Dia Nacional do Samba

Ao som de tamborins, pandeiros e cuícas vários sambistas partem de trem da Central do Brasil para a Zona Norte, no Rio de Janeiro, em comemoração ao Dia Nacional do Samba, 2 de dezembro. Idealizado pelo cantor e compositor Marquinhos de Oswaldo Cruz, este ano o evento é uma realização da SuperVia, em parceria com a Petrobras, Eletrobras, Caixa Econômica Federal e a Prefeitura do Rio de Janeiro. Marquinhos e a Velha Guarda da Portela vão recepcionar os convidados na Central do Brasil, entre eles, as velhas guardas da Vila Isabel, Império Serrano e Salgueiro. Também participam das comemorações os sambistas Nelson Sargento, Noca da Portela, Walter Alfaiate e outros. Na primeira edição do Trem do Samba, em 1996, apenas um vagão foi ocupado. Nos anos seguintes foi aumentando o número de cantores e de compositores que participam desta comemoração, além da população carioca. Essa festividade, junto com o Reveillon de Copacabana e o Cordão do Bola Preta, no sábado de Carnaval, é um dos mais democráticos eventos do Rio de Janeiro. Em Salvador, no Pelourinho, também acontecerá manifestações em homenagem ao Samba. Uma grande festa, organizada pelo sambista Edil Pacheco, contará com as presenças dos cantores Jair Rodrigues e Elza Soares, no ano em que o Samba-de-Roda do Recôncavo Baiano tornou-se obra-prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade, reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O motivo da escolha da data é curiosa, misteriosa e tem várias versões. Uma delas, segundo alguns historiadores, diz que o mineiro Ary Barroso seria o inspirador da data. Como um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos, ele compôs o samba Na Baixa do Sapateiro, letra que exalta a Bahia, apesar de não ter visitado nenhuma cidade baiana, até então. Mas, segundo dizem, na primeira vez em que esteve em Salvador, no dia 2 de dezembro (não se sabe o ano), o vereador baiano, Luís Monteiro da Costa, quis homenageá-lo e ‘apresentou’ um projeto de lei onde constava que aquele dia seria o Dia Nacional do Samba. A partir daí, a data tornou-se referência para se comemorar toda a riqueza do Samba, um dos principais patrimônios culturais brasileiros.

Batuque do trem - No dia nacional do samba!

\o/ | portela desfila no aterro do flamengo

A Portela realiza, no próximo domingo, dia 1º de julho, um desfile no Aterro do Flamengo, com todos os segmentos da escola. O objetivo do evento, criado pela Prefeitura do Rio, é promover os Jogos Pan-americanos, tema que a azul e branco de Madureira abordou no Carnaval desse ano, dentro do enredo "Os Deuses do Olimpo na terra do Carnaval: uma festa do esporte, da saúde e da beleza", dos carnavalescos Cahe Rodrigues e Amarildo de Mello. O desfile da Portela, que terá direito a trio elétrico, será com bateria, ala das baianas, ala das crianças, ala do departamento feminino, passistas, casais de mestre-sala e porta-bandeira e destaques, todos fantasiados. A concentração da escola está marcada para 10h, na Rua Cruz Lima e Tucuma, em frente ao Bar Belmonte. O trajeto pelo Aterro será de 800m e terá cerca de 1h30 de duração.

império serrano

Fundada em Madureira, mais precisamente no morro da Serrinha, a Império Serrano formou-se graças a uma dissidência da escola Prazer da Serrinha. Com grande impacto, foi a vencedora do primeiro desfile de que participou, em 1948, deixando para trás a Portela, que vinha sagrando-se campeã nos sete anos anteriores. Para tanto, inovou no desfile. Foi a primeira escola a trazer todos os seus componentes fantasiados, e também a pioneira a ter o casal de mestre-sala e porta-bandeira no meio da escola, e não à frente, como era o costume. Essas duas inovações da Império Serrano tornaram-se a regra de todas as demais agremiações até hoje. Depois da estréia, o Império manteve a dianteira, conquistando os campeonatos de 49, 50 e 51. Nas décadas de 50 e 60 a escola se notabilizou por compositores de samba-enredo que renovaram o gênero, em especial Silas de Oliveira, autor de nada menos que 14 sambas cantados na avenida. Outros autores de destaque foram Mano Décio da Viola e Dona Ivone Lara, primeira mulher a se destacar no ramo. Alguns dos enredos inesquecíveis do Império desta época foram "Exaltação a Tiradentes" (1949), de Mano Décio, Penteado e Stanislau Silva, "O Último Baile da Ilha Fiscal" (1953), de Silas de Oliveira e Waldir Medeiros, "Os Cinco Bailes Tradicionais da História do Rio" (1965), de Ivone Lara, Bacalhau e Silas de Oliveira, "São Paulo, Chapadão de Glórias" (1967), de Silas de Oliveira e Joacir Santana e "Heróis da Liberdade" (1969), de Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola e Manuel Ferreira. Depois disso, o maior sucesso da escola foi em 1982, com o antológico "Bum Bum Paticumbum Prugurundum", de Beto Sem Braço e Aluísio Machado. A mesma dupla, com a colaboração de Bicalho, escreveu em 87 o samba-enredo "Quem Não Se Comunica Se Trumbica", de grande apelo popular. Na segunda metade da década de 90 a escola amargou alguns rebaixamentos para o Grupo A, oscilando entre este e o Especial nos últimos carnavais.

velha guarda da portela

Grupo que congrega os mais experientes nomes da famosa escola de samba do bairro carioca de Oswaldo Cruz, a Velha Guarda da Portela surgiu de uma iniciativa de Paulinho da Viola, notório portelense e um dos bambas mais proeminentes no âmbito nacional. Composta por sambistas de projeção nas rodas de samba do Rio – como Monarco, Casquinha, Jair do Cavaquinho e Argemiro do Patrocínio – a Velha Guarda teve parte de sua história registrada em um livro escrito por João Baptista – um dos fundadores da escola de samba Quilombo, através da qual Candeia, outro ilustre Portelense atentava para a massificação das escolas e a perda do sentido real do gênero – e por Carlos Monte – ex-diretor cultural da escola e pai da cantora Marisa Monte. A VELHA GUARDA FORMOSA E FACEIRA... Ventura - Ventura fez um dos primeiros sambas gravados por Moreira da Silva, por volta de 35, chamado "Vejo Lágrimas". Nunca deixou de participar ativamente da escola. Era um excelente partideiro, contribuiu bastante para o lançamento do CD "Portela, Passado de Glórias". Aniceto - É conhecido como autor de muitos partidos famosos. Tocador de violão-tenor, irmão de Manacéa e Mijinha, era tão tímido quanto seus irmãos. Tem muitos sucessos na Portela. Alberto Lonato - Andava pela Portela desde os primeiros momentos. Não era propriamente da escola, mas não perdia as reuniões e as festas na casa de "Seu" Napolleão, pai de Natal, Nozinho e Vicentina. Gostava de ver os amigos nos diversos redutos do samba daquele tempo: Favela, Estácio, Mangueira etc. Filiou-se definitivamente à Portela em 1942. Francisco Santana - É o autor do Hino da Portela. Compositor inspiradíssimo, parceiro de Monarco, dono de sucessos como "O Lenço", "Noite" e tantos outros. Antônio Rufino dos Reis - Autor de sambas de sucesso, conhecedor de jongos, conhecido e admirado por todos, foi uma das grandes figuras da criação da escola, da qual foi o primeiro tesoureiro. Mijinha - Grande compositor. Irmão de Aniceto e Manacéa. Seus sambas são de muita grandeza na melodia e suas letras, simples como ele, mas de uma força que não se pode explicar. Manacéa - O compositor mais humilde que se conhece. Tímido, Manacéa não revela no primeiro momento aquilo que é: um senhor compositor, dono de muitos sambas de sucesso. Os sambas-enredo de 1948, 1949 e 1950 e 1952 são seus e os de 1948 e 1950 foram feitos em parceria com Nilson e Aniceto, seu irmão. Alvaiade - Oswaldo dos Santos, ou Alvaiade, é outro que já deixou seu nome na história do samba. Foi um dos primeiros a conseguir gravação para suas músicas. Suas melodias são inspiradas e ele é bastante conhecido nos meios radiofônicos. Alcides Lopes - No passado, foi uma das grandes vozes da Portela. Partideiro de versos maravilhosos ("A rosa se desfolhou/ Só por se achar cansada/ De tanto fazer bonito/ No romper da madrugada"), era capaz de contar toda a história da escola. Armando Santos - Foi criador de um enredo na Portela que marcou época, "Festa Junina", cantado em fevereiro de 1955. Veio para escola no fim dos anos 30 e foi uma figura de relevo na direção. Antônio Caetano - Foi o idealizador dos primeiros enredos da escola, além de ser um compositor de grande talento e de ter cursado o Liceu de Artes e Ofícios, onde desenvolveu seu talento para a pintura. Caetano foi tão importante quanto Paulo, Heitor, Claudionor, Rufino e outros fundadores. FORMAÇÃO ATUAL DO GRUPO... Argemiro - Nobre representante do antigo estilo portelense de se tocar pandeiro, Argemiro Patrocínio é um dos cantores da atual formação da Velha Guarda. Nasceu em 28 de junho de 1923, mas diz só ter começado a compor sambas depois dos 50 anos. Entre eles há sucessos como "A chuva cai" e "Atenda o apelo", ambos com Casquinha, ambos gravados por Beth Carvalho. Preferiu não incluir nenhum dos seus sambas em "Tudo azul", mas sonha em deixá-los registrados: "Vou deixar para a História, para a eternidade". Áurea Maria - A mais nova das pastoras da Velha Guarda tem o samba nas veias: Áurea Maria de Almeida Andrade é filha de Manacéa, sobrinha de Mijinha, Aniceto e Lincoln, e também é uma compositora de primeira. "Volta meu amor", parceria com o pai, está em "Tudo azul" e tem sido cantada por Marisa Monte em seus shows. Só não toca instrumentos: "Meu pai não tinha paciência para me ensinar cavaquinho". Nascida em 1 de abril de 1952, começou a cantar na Velha Guarda em 1998. Cabelinho - Walter Silva de Vasconcellos Chaves toca surdo na bateria da Portela desde os 18 anos e até hoje desfila na escola entre os instrumentistas. É figura certa nos shows de Paulinho da Viola e também já acompanhou Clara Nunes e muitos outros sambistas. Nascido em 4 de junho de 1948, entrou na Velha Guarda ainda bem jovem, nos anos 70, substituindo no surdo Casquinha, que passou para o reco-reco. Casemiro da Cuíca - Casemiro Vieira é o mais antigo integrante da Velha Guarda atualmente, tendo nascido em 4 de abril de 1919. Está no grupo há 20 anos, mas já tem mais de 50 de Portela. Seu estilo é marcante e fiel à tradição: ao contrário dos mais jovens, que preferem água, ele ainda passa querosene no pano que segura para tocar a cuíca. Em "Tudo azul", canta seu samba "Tentação" acompanhado só de seu instrumento. Casquinha - Filho de pai alemão e mãe negra, nascido em 1 de dezembro de 1922, Otto Enrique Trepte praticamente apadrinhou Paulinho da Viola na Portela, compondo a segunda parte de "Recado", primeiro sucesso do sambista. Casquinha começou na Velha Guarda tocando surdo e hoje toca reco-reco, além de ser um dos cantores do grupo. Três sambas seus estão em "Tudo azul": "Vem amor", "Falsas juras" (parceria com Candeia) e "Corri pra ver" (com Chico Santana e Monarco). David do Pandeiro - David de Araújo não faz por menos: "Sou uma história do pandeiro nas escolas de samba". E é mesmo. Foi pioneiro no uso de malabarismos e coreografias nos desfiles e, no início dos anos 60, comandou uma ala de 12 pandeiristas, algo incomum na época. Passou por algumas escolas até se fixar na Portela, entrando para a Velha Guarda no lugar de Alberto Lonato. Nasceu em 28 de dezembro de 1934 e canta em "Tudo azul" uma parceria com Candeia, "Vai saudade". Doca - Cantora da Velha Guarda desde os anos 70 e pastora da Portela há décadas, Jilçária Cruz Costa, a Tia Doca, também é conhecida pelos tradicionais pagodes que organiza aos domingos. Nascida em 20 de dezembro de 1932, é uma figura queridíssima em Madureira e Oswaldo Cruz. Eunice - Eunice Fernandes da Silva já completou 25 anos de Velha Guarda, mas de Portela tem praticamente o tempo que tem de vida, iniciada em 16 de maio de 1920. É um grande símbolo da escola e diz que, apesar do cansaço, continua sentindo muito prazer em subir ao palco para cantar, ressaltando que com a Velha Guarda já pôde conhecer França e Itália. Guaracy - Amigo de infância de Martinho da Vila, Guaracy de Castro começou a tocar violão na Boca do Mato, subúrbio do Rio, chegando à Portela pelas mãos de Osmar do Cavaco, pai de Serginho Procópio, e passando a compor com Candeia e outros sambistas. Entrou na Velha Guarda há seis anos no lugar de Jorge. Nasceu em 5 de março de 1939 e tem várias músicas gravadas. Jair do Cavaquinho - Nascido em 26 de março de 1920, Jair de Araújo Costa foi o primeiro mascote da Portela, sendo uma das últimas testemunhas vivas da fundação da escola. Participou de grupos importantes como os Cinco Crioulos e A Voz do Morro e entrou na Velha Guarda nos anos 90, no lugar de Manacéa. Apesar do nome, hoje toca tamborim nos shows, mas empunhou o cavaquinho em quatro faixas de "Tudo azul", entre elas a sua "Eu te quero", parceria com Colombo que é uma pérola de sua extensa obra. Monarco - Hildmar Diniz tinha apenas 37 anos quando foi chamado para a Velha Guarda, já que seu samba "Passado de glórias" iria dar nome ao primeiro disco do grupo. Era 1970, e de lá para cá Monarco só fez consolidar as carreiras de cantor e compositor ("Amor verdadeiro", "Vai vadiar"...), mas nunca deixou a Velha Guarda, onde toca tamborim e é a voz principal. "Gosto de estar junto deles, me sinto feliz", justifica ele, nascido em 17 de agosto de 1933 e que tem três sambas em "Tudo azul", entre eles o clássico "Lenço". Serginho Procópio - Sérgio Procópio da Silva é o caçula da Velha Guarda. Nasceu em 5 de dezembro de 1967 e entrou para o grupo no ano passado em função da morte de seu pai, Osmar do Cavaco. Herdou o talento no uso do cavaquinho e a paixão pelos tradicionais sambas de terreiro da Portela, o que o faz já se sentir um veterano. Tocou, entre outros, com Zeca Pagodinho e Dona Ivone Lara. Surica - Nascida (em 17 de novembro de 1940) e criada em Madureira, Iranete Ferreira Barcelos está na Portela há 45 anos e na Velha Guarda desde 1981. "É em sua casa que o grupo costuma se reunir para ensaios e almoços. Na mesma gostosa vila de Madureira acontecem pagodes todos os sábados. Surica está concluindo agora seu primeiro disco solo.

paulinho da viola e a velha guarda da portela

beth carvalho

ELIZABETH SANTOS LEAL DE CARVALHO nasceu no Rio de Janeiro, no dia 05 de maio de 1946. Filha de João Francisco Leal de Carvalho e Maria Nair Santos Leal de Carvalho, e irmã de Vânia Santos Leal de Carvalho. Seu contato com a música foi incentivado pela família, ainda na infância. Aos oito anos, ouvia emocionada as canções de Sílvio Caldas, Elizeth Cardoso, Aracy de Almeida grandes amigos de seu pai. Sua avó Ressú, tocava bandolim e violão. Nas festinhas e reuniões musicais dos anos 60, nascia a cantora, influenciada por tudo isso e pela Bossa Nova. Em 1964, seu pai é cassado pelo golpe militar, somente por ter pensamentos de esquerda. Beth, nessa ocasião, passou a dar aulas de violão para 40 alunos. Foi uma forma de segurar a barra pesada que sua família enfrentou com a ditadura. Por causa dessa formação política vinda de seus pais, Beth Carvalho é uma artista engajada nos movimentos sociais, políticos, culturais de nossa Nação e de outros povos. Gravou o hino do MST – "Ordem e Progresso" ( Movimento dos Sem Terra), movimento esse que Beth é muito ligada por considerá-lo o mais importante do Brasil. Recentemente, em 2004, Beth junto com Lobão e outros companheiros da classe artística, conseguiu uma coisa que até então era inédita no mundo: lei da numeração dos discos. Em 1965, gravou o seu primeiro compacto simples, com a música Por quem morreu de amor, de Menescal e Bôscoli. Em 66, já envolvida com o samba, fez " 6ª feira é dia de samba ", no ex Teatro Jovem junto a Rildo Hora e Trio ABC da Portela (Noca, Colombo e Picolino). Neste mesmo ano participou do show A Hora e a Vez do Samba, junto a Zé Kéti, Nelson Sargento, Jair do Cavaquinho, Picolino, Anescar do Salgueiro, o apresentador Sargentelli e o atores Grande Otelo e Milton Morais. Vieram os festivais e BETH participou de quase todos: Festival Internacional da Canção – FIC, Festival Universitário, Brasil Canta no Rio, entre outros. No FIC de 68, conquistou o 3º lugar com Andança, de Edmundo Souto/Paulinho Tapajós/Danilo Caymmi, e ficou conhecida em todo o país. Além de seu 1º grande sucesso, Andança é o título de seu primeiro LP, (1969). A partir de 72, passou a lançar um disco por ano, tornando-se sucesso de vendas, emplacando vários sucessos como 1.800 Colinas, Saco de Feijão, Olho por Olho, Coisinha do Pai, Firme e Forte, Vou Festejar, entre outros. BETH CARVALHO tem reconhecida a sua característica de resgatar e revelar músicos e compositores do samba. Em 72, foi buscar Nelson Cavaquinho, gravando Folhas Secas e em 75, fazia o mesmo com Cartola, ao lançar As Rosas Não Falam. Diz o poeta que todo artista tem que ir onde o povo está. Esses versos, além de grande verdade, definem com rara precisão a atitude de BETH CARVALHO diante da vida, do cotidiano. BETH é inquieta. Não espera que as coisas lhe cheguem. Vai mesmo buscar. Pagodeira, conhece a fertilidade dos compositores do povo, e mais do que isso, conhece os lugares onde estão, onde vivem, onde cantam, como cantam e como tocam. Freqüentadora assídua dos pagodes, entre eles os do Cacique de Ramos, BETH CARVALHO revelou artistas como Zeca Pagodinho, Grupo Fundo de Quintal, Jorge Aragão, Almir Guineto, Arlindo Cruz, Sombrinha, Luis Carlos da Vila, Bezerra da Silva, Seu Argemiro, Beto sem Braço, Sombra, Marquinho China, Marquinho PQD, Arranco de Varsóvia, Quinteto em Branco e Preto, O Roda, Rodrigo Carvalho (do Grupo Galo Cantou ) etc. Revelou também músicos como : Leandro Braga, Dirceu Leite, Carlinhos 7 cordas, Alceu Maia, Nicolas Krassic, Almir Guineto, Arlindo Cruz, Bira, Ubirany, Ovídio Brito, Vanderson, Marcelo Moreira, Marcelo Pizott, Fred Camacho, Marcio Vanderley, Rodrigo Campelo, Márcia do tantan e outros. Mais do que isso, BETH trouxe um novo som ao samba, porque introduziu em seus shows e discos, instrumentos como o banjo com afinação de cavaquinho, o tan-tan e o repique de mão, que até então eram utilizados exclusivamente nos pagodes do Cacique. A partir daí, esta sonoridade se proliferou por todo o país e BETH passou a ser chamada de Madrinha do Samba. Sambista de maior prestígio e popularidade do país, é aclamada também como Diva dos Terreiros e Rainha do Samba. Em 1979, Beth se casa com Edson de Souza Barbosa, um verdadeiro craque do futebol brasileiro, que participou da Copa do Mundo de 66 e um grande amante do samba. Hoje é um competente treinador. Em fevereiro de 1981 se torna mãe de uma menina linda a quem Edson deu o nome de Luana. Hoje Luana Carvalho é atriz e cantora, ganhando aos poucos, o seu merecido espaço. Para Beth, ser mãe foi e é a coisa mais importante que já aconteceu em sua vida. Até aqui, são 40 anos de carreira, 29 discos e apresentações em diversas cidades do mundo: Angola, Atenas (onde representou o Brasil no festival "Olimpíada Mundial da Canção". Foi num teatro de arena construído há 400 anos antes de Cristo. ( Hoje, Beth tem um busto na Grécia), Berlim, Boston (na Universidade de Harward), Buenos Aires (no Luna Park projeto "Sin Fronteiras" da grande cantora e sua amiga Mercedes Sosa), Espinho, Frankfurt, Havana, Johannesburgo, Lisboa (no show do jornal comunista "Avante", para um público de 300 mil pessoas ! ), Lobito, Luanda, Madri ,Miami, Montevidéu,Montreux, onde participou do famoso festival nos anos de 87 e 89, Nice, New Jersey, Nova York, onde cantou no Carneggie Hall, Paris, Punta del Este, São Francisco, Soweto,Varadero, Zurique ,etc. No Japão, embora nunca tenha feito shows, vende milhares de cópias e tem sua carreira musical incluída no currículo escolar da Faculdade de Música de Kyoto. BETH CARVALHO tem seis Prêmios Sharp, 20 Discos de Ouro, 10 de Platina,melhor intérprete do Festival da Canção da TV Globo, Prêmio da ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Disco) de maior vendedora de disco ,centenas de troféus e premiações diversas. Em 1984, foi enredo da Escola de Samba Unidos do Cabuçu. O título do enredo foi "Beth Carvalho, a enamorada do samba". A escola foi campeã, subindo assim para o Grupo Especial. Como o Sambódromo foi inaugurado neste mesmo ano, Beth e a Cabuçú foram as primeiras campeães do Sambódromo. Dentre todas as homenagens já feitas à grande cantora, Beth considera esta, a maior de todas. Beth declara: "Não existe no mundo, nada mais emocionante do que ser enredo de uma escola de samba. É a maior consagração que um artista pode ter". Em 1985, Beth foi enredo novamente. Dessa vez, da escola de samba Bohêmios de Inhaúma. Em 1997, tornou-se uma cantora interplanetária, quando a música Coisinha do Pai, grande sucesso de seu repertório, foi programada pela engenheira brasileira da Nasa, Jacqueline Lyra, para ativar o robô em Marte. BETH CARVALHO gravou o seu 25º disco, o CD Pagode de Mesa, ao vivo. Com produção de Renato Correa, Pagode de Mesa foi gravado durante apresentação especial na gravadora Universal Music, realizada para um público amante do samba. A concepção do disco é de Max Pierre, Diretor Artístico da Universal, que com este trabalho, traduziu não só o que viu BETH fazer em seu último show no Canecão, mas o que ela costuma fazer sempre, ou seja: cantar o samba de raiz em volta das mesas dos quintais, terreiros e quadras, nos pagodes que reúnem os melhores partideiros, músicos e poetas do gênero. Beth é mangueirense desde criança. É também madrinha da ala de compositores da Mangueira e Madrinha da Bateria da verde e rosa. Até 2005, Beth gravou 72 sambas só de Mangueira. Embora mangueirense de coração, BETH foi homenageada pela Velha Guarda da Portela, com uma placa alusiva ao fato de ser a cantora que mais gravou seus compositores. Em junho de 2002, recebeu das mãos de D. Zica, viúva de Cartola, o Troféu Eletrobrás de Música Popular Brasileira, realizado no Teatro Rival do Rio de Janeiro. Carioca da gema, e amiga de Cuba, foi solicitada pela presidência da Câmara Municipal do Rio de Janeiro a entregar a Fidel Castro, o título de Cidadão Honorário da cidade. Seu 26º disco, Pagode de Mesa 2, concorreu ao Grammy Latino na categoria melhor disco de samba. Seu 27° trabalho foi o CD Nome Sagrado – Beth Carvalho canta Nelson Cavaquinho, seu compositor preferido, com participação de seu afilhado Zeca Pagodinho, Wilson das Neves, Guilherme de Brito (parceiro mais constante de Nelson). Este projeto foi tirado de uma gravação caseira do arquivo de Beth e vendido em bancas de jornal, onde alcançou grande repercussão pela ousadia da empreitada, o que lhe conferiu concorrer ao prêmio TIM de música como melhor disco de samba. Seu 28° cd é "Beth Carvalho canta Cartola", uma compilação idealizada pelo jornalista e grande fã de Beth, Rodrigo Faour. Beth foi a intérprete preferida de Cartola e responsável pela volta desse grande mestre à mídia. Em 2004 recebeu 3(três) títulos da cidade de São Paulo: O de cidadã paulistana, a medalha Anchieta e o de Gratidão do povo paulista. Em 2004 Beth atende ao pedido de seu querido amigo, o Presidente da Venezuela Hugo Chávez para conhecer a Escola de Samba Mangueira. Agora, em 2005, Beth fez seu 1º DVD "Beth Carvalho, a Madrinha do Samba" ,que já é Platina, isto é, 50.000 (cinqüenta mil) cópias vendidas. O CD que saiu junto (29°da carreira), já é disco de ouro 50.000 (cinqüenta mil) cópias vendidas. O DVD/CD é um retrospecto de sua carreira mas, tem 5 (cinco) músicas inéditas. Tem participações de seus mestres e de seus afilhados. São elas : de Zeca Pagodinho, D. Ivone Lara, Monarco e a Velha Guarda da Portela, Nelson Sargento, Almir Guineto, Arlindo Cruz, Sombrinha, Luís Carlos da Vila, Teresa Cristina, Quinteto em branco e preto e do bandolinista Hamilton de Holanda.

beth carvalho canta no mineirão

arlindo cruz

No dia 14 de Setembro de 1958 nascia Arlindo Domingos da Cruz Filho, 7 anos depois ganhou seu 1º instrumento musical, um cavaquinho, de seu pai (Arlindão) amigo e parceiro de Candeia com quem fundou o Grupo Mensageiros do Samba. Empolgado com aquele instrumento não podia ver seu pai chegar do trabalho que já ia perguntando como aprender à tocar. Dos 7 aos 12 anos já tirava muitas músicas de ouvido, e como seu irmão Acyr Marques aprendia violão, Arlindo observava os acordes e já comparava os acordes com o do cavaquinho e aventurava fazer alguns acordes. Aos 12 anos de idade entrou para escola (Flor do Méier) onde estudou teoria, solfejo e violão clássico, por 2 anos. Nessa época começou à trabalhar profissionalmente como músico, fazendo rodas de samba, com vários artistas, principalmente, Candeia que ele considera seu padrinho musical. Com Candeia gravou um compacto simples pela gravadora odeon, e um LP chamado Roda de Samba ( hoje encontrado em Cd ) em ambos tocando cavaquinho. Ao completar 15 anos foi estudar em Barbacena MG, na escola preparatória de Cadetes do ar, continuou com a música cantando no coral da escola e participando de festivais. Começava então à nascer o compositor Arlindo Cruz. Nessa época Arlindo Cruz já havia ganho festivais em Barbacena, Poços de Caldas entre outros. Como desde criança já freqüentava e desfilava no Cacique de Ramos, em 1980 quando deixou a Aeronáutica, sabendo que existia uma roda de samba no Cacique, onde eram revelados autores e intérpretes passou à freqüenta-la toda Quarta-feira, onde foi bem recebido pôr todos ( Neoci, Dida, Jorge Aragão, Luiz Carlos da Vila Beth Carvalho, Beto sem Braço, Bira, Ubirani, Almir Guineto etc.) Junto com ele, novos parceiros, Rixxa, Cláudio Camunguelo, Sombrinha, Zeca Pagodinho, entre outros. Logo no 1º ano teve 12 músicas gravadas pôr vários intérpretes, a 1º delas foi Lição de malandragem com Davi Correia, depois vieram outros sucessos, "grande erro’ com Beth Carvalho, "novo Amor" com Alcione, entre outros. Com a saída de Jorge Aragão do Grupo Fundo de Quintal, Arlindo Cruz foi convidado à participar do Grupo, coisa que ele aceitou com muito carinho, e se dedicou durante 12 anos de sucesso, neste período gravou com quase todos artistas do movimento "Pagode", entre sucessos dessa época destacam-se :Com Zeca Pagodinho foram :Bagaço da Laranja, SPC, Casal sem vergonha, Dor de Amor, Quando eu te vi chorando,Com Fundo de Quintal : Seja sambista também, Só Pra Contrariar. Castelo cera, O mapa da mina, Primeira Dama, entre tantos outros sucessos, (Se fosse colocar todas as músicas aqui, levaria uma semana)Com Beth Carvalho, foram :Jiló com Pimenta, Partido Alto mora no meu coração, À Sete Chaves, com Reinaldo foram : Pra ser minha musa, Onde está. Quando Arlindo saiu do grupo fundo de quintal ( Sem brigas ) Gravou um disco solo na antiga gravadora Line Records, sendo relançado duas vezes ( Da capa Azul que tem Dora, Zé do Povo, Demais, Um Beijo ) No lançamento deste disco em 1993 se juntou com o parceiro Sombrinha que estava também lançando seu 1º disco solo chamado "Sombrinha", e no palco do teatro João Caetano RJ, fizeram um Show que foi um grande sucesso, até hoje um dos recordistas de bilheteria deste teatro. O sucesso deste Show fez nascer a idéia de formarem uma dupla. Que só foi adiada porque Sombrinha ainda tinha que gravar um disco, pois tinha que cumprir um contrato com a gravadora,que seria o disco ( pintura na tela ) Depois da gravação do disco do Sombrinha, eles voltaram à fazer um Show no teatro João Caetano, e novamente o sucesso deste Show fez com que a idéia da dupla se concretizasse. De 1994 até 1996 fizeram muitos shows, basicamente com repertório como compositores. E em 1996 a gravadora Velas, abraçou os dois para lançarem o 1-º disco como dupla o disco "Da Música", um CD muito festejado pelo público na época, e depois relançado pelo folha da tarde vendeu 197 mil cópias, em apenas um Domingo. (CD que tem: Ponto sem nó, Pintou uma lua lá, Filho do quitandeiro, Silêncio no olhar, Dá Música, etc.) Em 1997 lançaram o CD (O Samba é a Nossa Cara) Este disco foi muito importante, porque mostrou um lado, mais sério do trabalho deles, com música com mais profundidades (papo de homem e mulher, Teu M eu trago na mão. Em 1998 com o sucesso na série casa de bamba, da faixa testamento de partideiro com Leci Brandão (Samba de Candeia) a gravadora Universal Music resolveu investir no talento da dupla, e assim nasceu o disco Pra ser Feliz Um disco feito com Rildo Hora e eleito pela dupla o melhor trabalho feito em estúdio.

arlindo cruz no barril 8000

almir guineto

Almir Guineto, nasceu no morro do Salgueiro, em uma família de músicos, filho de D. Fia, figura ancestral do samba, irmão do Mestre Louro, diretor da bateria do Salgueiro. Almir foi diretor da escola de samba Salgueiro. Participou do Grupo "Os Originais do Samba" por dez anos, (de 1960 a 1970). Foi um dos fundadores do Grupo Fundo de Quintal com o qual gravou o primeiro disco deles. No inicio dos anos 80, Almir introduziu o banjo no samba, junto com Bira, Ubirany, Sereno, Neoci, Sombrinha e Jorge Aragão e divulgou o caxambu. Sua carreira foi impulsionada pelo primeiro lugar conquistado no festival MPB-Shell de 1981 com o partido "Mordomia". Dominou as platéias brasileiras, comandando o pagode país afora, no auge do movimento, tendo Zeca Pagodinho, Jovelina Pérola Negra e o próprio grupo Fundo de Quintal como companheiros de bandeira. É um dos compositores prediletos de Beth Carvalho, que gravou dezenas de suas músicas. Jogou na boca do povo os sambas clássicos como Mel na Boca, Insensato Destino, Conselho, Lama nas Ruas e Caxambu, entre outros. Após 12 discos lançados ao longo de sua carreira, Almir resolveu fazer um trabalho chamando amigos e colegas para interpretar, junto com ele, alguns de seus maiores sucessos. Intitulado "Todos os Pagodes", o novo disco tem quatro faixas inéditas e traz desde os sambistas Zeca Pagodinho e Beth Carvalho até o rapper Mano Brown, da banda Racionais MC. O carioca que adotou São Paulo esbanja energia.

almir guineto no sambão santa clara


áudio: Almir Guineto - 1986

central do samba


Foi das mãos de jovens inconformados com a desvalorização do samba no sul do país que nasceu, em junho de 2006, o Movimento Cultural "CENTRAL DO SAMBA", com o intuito de semear e cultuar este que é o mais brasileiro de todos os ritmos e assim mantê-lo vivo para as próximas gerações. Desde então, com muita alegria e com muito respeito se reúnem todo domingo, no Centro Cultural Afrosul/Odomodê, em Porto Alegre, para cantar a obra dos eternos poetas da nossa mais autêntica música POPULAR brasileira.

site: Central do Samba

hoje é dia de festa...


Foi bem cedo na vida que eu procurei, encontrar novos rumos num mundo melhor, com você fique certo que jamais falhei, pois ganhei muita força tornando maior, A amizade... Nem mesmo a força do tempo irá destruir, somos verdade... Nem mesmo este samba de amor pode nos resumir, quero chorar o seu choro, quero sorrir seu sorriso, valeu por você existir AMIGA... isso mesmo, o Rio de Janeiro hoje esta em festa, a cidade esta toda voltada para o aniversário da minha querida irmã (kkkk...)

estação primeira de magueira

NASCE A ESTAÇÃO PRIMEIRA... Carlos Cachaça, nascido em Mangueira, nas proximidades do morro, no dia 3 de agosto de 1902, foi testemunha da primeira vez em que os mangueirenses ouviram um samba. Até então, eles cantavam e dançavam o jongo e os lundus do folclore ou os maxixes que aprendiam nas festas da igreja da Penha, numa época em que o rádio ainda não existia (a primeira emissora brasileira, a Rádio Sociedade, surgiria em 1923). No carnaval, divertiam-se dançando nos cordões e nos ranchos. Antes da existência do Morro de Mangueira, havia também o carnaval elegante, com bailes de máscaras realizados geralmente em hotéis. A classe média , por sua vez, aderiu imediatamente ao desfile dos carros alegóricos das grandes sociedades, dividida em torcidas a favor da Tenentes do Diabo, da Democrática e da Fenianos, as mais importantes da época, todas fundadas entre 1860 e 1870. Os pobres divertiam-se nos cordões, a primeira solução encontrada pelos foliões para brincar em grupo. Seus integrantes saíam fantasiados (mascarados, palhaços, diabos, reis, rainhas e outros), em dois tipos de cordões, o de "velhos"(todos dançavam envergados, imitando velhos) e os cucumbis, em que predominava a batucada, na base de adufos, cuícas e reco-reco. O cronista João do Rio dedicou várias páginas à descrição dos cordões. Os ranchos carnavalescos surgiram no Rio de Janeiro em 1893, sendo o primeiro deles e o Rei de Ouro, fundado pelo baiano Hilário Jovino Ferreira, no bairro da Saúde. Em pouco tempo, os ranchos espalharam-se pela cidade, ganhando logo a preferência dos foliões pela sua música sempre lírica, pela dança e por apresentar novidades como o enredo, os instrumentos de cordas e de sopro e os personagens como a porta-estandarte e o mestre-sala, sendo estes cercados nos desfiles por meninos fantasiados conhecidos como porta-machados. O rancho mais famoso da história foi o Ameno Resedá, que contava, entre os seus admiradores, com o escritor Coelho Neto. Desde 11 de maio de 1852, quando se inaugurou nas proximidades da Quinta da Boa Vista o primeiro telégrafo aéreo do Brasil, a elevação vizinha da Quinta era conhecida como Morro dos Telégrafos. Pouco depois, foi instalada ali perto uma indústria com o nome de Fábrica de Fernando Fraga, que produzia chapéus e que, em pouco tempo, passou a ser conhecida como "fábrica das mangueiras", já que a região era uma das principais produtoras de mangas do Rio de Janeiro. Não demorou muito para que a Fábrica de Fernando Fraga mudasse para Fábrica de Chapéus Mangueira. O novo nome era tão forte que a Central do Brasil batizou de Mangueira a estação de trem inaugurada em 1889. A elevação ao lado da linha férrea também começou a ser chamada de Mangueira, enquanto o antigo nome de Telégrafos permaneceu para identificar apenas uma parte do morro. Atualmente, Telégrafos, Pindura Saia, Santo Antônio, Chalé, Faria, Buraco Quente, Curva da Cobra, Candelária e outros são pequenos núcleos populacionais que formam o complexo do Morro de Mangueira. O morro tinha dono. Era o visconde de Niterói (Francisco de Paula Negreiros Saião Lobato), que o recebeu como presente do imperador Pedro II. Mas ele já estava morto quando os primeiros moradores instalaram os seus barracões, e outros, mais espertos, construíam moradias para alugar, como foi o caso do português Tomás Martins. Padrinho do futuro compositor e poeta Carlos Moreira de Castro, que seria imortalizado pelo apelido de Carlos Cachaça, que aos oito anos de idade vivia no morro, aponta o padrinho como o verdadeiro fundador do Morro de Mangueira, por ter sido o primeiro a explorá-lo como local de moradia. Aos dez anos, Carlos Cachaça tinha a incumbência de assinar os recibos dos aluguéis, já que o português Tomás Martins era analfabeto. Em 1908, a prefeitura carioca decidiu reformar a Quinta da Boa Vista e, para isso, demoliu dezenas de casinhas ali construídas por soldados que serviam no 9° Regimento de Cavalaria. Com a permissão de carregar os restos da demolição para onde bem entendessem, os militares escolheram instalar-se no Morro de Mangueira. Outro fato que serviu para aumentar a população da área foi o incêndio que, em 1916, destruiu inúmeros casebres do Morro de Santo Antônio, no centro da cidade. Surgia assim em Mangueira uma comunidade de gente pobre, constituída quase que na totalidade por negros, filhos e netos de escravos, inteiramente identificada com as manifestações culturais e religiosas que caracterizavam esse segmento social e racial. Do Natal ao Dia de Reis, em 6 de janeiro, conjuntos de pastores e pastorinhas percorriam o morro entoando as suas cantorias. Os católicos construíram uma capela a Nossa Senhora da Glória, que passou a ser a padroeira do morro. O candomblé e a umbanda tinham muitos adeptos, e alguns casebres serviam de templos, sendo o principal deles o de Tia Fé (Benedita de Oliveira), uma mineira (segundo Carlos Cachaça) ou baiana (segundo o neto Sinhozinho, presidente da Estação Primeira na década de 70), que trajava diariamente de baiana, e em cuja casa realizavam-se as grandes festas de Mangueira. Em 1935, houve uma tentativa de descendentes do visconde de Niterói de despejar os moradores do morro, mas estes foram socorridos pelo prefeito Pedro Ernesto. Uma nova tentativa, em 1964, feita por um português de sobrenome Pinheiro, que dizia ter adquirido os bens da família Saião Lobato, esbarrou num decreto do governador Carlos Lacerda, desapropriando todo o Morro de Mangueira.

desfile da mangueira, carnaval 2007

jamelão

Conheceu ainda na infância os primeiros componentes da Mangueira, e integrou a bateria da escola tocando tamborim. Logo aprendeu cavaquinho e passou a cantar em gafieiras, influenciado principalmente pelo estilo de Cyro Monteiro. Em 1945 participou do programa Calouros em Desfile, comandado por Ary Barroso, interpretando "Ai, que Saudades da Amélia", de Ataulfo Alves e Mário Lago. A partir daí conseguiu trabalhos no rádio e em boates, participando também como crooner da Orquestra Tabajara de Severino Araújo, com quem excursionou à Europa. Consagrou-se principalmente como cantor de samba, emplacando sucessos como "Fechei a Porta" (Sebastião Motta/ Ferreira dos Santos), "Leviana" (Zé Kéti), "Folha Morta" (Ary Barroso), "Não Põe a Mão" (P.S. Mutt/ A. Canegal/ B. Moreira), "Matriz ou Filial" (Lúcio Cardim), "Exaltação à Mangueira" (Enéas Brites/ Aluisio da Costa), "Eu Agora Sou Feliz" ( com Mestre Gato), "O Samba É Bom Assim" (Norival Reis/ Helio Nascimento) e "Quem Samba Fica" (com Tião Motorista). Nos anos 50 começou a atuar como puxador de samba-enredo para a Estação Primeira de Mangueira, atividade que pratica até hoje, tornando-se uma referência obrigatória no gênero. É o maior intérprete dos sambas-canções doloridos de Lupicínio Rodrigues, como "Esses Moços", "Ela Disse-me Assim", "Torre de Babel", "Quem Há de Dizer", "Sozinha" e "Exemplo". Gravou dois LPs dedicados à obra do compositor gaúcho, acompanhado pela Orquestra Tabajara do maestro Severino Araújo: "Jamelão Interpreta Lupicínio Rodrigues" (1972) e "Recantando Mágoas - A Dor e Eu" (1987). Em 1997 a gravadora Continental lançou a coletânea "Jamelão - A Voz do Samba", em 3 CDs.

jamelão e chico buarque

clara nunes

Clara Nunes nasceu em Paraopeba, MG, em 12 de agosto de 1943. O pai, Mané Serrador, era violeiro e cantador de folias-de-reis. Órfã desde pequena, aos 16 anos foi para Belo Horizonte, onde conseguiu empregar-se como operária numa fábrica de tecidos. Por essa época cantava no coral de uma igreja, ao mesmo tempo em que, ajudada pelos irmãos, concluía o curso normal. Em 1960 foi a vencedora da final do concurso A Voz de Ouro ABC, em sua fase mineira, com Serenata do Adeus (Vinícius de Moraes), e obteve o terceiro lugar, na finalíssima realizada em São Paulo, com Só Adeus (Jair Amorim e Evaldo Gouveia). Contratada pela Rádio Inconfidência, de Belo Horizonte, durante um ano e meio teve um programa exclusivo na TV Itacolomi. Nessa mesma época, cantava em boates e clubes, tendo sido escolhida, por três vezes, a melhor cantora do ano. Em 1965 foi para o Rio de Janeiro e passou a apresentar-se na TV Continental, no programa de José Messias. Ainda nesse ano, após teste, foi contratada pela Odeon, que, em 1966, lançou seu primeiro LP, A voz adorável de Clara Nunes, em que interpreta boleros e sambas-canções. Em 1968, gravou Você passa e eu acho graça (Ataulfo Alves e Carlos Imperial), que foi seu primeiro sucesso e marcou sua definição pelo samba. Em 1972, além de ter realizado seu primeiro show, Sabiá, sabiô (com texto de Hermínio Bello de Carvalho), no Teatro Glauce Rocha, no Rio de Janeiro, lançou o LP Clara, Clarice, Clara, com musicas de compositores de escolas de samba e outras de Caetano Veloso e Dorival Caymmi. Ainda nesse ano, gravou o samba Tristeza pé no chão (Armando Fernandes), apresentado no Festival de Juiz de Fora, que vendeu mais de 100 mil copias. Em fevereiro 1973, estreou no Teatro Castro Alves, em Salvador, com o show O poeta, a moça e o violão, ao lado de Vinícius de Moraes e Toquinho. Em 1973 gravou na Europa o LP Brasília e, no Brasil, o LP Alvorecer, que chegou ao primeiro lugar de todas as paradas brasileiras com Conto de areia (Romildo e Toninho). Em 1974, ao lado de Paulo Gracindo, atuou no Canecão, no Rio de Janeiro, na segunda montagem do espetáculo Brasileiro, profissão esperança, de Paulo Pontes (do qual foi lançado um LP), que contava as vidas de Dolores Duran e de Antônio Maria. Em 1975, ano do seu casamento com o compositor Paulo César Pinheiro lançou Claridade, seu disco de maior sucesso. Outro grande sucesso veio em 1976, com o disco Canto das três raças. Em 1977 lançou As forças da natureza, disco mais dedicado ao samba e ao partido-alto. Em 1978 lançou o disco Guerreira, interpretando outros ritmos brasileiros. Em 1979 lançou o disco Esperança. No ano seguinte veio Brasil mestiço, que incluiu o sucesso Morena de Angola, composto por Chico Buarque para ela. Em 1981 lançou Clara, com destaque para Portela na avenida. No auge como intérprete, lançou em 1982 Nação, que seria seu último disco. Morreu em 02 de Abril 1983, depois de 28 dias de agonia, hospitalizada após um choque anafilático ocorrido durante uma cirurgia de varizes. Em dezembro de 1997, a gravadora EMI reeditou a obra completa da artista, em 16 CDs remasterizados no estúdio de Abbey Road, em Londres, e embalados em capas que reproduzem as originais.

trechos de vídeos de clara nunes

paulinho da viola

Filho do músico Cesar Faria, Paulinho da Viola cresceu num ambiente naturalmente musical. Na sua infância em Botafogo, bairro tradicional da zona sul do Rio de Janeiro onde nasceu em 12 de novembro de 1942, teve contado constante com a música através do pai, violonista integrante do conjunto Época de Ouro. Nos ensaios familiares do conjunto, Paulinho conheceu Jacob do Bandolim e Pixinguinha, entre muitos outros músicos que se reuniam para fazer choro e eventualmente cantar valsas e sambas de diferentes épocas. Ao longo dos anos 70, Paulinho gravou em média um disco por ano, ganhou diversos prêmios e se apresentou por diversas cidades no Brasil e no mundo. Já nos anos 80, gravou mais quatros discos e manteve-se como um dos principais nomes do samba no país. Nos anos 90, entrou numa nova fase, onde a imprensa e os críticos passaram a vê-lo como um músico mais sofisticado e maduro. Mesmo sem perder seu apelo popular, Paulinho gravou um de seus mais importantes trabalhos, Bebadosamba e montou o espetáculo homônimo. O trabalho de Paulinho hoje é visto como um elo entre diversas tradições populares como o samba, o carnaval e o choro, além de suas incursões em composições para violão e peças de vanguarda. Um dos maiores representantes do samba e herdeiro do legado de músicos como Cartola, Candeia e Nelson Cavaquinho mostra que está sempre se renovando e produzindo sem abandonar seus princípios e valores estéticos.

foi um rio que passou em minha vida.

dona ivone lara

Ivone Lara da Costa nasceu no Rio de Janeiro, RJ em 13 de Abril de 1921. O pai, João da Silva Lara, era mecânico de bicicletas, além de violonista e componente do Bloco dos Africanos. D. Emerentina, a mãe, era pastora do Rancho Flor do Abacate. Aos seis anos de idade, ficou órfã de pai e mãe, sendo internada por parentes no Colégio Orsina da Fonseca, no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, onde permaneceu até os 17 anos. Aos 12 anos, foi presenteada pelos primos e futuros parceiros, Hélio e Fuleiro, com um pássaro "Tiê-sangue". O nome do pássaro e a expressão "Oialá-oxa", herdada da avó moçambicana, serviram de inspiração para o primeiro samba composto: "Tiê, Tiê". Admirada por suas professoras de música no colégio, Lucília Villa-Lobos, esposa do maestro Villa-Lobos e Zaíra Oliveira, primeira esposa de Donga, foi indicada para o Orfeão dos Apinacás, da Rádio Tupi, cujo regente era Heitor Villa-Lobos. Saindo da escola, foi morar na casa de seu tio Dionísio Bento da Silva, que tocava violão de sete cordas e fazia parte de grupo de chorões que reunia Pixinguinha e Donga, entre outros. Com o tio, aprendeu a tocar cavaquinho. Seu primo, Mestre Fuleiro, também foi um dos fundadores da Império Serrano em 1947, ano em que Dona Ivone Lara mudou-se para Madureira e começou a freqüentar a Escola de Samba Prazer da Serrinha, mesma época em que começou a compor sambas para esta escola. Casou-se, aos 25 anos, com Oscar Costa, filho de Alfredo Costa, presidente da Escola de Samba Prazer da Serrinha. Nesta época, passou a freqüentar a Escola, onde aprimorou seus dotes de sambista e conheceu os amigos Aniceto, Mano Décio da Viola e Silas de Oliveira, que mais tarde seriam seus parceiros em algumas composições. Com a fundação do Império Serrano, em 1947, passou a desfilar pela verde e branco de Madureira. Tornou-se enfermeira, formando-se logo depois em Assistente Social. Especializou-se em Terapia Ocupacional, dedicando-se a trabalhos em hospitais psiquiátricos, tendo trabalhado no Serviço Nacional de Doenças Mentais, com a doutora Nilse da Silveira. Em 1965 ingressou na Ala de Compositores do Império Serrano e compôs, com Silas de Oliveira e Bacalhau, o clássico "Os cinco bailes da história do Rio". A partir de 1968 passou a integrar a Ala das Baianas. Aposentou-se no hospital em 1977, passando a dedicar-se, exclusivamente, à carreira artística. Em agosto de 2002, recebeu o "Prêmio Caras de Música", na categoria "Melhor Disco de Samba", com o CD "Nasci para sonhar e cantar" e, neste mesmo ano, foi a vencedora do Prêmio Shell de MPB, tendo recebido o prêmio pelo conjunto de sua obra em grande festa do samba, no Canecão, no Rio de Janeiro, cujo roteiro-convite foi apresentado por Ricardo Cravo Albin, um dos cinco jurados que lhe deram o prêmio por unanimidade.

dona ivone lara canta enredo do meu samba

portela

HISTÓRIA - Criada em 1644, a antiga freguesia de Irajá se estendia por uma vasta região ocupada por fazendas. Esta imensa área, ao longo dos séculos XVIII e XIX, chegou a ter 13 engenhos de açúcar produtivos e importantes economicamente. Entre eles, talvez o mais próspero, merece destaque o Engenho do Portela, cujos escravos, no labor do dia-a-dia, contribuiriam para engrandecer a região que se estendia da Fazenda do Campinho até o Rio das Pedras, e que mais tarde herdaria o nome do boiadeiro e mercador mais famoso da localidade: Lourenço Madureira. Em fins do século XIX e início do século XX, a economia da região, amparada principalmente na força do trabalho escravo, entra em uma inevitável crise. Os antigos latifúndios são aos poucos repartidos por pessoas pobres que fugiam das reformas urbanas que ocorriam no centro da capital da jovem República Brasileira. O trem, chegado em 1890, trazia diariamente um grande contingente de pessoas desprovidas de qualquer bem material para os já conhecidos subúrbios. Especialmente, merece destaque a brava população que, enfrentando todos os tipos de dificuldades, ocupou a região próxima ao Rio das Pedras através da antiga estação de Dona Clara. Mais tarde, a ainda jovem localidade, que herdou o nome do Rio vizinho, receberia o definitivo nome de Oswaldo Cruz em 1904 homenagem do Prefeito Pereira Passo ao grande sanitarista que exterminou a febre amarela no Rio de Janeiro. Os negros trouxeram sua música, sua dança, sua religião e sua inigualável forma de enfrentar a dor através da arte para a "roça". Foram estes negros, muitos deles vindos de outras partes do Brasil, sobretudo de Minas Gerais e do antigo Estado do Rio, que plantaram a semente da batucada nas festas da região. O cavalo torna-se o principal meio de transporte. Imensos valões dificultavam a passagem dos moradores. Não havia água, luz ou qualquer tipo de conforto já comum nos bairros mais abonados da cidade. O antigo engenho cedeu espaço e nome para a principal via da região: a estrada do Portela. Os primeiros portelenses foram verdadeiros alquimistas. Magos capazes de transformar dor em arte, e sofrimento em notas musicais. A dificuldade, em suma, foi a matéria-prima das primeiras composições da PORTELA. Esta integração foi fundamental para a história da Portela, pois possibilitou uma vida social marcada por festas religiosas, batucadas e jongo, manifestação cultural herdada dos antepassados escravos. COMO TUDO COMEÇOU - Em 1923, existiam em Oswaldo Cruz, os bloco carnavalescos Bainaninha de Oswaldo Cruz e Quem fala de nós come mosca, o primeiro formados por adultos entre eles Galdino Marcelino dos Santos, Antônio Caetano, Antônio Rufino e Candinho (primeIro mestre de canto, hoje intérprete de samba) e Paulo Benjamim de Oliveira , O Paulo da PORTELA (segundo mestre de canto), Claudionor Marcelino, irmão de Gaudino José da Costa, Álvaro Sales, Angelino Vieira, Manoel Barbeiro, Alfredo Pereira da Costa, Carminha, Benedito do Braz (componentes). E o segundo bloco formados por crianças. A festeira dona Esther Maria de Jesus, do Come Mosca por ter muita influência na área política da época, conseguiu toda a legalização na polícia (Registro e Permissão de Funcionamento) para o bloco sair. O Come Mosca, por ser comporto por crianças saia apenas durante o dia. O Baianinhas que descia à noite para a Praça Onze, levava emprestada a licença do Come Mosca. O fato fazia com que muita gente confundisse os blocos. Em 1926, foi fundado, embaixo de uma mangueira, na casa de seu NAPOLEÂO (pai de NATAL), o bloco carnavalesco Conjunto Oswaldo Cruz, que é a fusão dos Blocos Baianinhas e Come Mosca, tendo como principais responsáveis: Paulo Benjamim de Oliveira, Antônio Caetano e Antônio Rufino, sendo feita a primeira Junta Governativa - Paulo da Portela o Presidente, Antônio Caetano o Secretário e Antônio Rufino o Tesoureiro. A PORTELA E SÃO SEBASTIÃO - Em 1929, dia 20 de Janeiro (Dia de Oxossi), Heitor do Prazeres, representante do conjunto vence o primeiro concurso entre as Escolas de Samba e, na volta para Oswaldo Cruz, troca o nome do conjunto por QUEM NÓS FAZ É O CAPRIXO. Inconformado, em 1930, Manuel Bam Bam Bam, assume do controle do grupo e transforma o Quem nós faz é o caprixo em Vai como pode. Apesar de ser citado apenas Vai como pode, como o bloco antecessor da PORTELA, os pioneiro são os Baianinhas e Come Mosca. Por isso , a data de fundação da escola é 11 de abril de 1923. O Batismo da PORTELA, foi realizado por dona Esther Maria de Jesus (do Bloco Come Mosca), que consagrou Nossa Senhora da Conceição (Oxum) como madrinha e São Sebastião (Oxóssi) como padrinho. Hoje, Nossa Senhora da Conceição é a padroeira da escola, e São Sebastião é o santo protetor da bateria. Todo diia 20 de janeiro a PORTELA sai às ruas em procissão a São Sebastião. Muitos afirmam que as características peculiares da bateria da PORTELA foram inspiradas nas batidas dos atabaques para Oxossi. AS SEDES - A primeira sede da PORTELA foi na casa de PAULO DA PORTELA, na Barra Funda. A segunda, na Estrada do Portela nº 412, onde mais tarde foi construído o Bar do Nozinho. A terceira na Estrada do Portela, onde foi construído depois a Portelinha, e a quarta, na Rua Arruda Câmara que passou a se chamar Rua Clara Nunes (famosa portelense) após sua morte, o Portelão. NATAL - Natalino José do Nascimento o Natal e a Portela. A história da PORTELA está intimamente ligada à vida de Natal, já que foi nos fundos da casa de seu pai, Napoleão na esquina da Rua Joaquim Teixeira com a estrada do Portela, que foi fundada a escola. Foi com a morte de Paulo da Portela que Natal resolveu se integrar a PORTELA e ajudou a transformá-la na maior de todas as escolas de samba. Em 1972, Natal começou a construir a atual sede da PORTELA, o PORTELÂO. Natal foi um sambista rei. Rei do samba, do bairro, da cidade. Natal foi um sambista que nunca fez samba, que nunca desenhou um passo, que nunca cantarolou um refrão siquer. Às vezes, nos perguntamos de onde surgiu tanto respeito, tanto temor, tanto amor e ódio por um homem comum, que andava sempre com seu paletó de pijamas, de chinelos, um cigarro no canto da boca, um chapéu no alto da cabeça e com apenas um braço? Natal dizia que se tivesse dois braços seria covardia.

memórias do carnaval da tv globo

clube renascença

O lugar é especial, foi fundado no final dos anos 50 como um lugar de divertimento e afirmação negra. O clube tem um pátio com uma grande Caramboleira que tem dado frutas, que caem maduras para deleite do público e dos sambistas. Toda segunda-feira Moacyr Luz comanda uma das melhores rodas da cidade, o Samba do Trabalhador. O local é o Clube Renacença, um antigo reduto do movimento negro. O Clube Renascença está totalmente "ressucitado" e é ainda mais antigo do que o velho Cacique de Ramos. Frequentam a roda muitos dos melhores sambistas cariocas. Além do poeta Moacyr Luz, marcam presença Toninho Gerais, Ivan Milanez, mestre Trambique, entre outros. Nas segundas tem prato especial, preparado por Paulinho "Chiclete", diretor do Clube (o almoço sai a R$ 5,00). Treze músicos integram a roda. Alguns nomes de talento que fazem parte da roda: Abel Luiz, Gabriel Cavalcante, Vladimir Silva, Jorge Alexandre na percussão e muitos outros.

aniversário de gigi do cavaco

cacique de ramos

Cacique de Ramos é o nome de um bloco carnavalesco do bairro de Ramos na cidade do Rio de Janeiro. Uma quadra de futebol de salão é o local onde ainda se realizam os ensaios do bloco e também no final dos anos 70, onde se iniciou o maior movimento de samba que já se teve notícia: Os pagodes de Fundo de Quintal. A principal característica de seus componentes é que sempre saem em indumentárias indígenas. Por muitos anos o Cacique de Ramos desfilou na avenida Rio Branco que era o local onde desfilavam os blocos e o Cacique, sempre vinha na avenida com mais de 10.000 integrantes enquanto os outros blocos nem chegavam nem a metade. Seu maior rival na avenida foi o bloco Bafo da Onça. O Bafo da Onça era comandado por Osvaldo Nunes, cantor compositor, representante e defensor do samba da época. A rivalidade entre Bafo da Onça e Cacique de Ramos era tão grande que quando eles se encontravam na avenida, era sempre caso de polícia. As brigas reinavam em todos os sentidos. Por muitas vezes o Cacique chegava a atrasar o desfile por mais de 4 horas só para pegar o melhor horário e não permitir que o Bafo da Onça fizesse seu carnaval. Se algum componente viesse pela rua com a fantasia do Cacique e alguém do Bafo da Onça com sua fantasia, era melhor um dos dois atravessar a rua, caso contrário seria briga na certa e quem estivesse em desvantagem que arrumasse logo outros parceiros para, pelo menos, poder empatar a briga. Mesmo nestes casos o pessoal do Cacique também saía em vantagem. O Cacique sempre teve mais nome na avenida e no samba, por causa do seu pagode que acontecia todas as quartas-feiras em sua quadra. Com isso conseguia levar um grande número de pessoas influentes do meio do esporte, televisão e muitos artistas para abrilhantar seu carnaval. Com uma nova roupagem, filosofia, letra, melodia, harmonia essa roda de samba passou a ser especial e cada vez mais comentada em todo o Rio de Janeiro.Tudo o que havia na época em termos de samba, na roda do Cacique aos pés da Tamarineira, era diferente. Muitos sambistas surgiram desse movimento e atuam até hoje em defesa daquilo que aprenderam a gostar.

fundo de quintal com jorge aragão no cacique de ramos

feijoada da tia doca

estava eu em casa nesse domingo (03/06/2007), quando recebi um telefonema do RJ, meu cunhado informando que agora tem feijoada no pagode da tia doca, isso mesmo, agora todo primeiro domingo de cada mês, tem a tradicional feijoada da tia doca que acontecerá no mesmo local do pagode, então não esqueça, a feijoada da portela é todo primeiro sábado de cada mês e a da tia doca no domingão, o bom disso é que começa às 13h e você ainda pode emendar com o pagode que tem início às 18h (haja fôlego)... recado dado...

sinta o astral do pagode da tia doca

ogum yê


Ogum é o orixá mais importante da cultura afro-brasileira. Filho de Oduduá e Iemanjá, no Brasil identifica – se como São Jorge (daí a fama de santo guerreiro). Seu ambiente preferido é qualquer lugar ao ar livre. Com muita determinação, vence qualquer combate. Também é o senhor das guerras e protege militares, os combatentes, além de todos os profissionais ligados ao ferro, como serralheiros e metalúrgicos. Os lavradores também recebem a forte proteção de Ogum. Todos os filhos deste orixá são guerreiros e lutam por liberdade e independência. Gostam de se divertir e rejeitam qualquer atividade que os faça ficar parados por muito tempo. São amantes das viagens e paisagens. Às vezes egoístas e briguentos, amam cegamente quando se entregam de verdade.


CONHECENDO MAIS SOBRE OGUM
Ogun é na África, em país Yorubá, o deus do ferro, dos ferreiros e de todos aqueles que utilizam este metal: agricultores, caçadores, açougueiros, barbeiros, marceneiros, carpinteiros, escultores de madeira. Desde o início do século, os mecânicos, os motoristas de automóveis ou de trens, os reparadores de velocípedes e de máquinas de costura vieram se juntar ao grupo de seus fiéis. No Brasil, Ogun é sobretudo conhecido como Deus dos Guerreiros. Perdeu sua posição de protetor dos agricultores, pois os escravos, nos séculos anteriores não possuíam interesse pessoal na abundância e na qualidade das colheitas e, sendo assim, não procuravam sua proteção nesse domínio. Como deus dos caçadores ele foi substituído por Oxossi cujo culto era muito popular em Ketu, local de origem dos escravos libertos que criaram os primeiros candomblés da Bahia. No Brasil, Ogun é uma única divindade, tendo, porém, sete nomes: 1. Ogun Mejê; 2. Ogun Alagmedé; 3. Ogun Onirê; 4, Ogun Alakorô; 5. Ogunjá; 6. Ogun Ominí, 7. Ogun Wari. O nome Ogun Mejê teria a sua origem na frase em Yorubá Ogun Mejê Mejê Lodê Iré (Ogun está nas sete partes do Iré"), alusão a sete vilarejos, hoje desaparecidos, que teriam existido em volta de Iré.


Este número sete, que lhe é associado, é representado nos locais que lhe são consagrados por instrumentos de ferro forjado, em número de sete, quatorze ou vinte e um, alinhados todos sobre uma haste de ferro: lança, espada, enxadas, torquês, facão, ponta de flecha, enxó, símbolos de suas atividades guerreiras, agrícolas, de ferreiro, de caçador, de escultor, etc. A origem deste número sete. ligado a Ogun, e do número nove em relação a Oyá-Yansã nos é relatada por uma lenda onde Oyá era a companheira de Ogun Alagbedê (2.º da lista) - Ogun o ferreiro - antes de se tornar mulher de Xangô Ela ajudava Ogun no seu trabalho, levava docilmente suas ferramentas da casa para a oficina e, lá, ela manejava o fole para ativar o fogo da forja. Um dia, Ogun ofereceu a Oyá uma vara de ferro, parecida com uma de sua propriedade, e que tinha o dom de dividir em sete partes os homens e em nove as mulheres quepor ela fossem tocados, no decorrer de uma luta. Xangô gostava de vir sentar-se à forja a fimde apreciar Ogun bater o ferro e, freqüentemente, lançava olhares a Oyá; esta, por seu lado, furtivamente o olhava. Xangô era muito elegante, muito elegante mesmo, afirma o contador da história. Sua imponência e seu poder impressionaram Oyá e, um belo dia, ela fugiu com ele. Ogun lançou-se a sua perseguição, encontrou os fugitivos e brandiu sua vara mágica. Oyá fez o mesmo e eles se tocaram ao mesmo tempo. E, assim, Ogun foi dividido em sete partes e Oyá em nove, recebendo ele o nome de Ogun Mejê (1.º da lista). Ogun teria sido o filho mais velho de Odudúa, o fundador de Ifé. Era um temível guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos. Guerreou contra a cidade de Ará e destruiu. Apossou-se drrra cidade de Iré, matou o rei, aí instalou seu próprio filho no trono e regressou glorioso, usando ele mesmo o título de Oniré, rei do Iré, sendo chamado Ogun Oniré (3.º da lista).


Por razões que ignoramos, ogun nunca teve direito de usar uma coroa, Ade, feita co pequenas contas de vidro e ornada por franjas de missangas, dissimulando o rosto, emblema de realeza par os Yorubás. Foi autorizado a usar, apenas, um simples diadema, chamado Akorô, e isto lhe valeu ser saudado como Ogun Alakorô (4.º da lista). Ogun decidiu, após numerosos anos ausente de Irê, voltar para visitar seu filho. Infelizmente as pessoas da cidade, celebravam, no dia de sua chegada, uma cerimônia durante a qual os participantes não podiam falar, sobre pretexto algum. Ogun tinha fome e sede. Descobriu alguns potes destinados a vinho de palma, mas ignorava que estivessem vazios. Ninguém o havia saudado ou respondido às suas perguntas. Ele não reconhecia o local por ter ficado ausente durante muito tempo. Ogun, cuja paciência é pequena, enfureceu-se com o silêncio geral, para ele considerado ofensivo. Começou a quebrar, com golpes de sabre, os potes e, logo depois, sem poder se conter, começou a cortar a cabeça das pessoas mais próximas, até que seu filho apareceu, oferecendo-lhe as suas comidas prediletas, tais como cães e caramujos, feijões regados com azeite de dendê e potes de vinho de palma. Enquanto saciava a sua fome e a sua sede, os habitantes de Iré cantavam louvores onde não faltava a menção a Ogunjajá, que vem da frase Ogun je ajá - "Ogun come cachorro"- oque lhe valeu o nome de Ogunjá ( 5.º nome da lista). Satisfeito e calmo, Ogun lamentou seus atos de violência e declarou que já vivera bastante. Baixou a ponta de seu sabre em direção ao chão e desapareceu pela terra a dentro, transformando-se em Orixá.


No Brasil, as pessoas consagradas a Ogun usam colares de conta de vidro azul-escuro e, algumas vezes, verde. Terça-feira é o dia da semana que lhe é consagrado. Seu nome é sempre mencionado, por ocasião de sacrifícios dedicados aos diversos Orixás, no momento em que a cabeça do animal é decepada com uma faca - da qual ele é o senhor - e o sangue começa a escorrer. É o primeiro, também, a ser saudado depois de Exú, devidamente cumprimentado, é despachado. No momento da entrada dos Orixás manifestados e vestidos com suas roupas simbólicas, é sempre Ogun que desfila na frente, "abrindo o caminho" para os outros Orixás.Esta primazia foi, no entanto, contestada por Obaluayé e Nanan Buruku que, como veremos mais tarde, se insurgiram contra ela e, para provar sua maior antiguidade de vinda ao mundo, se recusaram a utilizar facas de ferro forjado por Ogun, este"recém-chegado" !!! Ogun é também representado por franjas de folhas de dendezeiro, devidamente desfiadas, chamadas Mariwó. Era, segundo se diz, a roupa por ele usada, em outros tempos, quando a tecelagem ainda não tinha sido inventada. Estes Mareiwós, pendurados em cima da porta e das janelas de uma casa, ou na entrada dos caminhos, representam proteções e barreiras contra as más influências. Na África, os locais consagrados a Ogun ficam ao ar livre, na entrada dos palácios dos reis e nos mercados.


São geralmente pedras em forma de bigorna colocadas sob uma grande árvore, Araba, ( Ceiba Pentandra) e protegidas por uma cerca de nativos, Peregún (Draceana fragans) ou de Akoko (Newboldia laevis). Nestes locais, periodicamente, realizam-se sacrifícios de cachorros e de galos.O culto de Ogun é bastante difundido no conjunto dos territórios onde se fala o Yorubá e ultrapassa as fronteiras dos países vizinhos, Gegês, no Daomé e no Togo, onde é chamado de Gun. Em todos estes países, Ogun-Gun é respeitado e temido. Tomá-lo como testemunha, no decorrer de uma discussão, tocando com a ponta da língua a lâmina de uma faca, ou um objeto de ferro, é sinal de sinceridade absoluta. Um juramento feito, evocando-se o nome de Ogun, é mais solene e digno de fé que se possa imaginar, comparável àquele que faria um cristão sobre a Bíblia ou um muçulmano sobre o Corão.


A vida amorosa desse Orixá caracteriza-se pela instabilidade. Ogun foi o primeiro marido de Oyá-Yansã, aquela que se tornaria, mais tarde, mulher de Xangô. Teve, também, relações com Oxun antes que ela fosse viver com Oxossi e com Xangô. E, também, com Obá, a terceira mulher de Xangô. Teve numerosas aventuras galantes quando partia para as guerras, tornando-se, assim, o pai de diversos outros Orixás, como Oxossi e Oranmiyan.Oranmiyan, ao que se diz, fora concebido em condições muito particulares, dificilmente aceitas por um geneticista, pois teria tido dois pais ao mesmo tempo... De acordo com a lenda, Ogun, no decorrer de suas expedições guerreiras, conquistou a cidade de Ogotum, saqueou-a, dela retirando valiosos despojos. Uma prisioneira de rara beleza, Lakanjé, agradou-o ele não respeitou a sua virtude. Mais tarde, quando a mesma mulher foi vista por Odudúa ( pai de Ogun) este mostrou-se igualmente perturbado, desejou possuí-la, tornando a finalmente como uma de suas mulheres.Ogun, amedrontado, não revelou a seu pai o que havia se passado entre ele e a bela prisioneira. Nove mês mais tarde, Oranmiyan vinha ao mundo. Seu corpo, entretanto, estava dividido verticalmente em duas dores: marrom de um lado, pois Ogun possuía a cor escura, e amarelo do outro, como Ododúa, que era bastante claro de pele. Oranmiyan tornou-se um temido guerreiro, estabeleceu aliança com Elempe, rei do país Tapa-Nupé, casando-se com sua filha Torossí. Desta união nasceu Xangô, do qual falaremos mais tarde.


Oranmiyan fundou o reino de Oyo, onde colocou sobre o trono Dada-Ajaka, seu filho mais velho, concebido com outra mulher; instalou seu terceiro filho, Eweka, como rei de Benin e tornou-se, ele próprio, Oni, rei de Ifé, depois da morte de Ododúa.As saudações, Oriki, festa a Ogun na África demonstram seu caráter aterrador e violento:Ogun que tendo água em casa, se lava com sangue.Os prazeres de Ogun são os combates e as lutas. Ogun come cachorro e bebe vinho de palma.Ogun, o violento guerreiro. O homem louco com músculos de aço.o terrível Ebora que se morde a si próprio sem piedade. Ogun que come vermes sem vomitar. Ele mata o marido no fogo e a mulher à beira do fogareiro. Ele mata tanto o ladrão como o proprietário da coisa roubada.Ele mata tanto o proprietário da coisa roubada como aquele que critica esta ação. O arquétipo de Ogun é o das pessoas violentas, brigonas e impulsivas, incapazes de perdoarem as ofensas de que foram vítimas. Das pessoas que perseguem energicamente seus objetivos e não se desencorajam facilmente. Daquelas que nos momentos difíceis triunfam onde qualquer outro teria abandonado o combate e perdido toda esperança.


Das que possuem humor mutável, passando furiosos acessos da raiva ao mais tranqüilo dos comportamentos. Finalmente, é o arquétipo das pessoas impetuosas e arrogantes, daquelas que se arriscam a melindrar os outros por uma certa falta de discrição quando lhe prestam serviços, mas que, devido à sinceridade e franqueza de suas intenções, tornam-se difíceis de serem odiadas.