Origem e história das escolas de samba do Brasil.

A Deixa Falar foi a primeira escola e samba do Brasil. Ela foi fundada em 18 de agosto de 1928, na cidade do Rio de Janeiro, por Nilton Basto, Ismael Silva, Silvio Fernandes, Oswaldo Vasques, Edgar, Julinho, Aurélio, entre outros. As cores oficiais desta escola de samba eram o vermelho e branco e sua estréia no carnaval carioca ocorreu no ano seguinte a sua fundação.

O termo “escola de samba” foi usado, pois na rua Estácio, onde aconteciam os ensaios, havia uma Escola Normal. A escola de samba Deixa Falar funcionava ao lado desta Escola Normal.

A Deixa Falar fez muito sucesso entre os moradores da região. Ela acabou por estimular a criação, nos anos seguintes, de outras agremiações de samba. Surgiram assim, posteriormente, as seguintes escolas de samba: Cada Ano Sai Melhor, Estação Primeira (Mangueira), Vai como Pode (Portela), Vizinha Faladeira e Para o Ano sai Melhor.

Nestas primeiras décadas, as escolas de samba não possuíam toda estrutura e organização como nos dias de hoje. Eram organizadas de forma simples, com poucos integrantes e pequenos carros alegóricos. A competição entre elas não era o mais importante, mas sim a alegria e a diversão.

Alex Ribeiro



Criado em uma das maiores, e mais tradicionais, escolas de samba do Rio de Janeiro, o G.R.E.S. Império Serrano, o artista é filho do cantor e compositor Roberto Ribeiro. Um dos cantores de samba da nova geração começou a carreira como o pai, jogando futebol em times brasileiros e internacionais. Parou com o futebol e começou na carreira musical interpretando as mais belas canções que seu pai cantou e que até hoje são entoadas como verdadeiros hinos da música popular. Herdeiro unigênito dos dons musicais do pai, ainda menino participou como músico percussionista em algumas gravações de seus discos e por muitos anos da Escola de Samba Mirim Império do Futuro. Hoje é integrante da ala de compositores do Império. Afilhado no samba do grande mestre Jorge Aragão, e da diva Elza Soares, Alex Ribeiro está iniciando uma parceria com seus padrinhos. Despontando no cenário musical com os shows: "Tributo a Roberto Ribeiro" e "Estrela de Madureira", onde apresenta sucessos de seu pai com respaldo de nomes como, Dona Ivone Lara, Wilson das Neves, Monarco, Décio Carvalho, Elza Soares e outros conhecidíssimos nomes da Musica Popular Brasileira.

Já marcou presença em conceituadas casas e teatros no Brasil como: Trapiche Gamboa, Teatro Odisséia, Rio Scenarium, Lona Cultural Gilberto Gil, Teatro Municipal de Macaé, Teatro Municipal de Campos, Teatro Carlos Gomes, Cartola Bar (BH), Democráticos, Mistura Carioca, Sacrilégio, Renascença Tênis Clube, Sala Baden Powell, SESC de Niterói, Teatro BNDS, Império Serrano, Show do Dia Nacional do Samba, SESC Pompéia SP, Camisa Verde e Branco SP, Bar na Aba. Em 2007, fez uma temporada no Sul da França. Alex Ribeiro vem prestando inúmeras homenagens ao pai, entre elas, um grande espetáculo que aconteceu no Teatro João Caetano que contou com a participação de: Zé Luiz do Império, Marcelo Guimarães, Monarco, Toninho Gerais, Diogo Nogueira, Délcio Carvalho, Noca da Portela, Monarco, Neguinho da Beija-Flor e Nelson Sargento.

amo muito tudo isso.


Luiz Carlos da Vila e Dorina no Traço de União (SP).


Luiz Carlos da Vila e Arlindo Cruz no Traço de União (SP).


Arlindo Cruz no Traço de União (SP).

Um pouco de PAGODE.


Embora o clima político continuasse incerto, no subúrbio carioca de Ramos, animadas rodas de pagode começavam a dar uma nova cara ao samba. A palavra “pagode” é originária do sânscrito e significa “templo destinado por alguns países asiáticos ao culto de seus deuses”. No Brasil, o termo já era empregado pelos portugueses desde o século XVI, para designar qualquer diversão popular. Já na década de 1950, passou a denominar toda reunião de sambistas em que houvesse música, dança e comida. A partir dos anos 1970, com a expansão das rodas de partideiros nos subúrbios cariocas, conforme ensina o historiador Jairo Severiano, “o pagode passou a dar nome a um tipo de samba praticado nessas reuniões, que admite banjo, tantã e repique de mão, e guarda ligeira semelhança com o partido-alto.”

De todas essas rodas, a que alcançou maior projeção foi a promovida na quadra no bloco carnavalesco Cacique de Ramos. Sob a liderança do presidente da agremiação, Ubirajara Félix do Nascimento, o Bira Presidente, ali foi formado o núcleo do grupo Fundo de Quintal, onde ganharam destaque cantores e compositores de talento, como Jorge Aragão, Jovelina Pérola Negra, Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Almir Guineto e Luis Carlos da Vila. A música que projetou essa turma foi Vou festejar (“Chora/ não vou ligar/ chegou a hora/ vais me pagar/ pode chorar…”), de Jorge Aragão, Dida e Neoci, lançada por Beth Carvalho no disco De pé no chão, com repertório dedicado ao novo estilo.

Fonte: Blog Alexandre Pavan

Torcedores da Portela querem julgamento na Avenida e acham que podem compensar perdas.

Os torcedores da Portela querem dar a cara a tapa na Avenida. Nesta terça-feira, o site PortelaWeb e a maior comunidade do Orkut dedicada à escola se declararam contrárias à decisão da Liesa e do presidente Nilo Figueiredo, que colocou a Azul-e-branco de fora do julgamento.

A Portela não é a única isenta do julgamento. União da Ilha e Grande Rio — também atingidas pelo incêndio de segunda-feira na Cidade do Samba — também não vão ganhar notas. Os torcedores não avaliam a situação das outras duas escolas, mas acreditam que notas baixas não justificam a decisão para a Azul-e-branco.

— Mesmo com notas baixas em alguns quesitos, não há rebaixamento, então não há o que perder — diz o integrante do PortelaWeb Paulo Renato Vaz, que acrescenta: — Vai ser a primeira vez na história que escola vai ficar fora do julgamento.

Na comunidade do Orkut, a opinião da moderadora Luciane Lobo encontrou coro nos outros seguidores.

— Setores fortes da escola, como harmonia e mestre-sala e porta-bandeira poderiam compensar os pontos perdidos pelas fantasias — opina.

Em relação a estas opiniões, Nilo Figueiredo se limitou a dizer:

— Não tenho o que responder, é uma decisao da Liga.

No fim da tarde de segunda-feira, o presidente Nilo Figueiredo agradeceu à comunidade portelense por oferecer ajuda. Mas frisou:

— A Portela vai andar com as próprias pernas.

O sentimento dos torcedores, no entanto, permanece o mesmo. Paulo Renato avalia que a falta de julgamento pode desmotivar:

— Se a Portela ficar de fora do julgamento, vai tirar a garra da escola, e o mutirão que as pessoas estavam dispostas a fazer. O problema da Portela foi praticamente apenas com as fantasias, não teve as proporções da Grande Rio.

Baluartes tristes

Baluartes da Portela se entristeceram pelo fato de a escola ficar de fora da competição.

— Em menos de um mês não vão conseguir fazer nada. Já não ia ganhar antes. Vai disputar que título agora? — questiona a eterna porta-bandeira da azul e branco, Dodô.

Ao contrário dela, o compositor Monarco colocava fé na vitória da Portela.

— Tinha acabado de compor um samba, chamado "A grande vitória", para comemorar este título — lamenta.

O diretor de bateria da escola, Nilo Sérgio, também deu o braço a torcer:

— Tentei salvar o máximo de coisas, mas não foi o suficiente. É uma frustração.

Fonte: Matheus Vieira (Extra)

"O samba não foi queimado, segure a lágrima que nós vamos desfilar", disse presidente da Grande Rio


Helinho Oliveira, presidente da Grande Rio, estimou que o fogo destruiu 98% do que tinha sido feito para o carnaval 2011/ Foto: Alvaro Riveros

O incêndio que destruiu o barracão da escola de samba da Grande Rio, vice campeã do carnaval 2010 e atingiu os galpões da Portela e da União da Ilha, hoje (7), na Cidade do Samba (zona portuária), assustou e comoveu funcionários e componentes das escolas. A um mês do desfile, as agremiações tentam agora contar os prejuízo e resgatar o que sobrou.

Enquanto o Corpo de Bombeiros apagava as últimas chamas, costureiras e mecânicos avaliavam as perdas. A chefe do ateliê de fantasias de luxo (de destaques e passistas) da União da Ilha, Bruna Bi, acredita que o fogo destruiu cerca de 2 mil fantasias de 18 alas. "Meu ateliê não foi abalado, mas não deu para salvar as fantasias dos componentes", contou a estilista.

Um dos mestres-salas da União da Ilha, Reinaldo Alves lembra que em 1999 a escola também foi atingida por um incêndio, mas que desfilou com fantasias improvisadas e ficou em décimo lugar entre 14 escolas. "Vamos decidir o que fazer na nossa quadra, mais tarde", disse o representante da Ilha do Governador.

O presidente da Grande Rio, de Duque de Caxias (Baixada Fluminense), Helinho Oliveira, estimou que o fogo destruiu 98% do que tinha sido feito para o carnaval e que, a um mês do desfile, não haverá tempo para refazer carros alegóricos e fantasias.

Mesmo assim, Helinho convoca a comunidade para entrar na avenida: “O samba não foi queimado. A vontade da Grande Rio de ser campeã também não foi. Você, de Caxias, segure as lágrimas ou chore para extravasar, mas vamos desfilar. Vamos desfilar com roupa ou sem roupa. Faremos alguma fantasia , nem que seja uma pluma, nem que seja um biquíni com paetê”.

De acordo com o presidente da Portela, Nilo Figueiredo, a escola que tem mais títulos de campeã do carnaval carioca (21) perdeu cerca de 3 mil fantasias das chamadas alas da comunidade, integradas por moradores de Madureira, onde fica a quadra de ensaios, e de bairros vizinhos da zona norte do Rio.

Integrantes das escolas que não foram atingidas pelo incêndio, apesar de aliviados, também tiveram muito trabalho para ajudaram a retirar os carros alegóricos que se salvaram do fogo. Agora aguardam a liberação do Corpo de Bombeiros dos galpões incendiados, para tentar salvar o que for possível dos aleiês que ficavam nos andares superiores. Uma solidariedade que faz parte das relações entre as escolas de samba.

"Os barracões são sorteados. Isso poderia ter acontecido com qualquer escola ", disse a pesquisadora de samba enredo Bianca Behrends, da Beija-Flor. " Por mais que a gente brigue pelo mesmo título, nós fazemos o carnaval juntas".

As causas do incêndio na Cidade do Samba ainda não foram esclarecidas. Ainda hoje (7), a Liga Independente das Escolas de Samba deve anunciar alterações no regulamento do desfile das escolas de samba deste ano.

Fonte: Jornal do Brasil

Apesar do incêndio, escola de samba que homenageia Florianópolis vai desfilar no Carnaval



"Vamos refazer em 20 dias o que foi feito em dois anos". A afirmação é do diretor da Acadêmicos da Grande Rio, Max Gonçalves, escola de samba do Rio de Janeiro que homenageará Florianópolis neste ano.

Em entrevista na manhã desta segunda-feira, Gonçalves, que está em Florianópolis, informou que cerca de 3 mil fantasias estavam prontas e foram consumidas pelo fogo que começou por volta das 7h. O incêndio atingiu outros três barracões na Cidade do Samba, o da Portela, da União da Ilha do Governador e da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba).

O diretor informa também que apenas dois ou três carros alegóricos conseguiram ser salvos, 90% do que a escola levaria para a avenida foi perdido. O presidente da Liga das Escolas de Samba de Florianópolis, Zeca Machado, diz que o prejuízo é muito mais ao espetáculo que financeiro.

Ele explica que por mais que outras escolas se solidarizem e ajudem as atingidas, não há mais como recuperar o material perdido. O fogo atingiu tanto a parte onde ficam os carros alegóricos como os aliês, na parte superior, onde ficavam as matérias-primas e equipamentos.

Por isso, Machado acha praticamente impossível que se consiga fazer um desfile com a mesma qualidade prevista antes do incêndio. Max Gonçalves salienta também que antes disso a Grande Rio era uma das grandes favoritas a campeã do carnaval neste ano.

Fonte: Último Segundo | Brasil

> Caso de Polícia (Recife/PE)



Alô Rapaziada o negocio é o seguinte, os "amigos do alheio" subtrairam do nosso amigo Daniel Coimbra 2 cavacos JB, um feito de Jacarandá c/Cedro, Série Especial Super Classico, com rachão no cavalete e talhado com os nomes de Daniel Coimbra e de seu filho, Guilherme Daniel (como está no detalhe da foto) o outro JB feito de Jacarandá e com tampo de Aberto (o da cor mais clara da foto) com marca na madeira atrás do braço, linha desenhada no braço do cavaco. Vamos colaborar e ficar de olho aberto, qualquer coisa suspeita denunciem, é o instrumento de trabalho do nosso companheiro.

Contato: Daniel Coimbra (81) 9798.2080

Karynna Spinelli



Karynna Spinelli, cantora, compositora, mãe, filha, mulher e pernambucana é fruto da noite, da boemia, cresceu e viveu no meio de grandes violonistas como Canhoto da Paraíba, Henrique Annes e Nuca, sentindo e vivendo ainda menina a certeza do canto e do encanto que a boa música trazia. Começou sua carreira em 2004, após seu contato com a música de terreiro e de rodas no Morro da Conceição, com o Grupo Afro Raízes de Quilombo, vem se dedicando com afinco ao samba de raiz e a todos os rítmos que permeiam esses ares . Integrou o grupo de samba Na Calçada cantando, compondo e tocando percussão. Nos últimos quatro anos, buscando as tendências do samba Afro e a valorização dos batuques do candomblé, fez temporadas por diversas casas norturnas do Recife e passou a tocar fixo na Toca da Joana, em Casa Amarela durante 3 anos pra casa cheia e um público fiel que acompanha a cantora por onde ela passa.

Num trabalho paralelo, Karynna também fez parte do grupo Sambadelas, formado unicamente por mulheres. À frente dos dois grupos, Karynna se apresentou em vários eventos, entre eles, no Espaço Usina no Poço da Panela, no Marco Zero no Recife das Águas, no Pátio de São Pedro, na abertura do Carnaval 2008 dos Blocos Tô Cumendo Nada e Joana de Nóis Todos, No Circo Maluco Beleza no encerramento da Roda de Boteco, na Pitombeira dos 4 Cantos em Olinda, Coreto em Samba e Choro em 2008, Carnaval Multicultural em Recife e Olinda em 2009 e 2010, Ciclo Natalino da Prefeitura da cidade do Recife, Samba da Aurora, ao lado de Dicró e Nelson Rufino, Gigantes do Samba cantando ao lado de Monarco, lançamento do Espetáculo"E o que mais aflore de Gonzaga Leal. Fundadora e Presidenta do Clube do Samba de Recife consegue reunir mensalmente sambistas e artistas da cidade unidos pela música e pela comunidade do Morro da Conceição.

Onde nasceu o samba

Pesquisador pernambucano sustenta que o samba não é negro e muito menos carioca. Seria nordestino e indígena e teria vindo dos primórdios da colonização

Ressuscitem Donga, Luís da Câmara Cascudo, Mário de Andrade. Tragam lá de cima também Sílvio Romero, Fernão Cardim, Pereira da Costa, Euclides da Cunha. O pesquisador Bernardo Alves, 49 anos, tem uma conversa boa para levar com eles e outros mais que por acaso desejem à Terra descer. Trata-se de um ajuste de contas com a história da música brasileira. Para os intimados acima e os novatos no assunto, estejam de acordo ou não, Bernardo oferece uma clara teoria: o samba não é negro, nem carioca; o samba nasceu caboclo, no sertão nordestino. E, para que não reste dúvida, ele mata a cobra e mostra o pau, através das provas reunidas na pesquisa que empreendeu, intitulada A Pré-História do Samba.

Desde criança, quando morava em São João de Garanhuns, trazido bebê do interior de São Paulo, Bernardo ouvia o pessoal do sítio dizer que “ia a um samba”, que os músicos “faziam um samba”. Depois, morou um tempo no Sertão do Cariri e lá também ouvia samba. E aquele samba não tinha nada a ver com o estilo que assim se convencionou chamar, o das batucadas cariocas. Começou a se perguntar o que havia de estranho naquela discrepância.

Bernardo Alves chegou ao Recife em 1969, durante o Regime Militar. Pensando em ingressar na faculdade – Letras ou Música –, foi fazer o supletivo, mas logo desistiu do ensino formal. Aborreceu-se quando o professor de História disse que em Cuba houvera um golpe e aqui se vivia a Revolução. Ele nunca iria acreditar e tampouco escrever aquela lição escolar. A decepção com o conhecimento acadêmico empurrou Bernardo Alves para o autodidatismo, fincado na certeza de que quem busca a verdade e quer descobrir coisas novas não pode ir somente pelos caminhos já trilhados. A pesquisa que empreendeu sobre a origem do samba testemunha o quanto acredita na própria sentença. Faz vinte e seis anos que Bernardo escarafuncha o samba. Morava em São Paulo e lia O Termo Samba, do maestro Batista Siqueira, quando resolveu saciar a curiosidade pessoal, respondendo às indagações que se fazia quanto à natureza do ritmo pelo acesso a documentos, livros, fontes primárias. Entre 1977 e 1979, de volta ao Recife, exibia aos amigos os primeiros escritos, anotações e argumentações. Eles as recebiam com entusiasmo, mas também com inevitável ceticismo.

Para quem se acostumara à história oficial de que o samba nascera negro e carioca, no começo do século 20, nas rodas da casa de Tia Ciata, das quais participaram Pixinguinha, Sinhô e Donga, entre outros bambas, e que sua primeira gravação, registrada em 1917, fora a música Pelo Telefone, de Donga e Mauro de Almeida, era difícil assimilar a idéia de que tudo começara com índios catequizados do Nordeste. Mas, para se ter uma idéia da diferença encontrada entre a história tornada oficial no século 20 e fontes anteriores, que a refutam, em A Pré- História do Samba, Bernardo identifica a presença da palavra samba em 1699, na Arte de Grammatica da Língua Brasílica da Naçan Kiriri, escrita pelo padre Luiz Vincêncio Mamiani, que vivia no alto sertão nordestino.

Mamiani foi um dos 100 autores consultados pelo pesquisador, que contou com o incentivo inicial do musicólogo Padre Diniz, membro da Academia Brasileira de Música e ex-professor do maestro Marlos Nobre. Como afirma Bernardo, mesmo não apoiando diretamente a tese, Pe. Diniz apoiou o pesquisador, abrindo-lhe sua rica biblioteca. Bernardo conta que, na seqü.ncia, passou anos no Arquivo Público, no Gabinete Português de Leitura. Leu os escritos de viajantes ingleses, portugueses, de pesquisadores africanos, indianistas e não teve preconceito em consultar pasquins e jornais alternativos, para os quais pesquisadores formados em geral torcem o nariz, por menosprezoà fonte. Foram vários carnavais com pranchetas à mão, para conversar com mestres de sambadas.

Para manter-se firme em sua tese, Bernardo teve não apenas obstinação em buscar fontes que a comprovassem, mas convicção de que estava no caminho certo. Teve a coragem de não desistir, de discordar de autores respeitadíssimos, considerados incontestáveis, de debruçar-se sobre jornais antigos – sobretudo do século 19 – e esperar até que pudesse, enfim, publicar o que coletou em livro.

Ele conta que logo no começo das pesquisas pediu a Gilberto Freyre para indicar uma literatura regional que contivesse dados relacionados ao samba daqui. Bernardo achou que o mestre não tinha entendido a história ou o estava desprezando, pois lhe disse para procurar Renato de Almeida, um dos que haviam ajudado a criar a confusão em torno da origem do samba. Bernardo compreendeu ao longo do tempo, também, que os pesquisadores de academia não dão atenção – e até boicotam – pesquisas autodidatas.

Do mesmo modo, está convicto de que a exclusão de menção quanto à origem nordestina do samba resulta de “interesses inconfessáveis”, pois “toda história malcontada serve a alguém”. Esta serviria aos cariocas, que capitalizam bem o fenômeno samba como atração para os setores do turismo e da indústria fonográfica. Bernardo alega que a história do samba foi escrita por autores hegemônicos do Sudeste e por africanistas, daí as argumentações geográficas e etnográficas em favor do Rio de Janeiro e dos negros.

Entretanto, a argumentação de Bernardo Alves não peca por bairrismo. No seu estudo, ele enfatiza a necessidade de se cumprir com o dever da verdade, comparando a situação do samba no Brasil com a do blues nos Estados Unidos, onde é sabido que o estilo nasceu em Nova Orleans e se consagrou em Chicago. Portanto, não desmerece a evolução do samba feito no Rio de Janeiro, mas enfatiza que quando muito este poderia ser chamado de samba de batucada, já que o samba original está mais próximo do coco e da embolada. Bernardo conta que o samba nordestino que chegou ao Rio de Janeiro foi acolhido por compositores de outra cultura musical, “pois o Rio, que na época, vivia do maxixe, da polca, do tango, da modinha e do lundu, começou a se ‘contaminar’, acharam de utilizar aqueles temas folclóricos dando-lhes uma roupagem à sua maneira, ou seja, amaxixada”.

Samba de pé-de-serra, samba-de-roda, samba de coco, coco sambado, samba de matuto, samba de caboclo, samba de velho, samba-de-almocreve seriam antecessores e precursores do samba carnavalesco carioca, do samba de partido alto, samba-enredo, samba-debreque, samba-canção, samba-choro.
Ancestral que – quem diria – levaria até a criação da bossa nova, esta, um samba cool de influência jazzística.

O fluxo migratório do samba, originário da nação cariri, teria seguido do interior ao litoral nordestino pelas mãos dos almocreves (comerciantes que viajavam sobre jumentos, sempre portando uma viola) e corumbas (mamelucos e caboclos que vinham do alto sertão para trabalhar na cana em épocas de seca). No litoral, teria recebido influências dos negros bantos e daí para o Sudeste como cultura da plebe – negros e índios escravizados, soldados vindos da Guerra do Paraguai. A pesquisa de Bernardo quer passar esses pontos a limpo e dizer que o samba tem uma nação como origem, a nação cariri.

Mesmo que a história oficial omita, os fatos aparecem em registros de alcance de massa, como na letra da música de João de Deus (compositor do conjunto Samba 5, do Rio, no disco Olinda, a cidade simpatia do Brasil, 1981), O Samba é Carioqueiro, da qual se extrai o trecho: “O samba é carioqueiro / Criou fama no Rio, em solo brasileiro / Há quem diga ele ser nordestino / Oriundo do Agreste e do Sertão / E que os índios por obra do destino / Já o dançaram batendo com os pés no chão / Mas não concorda a grande maioria / Os cariocas foram quem deu expressão / Trouxeram da África a magia / E no ritmo colocaram mais percussão.”

A composição de João de Deus não foi incluída na tese de Bernardo, mas nela há outras músicas, que afinam a história do samba. Lançada em 2002 em edição do autor com apoio da prefeitura de Petrolina, numa pequena tiragem de 400 exemplares, A Pré-História do Samba está com a segunda edição pronta. Nela, o autor pôde inserir a revisão ignorada na primeira edição, alterou a ordem dos capítulos e acrescentou outros, onde mostra os resultados conseguidos desde a publicação da primeira matéria jornalística sobre a tese, em 1981. Bernardo Alves mantém a loja Discos Raros no primeiro andar do número 370 da Praça Maciel Pinheiro, na Boa Vista, Centro do Recife, de onde irradia boca-a-boca suas idéias e promove rodas de debates e recitais de poesia.

Outras interpretações para o samba

O músico Fred Zero Quatro, líder da banda Mundo Livre S.A., não está preocupado com o sexo dos anjos. Se o samba nasceu no Recife, no Sertão do Cariri ou no morro carioca, a polêmica não lhe interessa, por lhe parecer complicada, além de pouco produtiva. Para ele, os registros históricos se diluíram.

“Já na época de Pelo Telefone o samba era um apanhado de várias tendências. Definir o estilo musical samba também é tarefa complexa. Os historiadores dizem que a salsa cubana não é um estilo musical, mas ganhou este nome nos clubes de dança norte-americanos, que colocaram um termo genérico para designar vários ritmos caribenhos. Também dizem que o choro não é estilo. Aqui mesmo em Pernambuco os mestres de maracatu rural discordam sobre Naná Vasconcelos reger, durante o carnaval, uma orquestra com vários grupos diferentes. Os que são contra alegam que cada maracatu tem sua tradição, sua batida, seu santo, mantendo como único elo o uso das alfaias. Lá nos Estados Unidos, um jornalista de Seattle deu o nome de grunge a estilos musicais heterogêneos. Essa discussão nos leva aonde?”

Mesmo sendo afirmativo sobre esse ponto, Zero Quatro acha positiva a busca de pesquisadores em desvendar os processos históricos da música brasileira, sobretudo para quebrar a hegemonia dos centros acadêmicos do Rio de Janeiro e de São Paulo, os mais influentes do país, que acabam defendendo registros locais e ocultando os de outras regiões. A esse respeito, lembra a polêmica sobre a criação da primeira rádio nacional, onde o Rio de Janeiro defende a Roquete Pinto, registrada em 1922, quando a Rádio Clube do Recife já o fizera três anos antes.

Zero Quatro não leu A Pré-História do Samba. “Não conheço a tese do Bernardo. Sobre a história do samba, minha maior referência é o ensaio de Hermano Vianna, O Mistério do Samba, de onde vem o mesmo título da música que gravamos no CD Por Pouco. O livro procura desvendar os motivos por que o sambista era perseguido e acabou se relacionando com outros segmentos da sociedade até se tornar a própria referência do Brasil como nação”.

Numa coisa Fred Zero Quatro concorda com Siba Veloso, músico que há pouco lançou trabalho fora do grupo Mestre Ambrósio, o Fuloresta do Samba, CD que tem a participação de mestres de sambada de Nazaré da Mata, município da Zona da Mata Norte pernambucana. Para ambos, a palavra samba recebe diferentes conotações em várias partes do Brasil. No interior ela designa festejo, brincadeira; pode ser um folguedo, um ritual religioso ou simplesmente algazarra. “A palavra samba é central para entender a cultura brasileira”, avalia Siba, para quem o samba é, acima de tudo, um momento de encontro das pessoas através das festas de rua, presentes em todo o Brasil.

“Esses encontros e confraternizações através da dança e da música na rua geraram vários ritmos e suas nuances partiram das influências étnicas que sofreram”. Para Siba, também, todo coco é samba. “Caboclinho, maracatu e coco se constituem samba na Zona da Mata”. Há treze anos pesquisando e convivendo com os mestres de maracatu rural na região, o músico ressalta que lá o sentido mais amplo da palavra ocorre quando dois ou mais grupos de maracatu se encontram para uma sambada, onde cantam, dançam e enfrentam os rivais em desafios poéticos, alguns deles irmanados com o repente. “Por contingências históricas, políticas e econômicas, o samba urbano carioca passou a ser considerado de maior relevância. Mas a questão da legitimidade não me preocupa. Para mim, em todo lugar o samba é legítimo”.

Nas pesquisas musicais que empreende, Siba Veloso encontra conexões ricas entre gêneros diversos. Ele afirma, por exemplo, que o samba rural paulista de hoje está bastante ligado ao maracatu rural pernambucano de 40 anos atrás. Encontra elementos de união entre o boi de zabumba do Maranhão, o maracatu rural local e o samba carioca.

Ainda que Siba apenas tenha ouvido falar do livro de Bernardo, diz que se a pesquisa dele está ocupada em revelar a contribuição indígena na formação da música nacional, já cumpre uma importante função cultural ao tirar o leitor de uma perversa ignorância sobre o assunto.

Na opinião do etnomusicólogo carioca Carlos Sandroni, entre as contribuições de A Pré-História do Samba, a que ele considera mais interessante é o registro de grupos recifenses que se autodenominavam de samba, no início do século 20. Radicado no Recife há cinco anos, onde atua como professor de graduação em Música e pós-graduação em Antropologia na UFPE, além de coordenar o núcleo de Etnomusicologia da mesma universidade, Sandroni é autor de Feitiço Decente, Transformações do Samba Carioca, 1917-1933 e aponta defeito estrutural na história do samba.

“De fato houve uma concentração de produção de pesquisas no Sudeste e os estudos sobre música popular publicados há algum tempo estavam focados nas manifestações desta região. Hoje, há verdadeira consciência da necessidade de ampliação das áreas de pesquisa e a existência de um núcleo de etnomusicologia na UFPE é um testemunho disso. O que não acho justo na pesquisa de Bernardo Alves é a acusação de preguiça por parte dos pesquisadores que o antecederam ou mesmo a afirmação de que tenham agido de má fé”.

Sandroni afirma ser procedente a pesquisa de Bernardo, na qual identifica méritos indiscutíveis. Entretanto, faz um senão ao trabalho: “O problema é que ele confunde elementos diferentes que têm o mesmo nome. O samba do século 19 certamente não se constitui o mesmo ritmo do samba do século 20, assim como não podemos afirmar terem a mesma raiz”.

Fonte: Adriana Dória Matos

Fundo de Quintal no Cacique de Ramos