estes dois doidos ainda se permitiram fazer a regravação do clássico de Noel Rosa e Vadico: "Tarzan, o filho do alfaiate", com participação especialíssima do Casuarina. Em 2007, Dois do Samba desenvolveu um projeto de realização de rodas de samba nos aglomerados (favelas) de Belo Horizonte, que se chamou "Do Morro ao Asfalto". Já se apresentaram em diversos projetos musicais, como: o festejado "Comida di Buteco" (2007), o "Conexão Telemig Celular" (2006 e 2007 – 1º lugar na seleção do júri, sendo presenteados com um vídeo-clipe/animação da música "Samba Morena") e "Conexão Vivo" (2008). Com vocês: Dois do Samba

Fonte: my space

Caldos e Canjas no Bohemios de Irajá - RJ


Um dos últimos Caldos e Canjas. Comemoração do último aniversário.

Tributo a Luiz Carlos da Vila


Um tributo ao grande Luiz Carlos da Vila prestado pelo Movimento Cultural PROJETO NOSSO SAMBA de Osasco. Música: O show tem que continuar. Autoria: Luiz carlos da Vila, Arlindo Cruz e Sombrinha. Vídeo de Ricardo Cavera.

Bar Você Vai Se Quiser


Wilson Sucena e Candeeiro tocam Pra Conquistar Seu Coração.

Luiz Carlos da Vila


Luiz Carlos da Vila na Feijoada da Portela.


Luiz Carlos da Vila canta "O Sonho Não Acabou" no Portelão.


Claudio Jorge e Luis Carlos cantam "Ex amor", de Martinho da Vila.

amo muito tudo isso...


Beth Carvalho e Luiz Carlos da Vila


Quinteto em Branco e Preto e Tia Doca


Almir Guineto, Dudu Nobre e Zeca Pagodinho

hoje tem samba no céu


365 dias sem Luiz Carlos da Vila.
Para alguns, só mais um, mais para muitos, o melhor.
Salve Luiz, que seu cantar ilumine a todos ai no céu.

Padeirinho

Padeirinho nasceu Osvaldo Vitalino de Oliveira em 1927. Ganhou esse apelido por ser filho de padeiro. Começou a compor aos 12 anos, época em que cantava seus sambas nos botequins da Mangueira e saía na bateria da escola. Entrou para a Ala de Compositores da escola em 1947 quando apresentou o samba "Mangueira desceu pra cantar". Sua primeira música gravada foi "Mora no assunto" (parceria com Joaquim dos Santos) num disco de Jamelão no início da década de 50. Com Joaquim dos Santos fez também "Fofoca no morro" e "Vida de operário". Foi funcionário do Cais do Porto e da Limpeza Pública do Rio de Janeiro. Participou do show "O samba pede passagem" no Teatro Opinião no Rio. Em 1974 gravou como intérprete o samba "A mais querida" e o samba-enredo "O grande presidente" (ambos de sua autoria), para o selo Marcus Pereira, no LP "História das escolas de samba: Mangueira". Seus sambas tem um estilo sincopado e Padeirinho foi um grande partideiro.

"Favela" (parceria com Jorge Pessanha), "Linguagem de Morro" (com Ferreira dos Santos) e "Como será o ano 2000?" são seus sambas mais conhecidos.

Além da gravação de Jards Macalé em "O Q Faço é Música" (Atração/1998), "Favela" está também no LP "Manhã de Liberdade" (Philips/1966), de Nara Leão e "Resistindo", do Quarteto em Cy (Phonogram/1977). "Linguagem do Morro" foi registrada por João Nogueira (“Boca do Povo”, Polydor/1980), Beth Carvalho ("Brasileira da Gema", Polygram/1996) e Jamelão (na caixa "A Voz do Samba", Continental). “Como será o ano 2000?” foi gravado por João Nogueira em "Bem Transado" (BMG/1983) e por Nara Leão em "Meu Samba Encabulado" (Polygram/1983). As três músicas aparecem ainda em “Chico Buarque de Mangueira” (BMG/1997) com Christina (“Favela”), João Nogueira (“Linguagem do Morro”) e Christina e Carlinhos Vergueiro (“Como será o ano 2000?”).

Germano Mathias gravou vários sambas de Padeirinho: "Zé da Pinga", "Conselho de Coroa", "Não é da Bahia" (com Jorge Costa), "Doutor no Samba", "Terreiro em Itacuruçá" e "Vou ficar devagar" (com Nelson Pechincha). Ele também gravou "A situação do Escurinho" duas vezes: em seu disco de 1957 (“Germano Mathias, o sambista diferente”, Polydor) e no disco que dividiu com Gilberto Gil, "Antologia do Samba-Choro" (Phonogram/1978).

Paulinho da Viola gravou "Cavaco emprestado" em seu disco de 75 (Odeon) e no ano seguinte Emilio Santiago (”Brasileiríssimas, Phonogram/1976) também gravou. Leci Brandão gravou "A Mais Querida" em "No Tom da Mangueira" (Saci/1991). Elza Soares gravou o samba-enredo "Rio carnaval dos carnavais" (com Moacir da Silva e Nilton Russo) em "Elza Pede Passagem" (Odeon/1972). Jorginho do Império gravou "Esta Saudade" (com Jorginho Peçanha) em “Viva Meu Samba” (Continental/1983). Mestre Marçal gravou "Andarilho" e "A Nova Mangueira" (em “Nira Congo – Conjunto Baluartes”, CBS/1976). Clementina de Jesus canta "Me dá o meu boné" em "Marinheiro Só" (Odeon/1973). Jorge Aragão registrou "Cavaco" em "Sambaí" (Indie/1998). Beth Carvalho em "Na Fonte" gravou "Salve a Mangueira" (RCA/1981). Zezé Motta gravou "Atividade" em "Negritude" (WEA/1979). Candeia canta "Já curei minha dor" em "Luz da Inspiração" (WEA/1977), disponível em CD na coletânea "e-collection" (Warner). Xangô da Mangueira gravou "Zé Cansado" em “Xangô da Mangueira Vol. 3” (Tapecar/1978). A Velha Guarda da Mangueira gravou "Amargura" em "A Mangueira Chegou" (1989), lançado recentemente em CD pela Nikita, que também traz "Partido Alto de Padeirinho".

No disco do show "O Samba Pede Passagem" (Polydor/1966), que tem como intérpretes Aracy de Almeida e Ismael Silva, Padeirinho participa na faixa "Vem Chegando Ismael", com Bide, Zagaia e Leléo.

Em "Mangueira - Sambas de Terreiro e Outros Sambas" (Arquivo Geral da Cidade/1999) Padeirinho canta "Decepção de um autor", "O remorso me persegue" (que Moacyr Luz gravou em "Na Galeria", Lua Discos/2001) e "Modificado". No mesmo disco Tantinho canta "Terreiro em Itacuruçá".

O samba-enredo da Mangueira de 1956 "O Grande Presidente" foi gravado por Beth Carvalho no LP de mesmo nome em homenagem a Getúlio Vargas lançado na campanha de Brizola em 1989 pelo selo Idéia Livre. Também foi gravado por Jamelão (na caixa "A Voz do Samba"), Mestre Marçal (“Sambas-Enredo de Todos os Tempos”, Velas/1993) e Martinho da Vila ("Samba Enredo", RCA/1980).

Em 1987 estava prevista a gravação de seu primeiro disco. Neste ano veio a falecer Mida, sua companheira por mais de 40 anos. Padeirinho morreu dois meses depois.

> Minha Filosofia



Minha Filosofia
(Aluísio Machado)

Vai passar
Esse meu mal estar
Esse nó na garganta
Deixe estar...
O próprio tempo dirá
Água demais mata a planta

Tudo que é muito, é demais
Peço: me perdoe a redundância
Entrelinhas só quero lembrar
Que a terra fértil um dia se cansa
É uma questão de esperar
Relógio que atrasa não adianta
E o remédio que cura
Também pode matar
Como água demais mata a planta




> download aqui
se gostarem, sugiro que adquira o álbum:
Casuarina - 2000

Arlindo Cruz no Palco MPB

arlindo cruz no jô

reunião de sambistas do império serrano

beth homenageia a mangueira

Beto Sem Braço



Aluísio Machado na Portela

Conexão Geral - Samba


Aproveitando o clima pré-carnaval, tiramos um sábado para rodar pelas escolas de samba para saber o que elas estão oferecendo. A programação está intensa, tem muita novidade, em todos os dias da semana.

Arlindo Cruz e Sombrinha

a segunda paixão de aragão

Clube do Samba já tem sede

Projeto do peito e da alma do cantor e compositor João Nogueira, o Clube do Samba vem resistindo bravamente há 26 anos, em busca de uma sede própria para fincar seu agito e tradição. Começou na casa do próprio Nogueira, depois ocupou por algum tempo um espaço amplo na Barra da Tijuca, e nos últimos anos vem fazendo reuniões e encontros musicais em bares e casas noturnas.

João morreu no ano 2000. Parentes seus, como o filho Diogo, a irmã Gisa e o sobrinho Didu Nogueira (todos do samba!) jamais perderam a esperança de ter um local para dizerem ''daqui não saio, daqui ninguém me tira''. Agora conseguiram um espaço modesto, porém decente, no Centro, na rua Ubaldino do Amaral, 91, entre a Rua do Senado e a Henrique Valadares, próximo à Lapa. Para comemorar o acontecimento juntamente com a comemoração do 26º aniversário, a rapaziada do Clube recebe a comunidade do samba e da MPB amanhã, a partir das 17h, na churrascaria Porcão Rio's, no Aterro do Flamengo.

Onde quer que esteja, João Nogueira deve estar sorrindo de orelha a orelha. Como na caricatura aí do alto.

Fonte: Luís Pimentel

Cyro Monteiro

Cyro Monteiro nasceu no Rio de Janeiro, em 28.5.1913, na Estação do Rocha, sendo o quarto de nove irmãos, todos com nomes começados com "C". Era sobrinho do grande pianista de samba Nonô (Romualdo Peixoto) e tio de Cauby Peixoto. Passou a infância e a juventude em Niterói. Cantava em festas e rodas de amigos. Fazia dueto com seu irmão Careno, inspirados na dupla Sylvio Caldas-Luiz Barbosa. Numa emergência, já que conhecia todo o repertório deles, a pedido do próprio Sylvio, foi substituir Luiz Barbosa num programa da Rádio Educadora. Isso em 1933. Preferiu, porém, voltar a Niterói, não desfazer a dupla com o irmão e não deixar seu ambiente!

No ano seguinte, foi levado para um teste na Rádio Mayrink Veiga. Aprovado, foi escalado para um programa diurno, mas logo subiria para os noturnos, com Carmen Miranda, Francisco Alves, Mário Reis, Custódio Mesquita, Noel Rosa, Gastão Formenti e outros cartazes. Se Luiz Barbosa marcava o ritmo no chapéu de palha, e Joel de Almeida foi seu seguidor, Cyro descobriu na caixa de fósforo sua característica "instrumental".

Grava seu primeiro disco na Odeon, para o carnaval de 1936, com sambas Vê Se Desguia e Perdoa, sem maior repercussão, mesmo porque o ano foi concorridíssimo. Em 1937, por encomenda, para promoção da festa da Uva de Jundiaí, grava dois discos particulares na R.C.A. Victor. Finalmente, em meados de 1938, grava o samba Se Acaso Você Chegasse (Lupicínio Rodrigues-Felisberto Martins), que abre o caminho para ele e Lupicínio. Era seu primeiro disco na R.C.A. Victor. Cyro tinha voz, ritmo, sabia modular e improvisar. Notável também era sua capacidade de fazer amigos, mercê do seu calor humano e infinita bondade.