art popular

Art Popular:
a vida sem Leandro Lehart
Os grupos de pagode estão em plena fase de debandada de seus vocalistas. Belo, do Soweto, Vavá, do Karametade, e Alexandre Pires, do Só Pra Contrariar, todos decidiram dar prioridade a seus trabalhos-solo. E, mais recentemente, Leandro Lehart, do Art Popular. Mas nesse último caso, engana-se quem pensa que foi o vocalista principal que saiu. "A saída de Leandro marca a saída do produtor e do compositor, os papéis principais que ele exercia no grupo. Eu sempre fui vocalista também, nós dividíamos os vocais principais. Todos aqueles sucessos do Art Popular que o pessoal conhece, como Valeu Demais, Nani, Temporal, sou eu que canto!", esclarece o cantor Márcio Art. O Art Popular está lançando seu novo disco - chamado simplesmente Art Popular - trabalho em que Leandro continua tão presente quanto antes: ele é produtor, arranjador e autor de todas as músicas do álbum, além de tocar vários instrumentos. Márcio faz questão de dizer que sua saída foi tranqüila e que todos continuam amigos. "A decisão aconteceu quando estávamos escolhendo o repertório. Ele chamou o Tcharlinho e o Anderson (membros do grupo) na casa dele para falar que estava pensando em sair. Ele disse que estava superfeliz com seu disco solo e que aquele era o momento de se dedicar mais à carreira pessoal", conta.

Leandro alimentava o projeto do CD solo (intitulado Solo) há dois anos e, ao lançar, percebeu que a agenda dele e do grupo já não se encaixavam. "É um trabalho que apresenta um outro gênero, mais pop, com que Leandro sempre se identificou mais", explica Márcio. E agora, Lehart seguirá sozinho, mas sempre com um pé nos bastidores do Art Popular. Natural: foi através do grupo que o compositor firmou seu nome no mundo do samba, tornou-se campeão nacional de arrecadação de direitos autorais por execução (calcula-se que as músicas de Lehart toquem pelo menos 800 vezes por semana, Brasil afora - isso nas poucas rádios que pagam regularmente os direitos às editoras). Art Popular, o disco, vem para suceder mais um sucesso do grupo - o Acústico MTV, lançado em agosto do ano passado. O álbum ultrapassou as 250 mil cópias vendidas e garantiu a posição do grupo no mercado pagodeiro nacional. Com ou sem Leandro Lehart. "Ele é um grande líder, um cara que inspira todos nós e também o nosso compositor mais importante. Mas o grupo sabe muito bem caminhar sem ele. Ao mesmo tempo, sabemos também que sempre vamos poder contar com o Leandro", diz Márcio.



falando segredo


De volta às raízes
O primeiro CD do Art Popular foi O Canto da Razão, um trabalho independente lançado em 95 pelo selo Kascata's Records. Os discos seguintes tiveram pequenas dosagens de diferentes estilos: moda de viola, balada, tecno, salsa e axé. Mas sempre apresentaram um equilíbrio entre o samba romântico e o balanço. "Vamos trabalhando de acordo com o mercado, pois não podemos ficar na mesmice. Os fãs já estavam cobrando uma volta ao samba de raiz e este CD está bem tradicional", garante Márcio. A única faixa que destoa deste clima de sambão é Vai Tê Que Resolvê, um inusitado xote à moda Leandro Lehart. "É bom lembrar que no Sambapopbrasil (álbum de 1997 do grupo), gravamos Vermelhão, que também tinha essa raiz nordestina. Falo isso para não pensarem que a gente gravou este xote só por modismo", ressalta. Márcio diz também que, à exceção do triângulo, a música só tem instrumentos típicos de samba - sem sanfona ou zabumba à vista. E é justamente a valorização dos instrumentos a principal característica que leva este sétimo disco ao samba de raiz. Banjo, cavaco, repique, pandeiro e tantan, todos bem marcados, ressaltam a nova fase do grupo. O disco começa surpreendendo com os samples usados em Deixe Eu Ir à Luta. "Ah, isso foi idéia de produtor... A música fala do dia-a-dia das pessoas, que precisam partir para a batalha para não ficar mal pela vida. O efeito foi bem simples: sou eu cantando, enquando andava na rua com Leandro", explica Márcio. O sampler também foi utilizado na gingada Bate o Pandeiro (de Evandro): "Ali foi uma homenagem a Clementina de Jesus e Jovelina Pérola Negra", revela. Das faixas novas, Márcio destaca também a musicalidade diferente em "Casinha e luar" - "Para essa faixa, queríamos um arranjo que desse a impressão de uma música cantada ao ouvido de alguém" - e o solo do experiente Zeca do Trombone em Chora Chora: "Decidimos incluir uma versão com uma levada de gafieira, coisa que ninguém mais faz. Pensamos naquele pessoal de academia, nos que ensinam e aprendem a dançar o estilo", explica o vocalista.

O encarte do novo CD do Art Popular é uma novidade à parte. As letras estão cifradas e o visual dos integrantes está com um certo ar retrô. "Tcharlinho, que estuda cavaquinho, foi quem sugeriu que colocassemos as cifras, para facilitar as pessoas que tocam. Nossas músicas sempre foram campeãs no repertório de barzinhos e pagodes, só que o Leandro não ganha grana por essas execuções", brinca Márcio. Quanto ao novo estilo de vestuário, ele explica: "O nosso figurino é uma referência ao malandro das antigas, aquele que ia todo alinhado para o samba. Não tem nada a ver com gângster!", brinca Márcio. O Art Popular avisa que pretende lançar o CD não só em grandes casas de espetáculos, mas também e espaços de samba, principalmente no Rio, São Paulo e estados do Sul. "A estrutura do nosso show não mudou em nada. Continuamos com o mesmo pique de antes, as mesmas performances e loucos para cair na estrada", diz Márcio, animado.

fonte: Mônica Loureiro

délcio luiz

Foi com a intenção de contar a história de um jovem tímido e discreto que me deparei com um grande sonhador... Um compositor menino de nome "Délcio Luiz" que cantava MPB nas noites cariocas. Quando em 1987 recebeu o convite do grupo "Só Preto Sem Preconceito" para fazer parte de sua banda tocando "Cavaquinho". Seus sonhos cresciam junto com suas composições, quando no mesmo ano o grupo gravou "Por um Erro", seu primeiro sucesso, surgia então um grande músico e promessa de um grande compositor. A vida continuava a colocar surpresas em seu caminho, quando em meados de 90 recebeu o convite para fazer parte dos integrantes do "Grupo Raça" tocando Banjo e gravou "Dá África a Sapucaí", onde "Seja Mais Você" virou tema de novela e em pouco tempo suas obras estavam entre as mais executadas nas rádios, chegando a ter 9 delas tocando consecutivamente e por varias vezes dando nome ao álbum de outros artistas, desde então, é considerado um dos compositores mais gravados e executados do Brasil. Para ele não há fronteiras, nem preconceitos, o compositor tem que ter o dom da palavra seja ela qual for, será este o segredo? Com tanta garra e dedicação, a admiração na área Fonográfica crescia notoriamente, o que começou a proporcionar prêmios como "Troféu Imprensa", "Premio Sharp", "Antena de Ouro"... Com tanto destaque acabou fazendo a propaganda de verão da cerveja "Antártica".

Quando se dava por realizado como compositor somando mais de 300 músicas gravadas e como interprete, com Discos de Ouro, Platina e Platina Duplo, a gravadora BMG, onde estava cerca de 8 anos, lhe fez a proposta de gravar um trabalho solo, mas ele optou em montar seu próprio grupo, reunindo outros quatro integrantes e dando o sugestivo nome de Kiloucura, projeto abraçado e levado adiante pela gravadora por mais dois anos, interrompido apenas pelo convite para fazer parte da EMI Music, decisão que acabou por ser aceita, onde encontrou e formou mais amigos e admiradores de seu jeito simples de ser. Falando em sonhos novamente, hoje Délcio Luiz com mais de 11 Cds gravados, resolveu tomar novos rumos e projetar sua carreira de forma individual e para isso se despediu do projeto Kiloucura e com muita determinação começou a construir um novo momento em sua vida acompanhado pela Green Songs, que com certeza não será diferente da história de sucesso escrita até hoje.

"Então vá enfrente sonhador, em nome de toda obra que vem construindo, corra atrás de seus sonhos e desejos, faça com que momentos de nossa vida sejam marcados por sua sensibilidade e nos deixe cantar contigo suas canções!"

fonte: Claudia D. D´Aniello

jovelina pérola negra

A voz amarfanhada da pagodeira Jovelina Pérola Negra (1944-1998) tem estirpe e a coloca entre as grandes damas do samba, de Clementina de Jesus a D. Ivone Lara. Ex-empregada doméstica como Clementina, Jovelina Faria Belfort desfilava na ala das baianas do Império Serrano e ficou conhecida como partideira animando o Botequim da escola da Serrinha ao lado de Roberto Ribeiro e Jorginho do Império. Em 1985 escalou o pau-de-sebo (disco de diversos intérpretes iniciantes que serve como teste de popularidade) que projetou Zeca Pagodinho, entre outros. Embora em menor proporção que o colega, ela também estourou no mercado. Essa antologia empilha os melhores momentos (registrados no selo RGE) de uma carreira cortada subitamente por um enfarte dois anos atrás. No repertório de raiz , centrado no partido alto dos fundos de quintal movido a banjo e tantã, há desde outro sambista precocemente falecido, o Guará de Sorriso Aberto e Sonho Juvenil ao Nei Lopes de Camarão com Chuchu, o Mauro Diniz (filho de Monarco) de Malandro Também Chora e Passarinheiro Fanfarrão (com Monarco e Ratinho). Outros especialistas no estilo desalinhado do pagode (que punkiou o samba dos 80) entram na divisão esperta e bem humorada da autora de Feirinha da Pavuna e Peruca de Touro (com Carlito Cavalcanti) como Adilson Bispo (Confusão na Horta, com Zé Roberto e Simões PQD) e o Beto Sem Braço de Menina Você Bebeu, com Acyr Marques e o mesmo Arlindo Cruz (cuja mãe na época comandava um fundo de quintal básico em Cascadura) do clássico Bagaço da Laranja, que a cantora divide no gogó com o co-autor Zeca Pagodinho. O suprassumo do pagode na voz de sua diva sem pedestal.

> conceição da praia



conceição da praia
(luiz carlos máximo)

hoje eu vi
bater os tambores
e o teu nome a velejar
senti o odor das flores
perfumando em cores o mar
na beira da praia, na beira da praia
são tantas prendas pra te ofertar
minhas oferendas tem poesia
as mãos vazias pra acariciar
joguei ao ar, joguei ao ar
todas as palavras que fazem retornar
em gotas nos meus olhos
que deixo recair no mar


> download aqui
se gostarem, sugiro que adquira o álbum:
Renascença Samba Clube - Samba do Trabalhador (2005)

monsueto

Sambista que transitava por todas as escolas de samba sem ser diretamente vinculado a nenhuma, é o autor de sambas clássicos como "Mora na Filosofia" e "Me Deixa em Paz". Nascido no morro do Pinto, tocou como baterista em alguns conjuntos, inclusive no Copacabana Palace. Seu primeiro grande sucesso foi "Me Deixa em Paz" (com Airton Amorim), gravado em 1952 por Marília Batista. Em seguida outros intérpretes gravaram outras composições de sua autoria. Atuou também em cinema e na televisão, onde interpretava o popular personagem Comandante, na TV Rio. No fim da década de 60 passou a dedicar-se mais à pintura primitivista, participando de exposições e recebendo prêmios. Em 1970 participou da gravação de "Na Tonga da Milonga do Kabuletê", que marcou o início do êxito da dupla Toquinho/ Vinicius de Moraes. Depois de sua morte outros cantores e compositores regravaram suas músicas, dando a Monsueto o merecido destaque. Alaíde Costa gravou "Me Deixa em Paz" no disco "Clube da Esquina", de Milton Nascimento, Caetano Veloso gravou "Mora na Filosofia" no disco "Transa", e muitos outros.

> infeliz



infeliz
(candeia / catoni)

Infelizmente tu nasceste
Com o destino da Lua
Tu não és só para mim
És para todo aquele
Que anda na rua
Eu lhe quis fazer feliz
Mas você não quis
Me deixou na indecisão
Sofres com resignação
E por isso eu não sei
Se tu gostas de mim ou não
Jamais poderei esquecer
De todo o bem
Que eu queria lhe fazer
Mas assim foi você quem quis
Por favor pode ir embora
Passe bem, seja feliz


> download aqui
se gostarem, sugiro que adquira o álbum:
Luis Carlos da Vila - A Luz Do Vencedor (1998)

estácio de sá

Em sua bandeira, a Estácio de Sá carrega o nome do fundador da cidade do Rio de Janeiro, mas sua história se confunde, sobretudo, com a formação das escolas de samba. A explicação é simples: "Vem de lá, vem de lá", da região da Praça Onze, a origem da vermelha-e-branca. É a Deixa Falar, considerada por pesquisadores como a primeira de todas. É no Estácio, pertinho da Praça Onze, reduto do samba, da batucada e do candomblé, palco de personagens clássicos do mundo do samba como Tia Ciata, Donga e Sinhô, que nasceu a Deixa Falar, em 12 de agosto de 1928. Um dos seus fundadores é Ismael Silva, sambista de Niterói que se mudou ainda criança para a região do Rio Comprido na década de 20. Inicialmente, a Deixa Falar era bloco, mas logo se tornou escola de samba. A alcunha foi sugerida pelo próprio Ismael Silva, em analogia a uma escola normal que funcionava no bairro. Para ele, a Deixa Falar funcionava como um celeiro de "professores do samba". Como escola, a Deixa Falar desfilou pouco - apenas nos carnavais de 1929, 1930 e 1931. Nem chegou a participar do primeiro desfile oficial, organizado pelo jornal "Mundo Sportivo", em 1932. No entanto, foi referência para o surgimento de outras agremiações no Rio de Janeiro, inclusive no próprio morro de São Carlos, base da atual Estácio de Sá. Lá, foram fundadas outras escolas que faziam sua folia na disputa pelo título, como "Cada Ano Sae Melhor", "Vê se pode" (posteriormente "Recreio de São Carlos") e o "Paraíso das Morenas". Os laços, quase consangüíneos, falaram mais forte e, em 1955, essas escolas se uniram para formar a Unidos de São Carlos. Desde então, o efeito ioiô, aquele sobe-e-desce de grupos, pontuou a história da São Carlos, mas nem por isso deixou de fazer bonito no desfile principal. Dois exemplos são notórios e foram reeditados recentemente: "A festa do Círio de Nazaré", em 1975, e "Arte Negra na Legendária Bahia", de 1976, que revelou o talento do compositor e intérprete Dominguinhos do Estácio. Em 1983, mais uma mudança: a Unidos de São Carlos vira Estácio de Sá. Suas cores, antes azul-e-branca, voltam a referenciar a herança direta da Deixa Falar, e o "pavilhão do amor" balança novamente vermelho e branco. A troca no nome era para adequar a escola à sua comunidade, que já contava, na época, com integrantes e simpatizantes que iam além das fronteiras do Morro de São Carlos. Em sua nova fase, a Estácio, já no desfile principal, tomou características de uma escola leve, descontraída e irreverente, mas nunca emplacando uma posição de grande destaque - no máximo, o quarto lugar com a primeira versão de "O tititi do sapoti". Mas, em 1992, veio a surpresa que ninguém esperava. Quando todos davam como certo o título para a bicampeã Mocidade, o Leão corre por fora e abocanha o título, com o enredo "Paulicéia Desvairada, 70 anos de Modernismo no Brasil".


O Rugido do Leão, com Zeca da Cuíca, Dominguinhos, Mestre Esteves, Velha Guarda da Estácio, Wanderley Caramba, Simone e Sylvio Cunha. Produzido por Bogotá Filmes e Grupo Cultural Memória Berço do Samba.

acadêmicos do dendê

O G.R.E.S. Acadêmicos do Dendê se originou do antigo Bloco Unidos do Dendê, em 1965, depois da extinção do Bloco Unidos da Cova da Onça. Posteriormente, personalidades como Alcides, Moacir, Filinho, Tino, Benizário, Fizinho, China e Aurélio se reuniram na residência do Sr. Alcides localizada no Morro do Dendê afim de formar a nova Comissão de Carnaval. Dessa maneira foram escolhidos como presidente, tesoureiro, diretor de harmonia, carnavalesco e diretor de bateria ,respectivamente, os senhores Alcides, China, Moacir, Benizario e Tino. O bloco se tornou então, o grande campeão da categoria banho de mar a fantasia e em campeo-natos internos na Ilha do Governador. Um breve intervalo nas atividades do Unidos do Dendê contribuiu para o surgimento de dois novos blocos: Canarinhos e Falange. Em 1990, a união desses dois grupos daria um novo impulso ao carnaval da comunidade; formou-se com força total o Bloco de Embalo Unidos do Dendê. Nessa empreitada reuniram-se então, José Carlos, Jorge, Irani, Ubiraci de Oliveira, Marta Pereira, Val, Maria e João que com sua imensa contribuição para o sucesso do bloco o denominou como Bloco Carnavalesco Unidos do Dendê consagrando-se campeão em 1991. No ano seguinte o bloco alcançou o título de G.R.E.S. Acadêmicos do Dendê, tendo como cores o azul e o branco, que decoram o seu pavilhão.

[>] samba do trabalhador


Samba do Trabalhador no Clube Renascença (RJ)

[>] luiz carlos da vila e tempero carioca


Luiz Carlos da Vila canta acompanhado do Grupo Tempero Carioca.

do sal a oswaldo cruz

O Dia Nacional do Samba fica mais popular a cada ano. Os trens partem mais cheios e o bairro de Oswaldo Cruz fica cada vez mais lotado. Há quem reclame que muita gente que não gosta de samba embarca nos vagões por causa do estardalhaço do evento ou por causa da pegação. Faz sentido isso? Sim. Mas também faz sentido que muita gente que “marcava toca” anda abrindo a guarda pra cuíca e pro agogô. Quando se pisa pela primeira vez dentro daquele trem, não há quem não reconheça ou se deslumbre pelo poder que do samba. E, fora comemorar a data sagrada dos bambas, é também um dia para celebrar a amizade e contemplar as belas mulheres, por que não? Todo dia 2 de dezembro minha rota é a mesma. Primeiro a Pedra do Sal, depois Central do Brasil, local de assistir a algumas apresentações da nata do samba e, por fim, parto para Oswaldo Cruz, onde aporto na Roda do Buraco do Galo e como o melhor mocotó do mundo.

Neste ano, a Pedra estava melhor que nos anos anteriores. Local que no passado foi mercado de escravos e era “ponto de encontro de sambistas que trabalhavam como estivadores” – como diz a placa que tem lá. A energia é tremenda. Basta lembrar que João da Baiana e Pixinguinha se reuniam naquelas bandas. Quem marca ponto atualmente na Pedra são figuras como Camunguelo, Edinho Oliveira e a encantadora Márcia Moura. Camunga é flautista genial e toda vez que pega o microfone saúda o pessoal da estiva. “Parece uma entidade”, bem disse um amigo meu. Edinho, militante antigo do movimento negro e do samba, é quem comanda a roda, cantando, ciceroniano e explicando coisas da antiga. Márcia, sempre de branco e com sorriso aberto, castiga com seu partido-alto, contagiando quem é atingido por ele. Ao embarcar na Central, o samba é servido nos vagões no estilo self-service. Escolha o que lhe apetece, amigo. É muito batuque, ziriguidum, telecoteco. É palma da mão, é na garrafa d’água, na lata de cerveja. Ninguém fica parado. É aquele momento de gol no Maracanã, todo mundo é amigo. A pessoa do lado merece seu abraço, seu sorriso.

Se visto do alto a Mangueira mais parece o céu no chão, visto de cima Oswaldo Cruz é um verdadeiro chão de estrelas. Muitas rodas de samba. Muita comida. Difícil crer que as pessoas que estão chegando ali visitem o bairro em outras datas. O 2 de dezembro é desculpa para ir ao bairro de Paulo de Portela. Se você conhece a história de Seu Paulo, da Portela, Candeia e outros, a sensação de estar lá é melhor ainda. Ultimamente – principalmente depois deste blog - tenho travado muitas discussões sobre o que é samba. Se existe samba de raiz, se fulano pode cantar samba de sicrano, se vale a pena ou não fazer um disco com músicas que já foram gravadas mais de cem vezes. A conclusão que eu tiro disso tudo é que o que torna o samba tão singular, genial e belo é a sua simplicidade e seu poder de agregação. Como o das pessoas de Oswaldo Cruz.

Por: Thales Ramos

unidos da tijuca

Na época de sua fundação, as Escolas se apresentavam circundadas por uma corda, com carregadores de lampiões que iluminavam o cortejo carnavalesco e captavam recursos para o desfile com as famílias do bairro, que colaboravam financeiramente assinando o antigo “livro de ouro”. A Unidos da Tijuca saía com caramanchão de seis a oito paus, contendo flores, guirlandas e enfeites de papel crepom. Na frente, vinha um componente vestido de bicho: sapo, burrinha e, em 1936, ano em que sagrou-se campeã, um dragão. Este componente fazia a reverência, abrindo caminho entre o povo. Logo atrás, vinha um abre-alas com um menino carregando um cartaz. Depois, vinham os palhaços tico-tico, com bengalão e gaiola, fazendo graça para o público. Só então vinha uma comissão de frente trajando terno de cetim. Houve um ano em que veio uma moça de vestido longo, depois veio a fase do simbolismo nacionalista, com quatro damas antigas, cada uma vestindo uma cor da Bandeira Nacional. As baianas, vestidas de cetim e algodão, desfilavam pela lateral da agremiação em ala no formato de procissão, ocupando os espaços. A seguir, vinha o casal com o pavilhão bordado à mão em ouro e azul-pavão. Na seqüência, atrás do mestre-sala e da porta-bandeira, saíam pessoas formando o coro da Escola, que sustentava o canto, toda a diretoria e os ritmistas da bateria, com pandeiros, tamborins, cuícas, um surdo, um tarol, uma viola e um cavaquinho. Na década de 40 e 50 ocorreram dissidências e foram fundadas outras agremiações, como as extintas Estrela da Tijuca e Recreio da Mocidade, e a ainda existente Império da Tijuca, todas formadas por ex-integrantes da Unidos da Tijuca. A Escola passou então por crises internas e por muitas dificuldades e, em 1959, desceu para o segundo grupo, sofrendo um grande esvaziamento.

Nos anos 70, os dirigentes começaram a virar essa situação buscando gente nova para recuperar o prestígio da Escola. Com o assessoramento dos antigos e a comunicação com a comunidade a agremiação melhorou significativamente seus resultados nos concursos. Nessa época, outros artistas contribuíram com a ascensão da Escola. Dentre eles, Laíla (o da Beija-Flor) filiou-se à Unidos da Tijuca; Paulo César Cardoso apresentou enredos mais modernos e nacionalistas; e Renato Lage criou cenografias fantásticas aliando o tradicional ao moderno, fazendo com que, em 1980, a agremiação retornasse ao primeiro grupo, depois de 22 anos no grupo de acesso. Porém, nessa década, a Unidos da Tijuca passou outra vez por dificuldades e freqüentou alternadamente por mais dois anos o Grupo de Acesso, em 85 e em 87. A última vez em que foi rebaixada foi em 1998, quando apresentou enredo em homenagem ao navegador e time Vasco da Gama. Mas em 1999 deu a volta por cima no Acesso A, fazendo um brilhante carnaval com um sambas-enredo considerado um dos mais bonitos de todos os tempos: “O dono da Terra”, exaltando o índio brasileiro, sua cultura e lendas. Voltou ao Grupo Especial em 2000 com um grande desfile que a classificou entre as cinco melhores, permitindo seu retorno no Desfile das Campeãs. A partir de 2004, com a contratação do carnavalesco Paulo Barros, a Unidos da Tijuca surpreendeu e conquistou o público e a imprensa, garantindo o seu lugar entre as primeiras colocadas, apresentando a cada ano magníficos e admiráveis carnavais. Ocorre, então, o resgate da auto-estima do tijucano que participa mais de sua Escola, ao mesmo tempo em que a agremiação ganha outros e novos adeptos, passando a ser vista por todos com o merecido reconhecimento e respeito do mundo do samba. A Unidos da Tijuca se estruturou e se solidificou, sendo hoje uma das Escolas mais aguardadas da Sapucaí. Aplaudida pelo público e pela imprensa, passou a integrar, consecutivamente, o elenco das Escolas do desfile das campeãs, disputando ano a ano o título do Carnaval carioca. Nossa Escola obteve uma excelente colocação em 2007 (4º lugar), com o enredo sobre a fotografia, de Luiz Carlos Bruno – há 27 anos fazendo parte da família tijucana e que, a partir de 2006, passou a acumular as funções de Carnavalesco e Diretor de Carnaval, dividindo a parte plástica com Lane Santana. Em 2008, Bruno, como é conhecido na agremiação, assina sozinho o Carnaval com mais um enredo inédito de sua autoria, no qual aborda a importância histórica e cultural das coleções e dos colecionadores.

Não é por acaso que a Unidos da Tijuca tem o pavão real como símbolo e o azul e o amarelo ouro como cores. Existem duas histórias que justificam a adoção desta identificação por nossa agremiação. Contam que, na época de sua fundação, a Escola primeiramente adotou como símbolo o emblema representando mãos entrelaçadas em união com o ramo de café, em referência à Tijuca antiga com suas plantações. As cores amarelo ouro e azul-pavão foram adotadas da Casa de Bragança, cores usadas na Corte Imperial e que significavam prova de bom gosto em suas vestimentas. Ambos, símbolo e cores, atribuídos como idéias de Bento Vasconcelos, um dos principais fundadores da Unidos da Tijuca. Outra vertente registra que, em 1931, existia no sopé do morro do Borel a “Grande Fábrica de Cigarros, Fumos e Rapé de Borel & Cia”. A vistosa figura de um pavão-real, nas cores azul e amarelo ouro, estampava as embalagens de alguns produtos dessa fábrica e tabacaria. No dia 31 de dezembro desse mesmo ano, ali perto, na subida da Rua São Miguel, homens e mulheres, moradores do local e adjacências, fundaram o Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos da Tijuca, adotando o pavão como símbolo e as cores azul e amarelo ouro, em referência ao logotipo identificador daquela empresa de cigarros do local. Mas para a inclusão do pavão como símbolo tijucano no carro Abre-Alas da agremiação há outra história: Em 1983, entre os meses de agosto e setembro, na disputa de samba-enredo para o Carnaval de 1984, a Escola se preparava para abrir o desfile do Grupo Especial, inaugurando, assim, o Sambódromo. O pavão já figurava como símbolo chamativo com as cores da agremiação em camisetas com propaganda do enredo daquele ano “Salamaleikum, a epopéia dos insubmissos malês”. Consta que o compositor Carlinhos Melodia sugeriu ao então Presidente Luis Carlos Cruz que fosse colocado o pavão no abre-alas, pois enquanto as outras Escolas tinham aves e outros animais vistosos chamando a atenção do público, o antigo símbolo da Tijuca – duas mãos entrelaçadas e circundadas por dois ramos, um de café e outro de fumo, com as letras UT, abreviação de Unidos da Tijuca – trazia um símbolo de sofrimento e de resistência. A partir daí, atendendo a sugestão do compositor, a Unidos da Tijuca substituiu o símbolo anterior da agremiação, e em 1984 entrou pela primeira vez na Avenida com o pavão como símbolo maior tijucano.

Memórias do Carnaval

acadêmicos do salgueiro

HISTÓRIA - Desde o surgimento de um cotidiano no morro do Salgueiro, os moradores já mostravam sua musicalidade e tinham muito orgulho dos sambas que compunham. Era uma vida marcada pela altura do morro de pedra ainda bruta, mas com uma vista privilegiada da cidade. Um mar de luzes que virou inspiração para a criação de sambas na volta do trabalho. Carnavalesco por natureza, o morro chegou a abrigar mais de dez blocos, entre eles o Capricho do Salgueiro, Flor dos Camiseiros, Terreiro Grande, Príncipe da Floresta, Pedra Lisa, Unidos da Grota e Voz do Salgueiro. Todos com um grande número de componentes que desciam do morro para brincar na Praça Saenz Peña e nas famosas batalhas de confete da Rua Dona Zulmira, onde o Salgueiro era respeitado pelo talento de seus compositores e mostrava a todos que já era uma verdadeira academia de samba. Era lá em cima, no morro do Salgueiro que, ainda nos anos 30, Dona Alice Maria de Lourdes do Nascimento, conhecida com Dona Alice da Tendinha, passou a organizar um corpo de jurados para premiar os blocos que desfilavam no morro. A cada ano o desfile ficava mais animado e reunia moradores de outros morros e bairros, atraídos pela qualidade dos sambas feitos no Salgueiro. Clique para ampliarDa fragmentação do samba do morro em vários blocos surgiu a união e nasceram três escolas de samba no Salgueiro: Unidos do Salgueiro, de cores azul e rosa, a Azul e Branco e a alviverde Depois Eu Digo. A escola de samba Azul e Branco teve como figuras principais Antenor Gargalhada, o português Eduardo Teixeira, e o italiano Paolino Santoro, o Italianinho do Salgueiro. A ala de baianas da escola era uma das maiores da cidade e abrigava personagens como as jovens Maria Romana, Neném do Buzunga, Zezé e Doninha. A Unidos do Salgueiro foi formada pela união de dois dos mais importantes blocos do morro: Capricho do Salgueiro e Terreiro Grande. A figura dominante da escola era Joaquim Casemiro, mais conhecido como Calça Larga. Líder no morro e bem articulado politicamente, Calça Larga organizava as rodas de samba, passeios, piqueniques em Paquetá e tudo o que fosse possível para unir a comunidade do morro. Reunindo um grupo de sambistas talentosos, a Depois Eu Digo se transformou em escola de samba em 1934 e abrigava em suas fileiras nomes como Pedro Ceciliano, o Peru, Paulino de Oliveira, Mané Macaco, entre outros. Nas três escolas iam surgindo talentosos compositores, verdadeiros gênios musicais, como Geraldo Babão, Guará, Iracy Serra, Noel Rosa de Oliveira, Duduca, Geraldo, Abelardo, Bala, Anescarzinho, Antenor Gargalhada e Djalma Sabiá. Homens que enriqueceram o cenário musical brasileiro e construíram uma obra original para as escolas de samba do morro.

Foram as canções inspiradas desses bambas que fizeram com que o Salgueiro passasse a ser respeitado por todas as demais escolas de samba. Mesmo com a qualidade de seus compositores, o Salgueiro, com suas três escolas, não conseguia ameaçar o predomínio das maiores escolas de então - Mangueira, Portela e Império Serrano. Os sambistas de outros morros respeitavam os salgueirenses e citavam seus compositores, passistas e batuqueiros como o que havia de melhor no mundo samba. Mas, nos desfiles da Praça XI ... nada acontecia. Componentes e baterias das três escolas se juntaram somando cores e bandeiras e arrastando o povo para a Praça Saenz Peña. Foi o estopim para a fusão. Depois de algumas reuniões em que foram decididos o nome e as cores da nova escola do morro, em 5 de março de 1953, os componentes da Depois Eu Digo e da Azul e Branco se uniram fundaram o Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, com as cores vermelho e branco, uma combinação que já era a quebra de um tabu, uma vez que, naquela época todos achavam que "crioulo com roupa vermelha parecia o demônio". A Unidos do Salgueiro desapareceu anos depois e seus integrantes se juntaram aos Acadêmicos do Salgueiro.A QUADRA - Inicialmente, a quadra de ensaios do Salgueiro - quadra Casemiro Calça Larga - ficava na subida do Morro do Salgueiro. Com o sucesso da escola na década de 60, seus ensaios, antes freqüentados apenas pelos moradores do morro e por componentes da escola, passaram a contar com a presença da classe média do Rio de Janeiro e de turistas, que se aventuravam a subir o morro para apreciar os espetáculos dados por Paula, Isabel Valença, Narcisa, Roxinha, Vitamina, Damásio e outros, os verdadeiros artistas do Salgueiro. Como a pequena quadra, sem infra-estrutura, já não comportava mais tanta gente, na metade da década surgiu a idéia de "descer a escola para o asfalto" e realizar os ensaios em um local maior e de mais fácil acesso. A saída foi alugar a quadra de esportes do Maxwell Esporte Clube, em Vila Isabel. A proximidade das eleições da escola em 1976 mobilizou toda a escola e uma das plataformas de um dos candidatos, Euclides Pannar, o China Cabeça Branca, era justamente dar uma quadra de ensaios e uma sede própria à escola. Vencedor nas eleições, China cumpriu sua promessa. Sabedor da briga judicial entre o Confiança Atlético Clube e o Grupo Abdala pela posse do terreno onde ficava o Clube, na Rua Silva Teles, 104. China juntou-se ao Confiança e, juntos, ganharam a liminar. Em troca do apoio, o Confiança cedeu parte do terreno à escola, que, ganhava, assim, sua sede. Os componentes da escola se uniram em mutirão e construíram a sede da escola. No dia 3 de outubro de 1976 a nação vermelha e branca inaugurava a quadra e sede da escola, considerada uma das melhores da cidade e motivo de orgulho para todos salgueirenses. A escola passou a utilizar a quadra, mas uma briga judicial continuou nos anos seguintes se arrastando por quase 30 anos. Em uma ocasião, às vésperas do carnaval de 1995, a escola chegou até a ser despejada, tendo que ensaiar na rua. Em 2004, porém, o Salgueiro, recebeu, da prefeitura da cidade, o Termo de Permissão de uso do terreno para desenvolver suas atividades culturais e esportivas, o que assegurou à escola um espaço permanente para seus ensaios e projetos sócio-culturais.

memórias do carnaval

monarco

Monarco está entre os compositores mais respeitados da sua geração. E, mesmo sendo um dos mais jovens integrantes da Velha Guarda da Portela é autor de músicas que foram sucessos nas vozes de Martinho da Vila (Tudo menos Amor), Paulinho da Viola (Passado de Glória) e Clara Nunes (Rancho da Primavera). Monarco da Portela é o nome artístico do carioca Hildemar Diniz, que tem 66 anos de idade e 50 anos de samba, e sua geração tende a se perpetuar no samba, pois além do filho, o grande maestro Mauro Diniz, de 45 anos de idade, tem o Marcos Diniz com 35 anos de idade, que também é compositor. Os filhos seguem a tradição de Monarco e seus parceiros da antiga, todos já falecidos: Alcides Dias Lopes(o Malandro Histórico da Portela), Chico Santana, Manacea e Mijinha, Candeia. Atualmente seu parceiro mais constante é o Ratinho de Pilares, com quem fez: Coração em Desalinho, Tudo Menos Amor, e Vai Vadiar; com o filho Mauro Diniz, compôs entre outros sambas, um belíssimo que por sinal esta no CD do "Quinteto Em Branco e Preto", o samba "Nem Pensar em Te Perder", que se a mídia prestar atenção com certeza será outro grande sucesso do Mestre Monarco e Mauro Diniz. Nestas cinco décadas gravou apenas quatro discos, mas que foram lançados também na Europa, Japão e Estados Unidos. Seu ultimo CD, "A Voz do Samba", lançado pelo selo Kuarup, em 1995, lhe rendeu um prêmio Sharp de melhor cantor do gênero. Todos os grandes intérpretes do samba gravaram músicas do Monarco. Entre eles: João Nogueira, Roberto Ribeiro, Paulinho da Viola, Clara Nunes, Maria Creuza, Beth Carvalho e Zeca Pagodinho, cujo primeiro grande sucesso aliás foi "Coração em Desalinho". Sua música exibe a forma tradicional dos autênticos sambas de terreiro ou samba de raiz, como o próprio compositor gosta de classificá-la. A linha melódica dolente é prato cheio para expor o belo registro vocal grave que possui. No repertório constam músicas suas como: Quitandeiro, Tudo Menos Amor, O lenço, Passado de Glória, Vai Vadiar. Em 1999 a cantora Marisa Monte Produziu o CD Tudo Azul com a Velha Guarda da Portela, com participação de Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho. Este disco contém pérolas dos grande mestres da Azul e Branco de Madureira, Monarco incluído.

Monarco canta sucessos na Feijoada da Portela.

> tá perdoado



tá perdoado
(arlindo cruz / franco)

defumei o corredor,
perfumei o elevador
pra tirar de vez o mau olhado
a saudade me esquentou
consertei o ventilador
pro teu corpo não ficar suado
nessa onda de calor
eu até peguei uma cor
tô com o corpo todo bronzeado

seja do jeito que for
eu te juro meu amor
se quiser voltar, tá perdoado

fui a pé a salvador
de joelho ao redentor
pra ver nosso amor abençoado
nosso lar se enfeitou
a esperança germinou
ah, tem muita flor
pra todo lado
pra curar a minha dor
procurei um bom doutor
me mandou beijar teu beijo
mais molhado

seja do jeito que for
eu te juro, meu amor,
se quiser voltar, tá perdoado

e se voltar te dou café
preliminar com cafuné
pra deixar teu dia mais gostoso
pode almoçar o que quiser,
e repetir,
te dou colher
faz daquele jeito carinhoso
deixa pintar o entardecer
e o sol brincar de se esconder
tarde e chuva
eu fico mais fogosa
e vai ficando pro jantar
tu vai ver só,
pode esperar
que a noite será maravilhosa


> download aqui
se gostarem, sugiro que adquira o álbum:
Maria Rita - Samba Meu (2007)

alcione

Alcione Nazaré nasceu em São Luís, MA, em 21 de novembro de 1947. O pai, João Carlos Dias Nazareth, foi mestre de banda da Polícia Militar de São Luís do Maranhão e professor de música. Foi ele quem lhe ensinou, ainda cedo, a tocar diversos instrumentos de sopro, como o clarinete, que começou a estudar aos 13 anos. Com essa idade, tocava e cantava em festas de amigos e familiares. Sua primeira apresentação foi aos 12 anos, na Orquestra Jazz Guarani, da qual seu pai era integrante. Certa noite, o crooner da orquestra ficou rouco, sendo substituído pela menina, que, mais tarde, ficou conhecida como "Marrom". Na ocasião cantou com sucesso a música "Palma branca" e o fado "Ai, Mouraria". Formou-se como professora primária e continuou a se dedicar à música, tendo apresentado-se na TV do Maranhão, nos anos de 1965 e 1966. Em 1968 mudou-se para o Rio de Janeiro indo trabalhar em uma loja de discos. Começou cantando na noite, levada pelo cantor Everardo, que ensaiava no Little Club, boate situada no conhecido Beco das Garrafas, reduto histórico do nascimento da bossa nova, em Copacabana. Destacou-se ao vencer as duas primeiras eliminatórias do programa "A Grande Chance", de Flávio Cavalcanti. Nessa mesma época, assinou o primeiro contrato profissional com a TV Excelsior, apresentando-se no programa "Sendas do Sucesso". Depois de seis meses nessa emissora, realizou uma turnê de quatro meses pela América Latina. Em 1970, viajou também à Europa, onde ficou por dois anos, principalmente na Itália. Nessa época, costumava apresentar-se com o cantor Emílio Santiago, na boate "Preto 22", de Flávio Cavalcanti, em Ipanema, Rio de Janeiro. Em meados dos anos 70, foi para São Paulo apresentar-se no "Blow-up", onde conheceu o cantor Jair Rodrigues, que a levou para a gravadora PolyGram, na qual no ano de 1972 gravou o primeiro compacto simples, no qual constavam "Figa de Guiné" (Reginaldo Bessa e Nei Lopes) e "O sonho acabou".


Alcione canta "Parabéns Pra Você" junto com o Grupo Fundo de Quintal.

luiz ayrão

Luiz Gonzaga Kedi Ayrão (19/1/1942 - Rio de Janeiro, RJ). Cantor. Compositor. Escritor. Nasceu no bairro do Lins de Vasconcelos, no Rio de Janeiro. Filho do músico e compositor Darcy (1915-1955). Cresceu em ambiente musical, o bisavô era músico e o avô, Artur da Silva Ayrão, estudou música no internato Escola Quinze de Novembro e na Escola Militar de Realengo na década de 1880, tornando-se maestro e professor. Na casa de um tio de seu pai, Juca de Azevedo, saxofonista, costumavam freqüentar Pixinguinha e João da Baiana, que tocavam composições do maestro e professor Ayrão. O pai Darcy, ex-atleta (natação e salto com vara) ganhou alguns títulos cariocas como militar. Seu primo Zeny de Azevedo, conhecido como Algodão, foi por várias vezes campeão de basquetebol pelo Flamengo e ainda capitão da seleção brasileira, sagrando-se campeão mundial em 1959. Outro tio de nome Audary e de pseudônimo Ayrão Reis, teve sucessos gravados por Blecaute "Ai, ai meu sinhô..." e por Adelaide Chiozzo que gravou "Lá vem o seu Tenório". Outro membro da família, o ex-jogador Moser, atuou também pelo Flamengo, sagrando-se por ele, campeão mundial interclubes. Aos cinco anos de idade começou a compor suas primeiras músicas e a cantar "Escreve-me", uma canção de sucesso da época. Aos 11 anos compôs "Nunca te esquecerei". Com o falecimento do pai teve que trabalhar em várias profissões, entre elas, guia de cego, engraxate, vendedor de bebidas e de condimentos. Aos 20 anos entrou para o Bank of London, onde trabalhou por dois anos. Por essa época, através de seu tio compositor, conheceu vários artistas de renome, entre eles, Ataulfo Alves, Humberto Teixeira, Oswaldo Santiago e Alcyr Pires Vermelho. Formou-se em Direito e atuou durante alguns anos na profissão de Advogado e Procurador do BEG - Banco do Estado da Guanabara. Pertenceu a Ala de compositores da Portela e posteriormente integrou a Diretoria da Escola. De autoria de seu pai, gravou a composição "Meu anjo", composta e dedicada a sua mãe Sylvia (1919-1977), que tocava violino. No ano 2000 lançou o romance "O país dos meus anjos" (Editora Record/Nova Era). Teve algumas músicas censuradas nas décadas de 1960 e 70, entre elas, a marcha "Liberdade! Liberdade", o choro "Meu caro amigo Chico", dedicado a Chico Buarque e ainda "Treze anos", que teve de ser rebatizada por "O divórcio", para burlar a censura. Assinou também com vários pseudônimos, entre eles, Joãozinho da Rocinha, Paulinho da Bioquímica, Mercier e João de Deus.

Em 1963 teve sua primeira composição gravada, "Só por amor", interpretada por Roberto Carlos. Logo depois, Roberto Carlos também viria a gravar, no ano de 1966, "Nossa canção", considerado o primeiro sucesso romântico do cantor. Por essa época, compôs várias músicas que foram gravadas por diversos artistas da Jovem-Guarda. Em 1968 participou do festival "O Brasil canta no Rio", da TV Excelsior, com a composição "Liberdade! liberdade...". No ano seguinte, a convite de Rildo Hora e Romeu Nunes, a música foi lançada em compacto simples pela RCA Victor, tendo no lado B outra composição sua, "Canta menina". Pela mesma gravadora lançou mais três compactos simples com as músicas "Vou" e "Duvido...duvido..."; "Igreja vazia" e "Às margens do rio"; "Hoje está fazendo um mês" e "Foi a noite"; "Sozinho na multidão" e "Seis e dez" e por fim um compacto com o samba "Puxa que luxo!", de sua autoria, tendo do outro lado do disco Picolino da Portela interpretando um samba da autoria do próprio Picolino. Em 1970 Cyro Monteiro, no disco "Alô jovens - Ilmo - Cyro Monteiro canta sambas dos sobrinhos", gravou de sua autoria "Por isso eu canto assim". Neste mesmo ano Roberto Carlos interpretou "Ciúme de você". No ano de 1973 gravou um compacto simples com a música "Porta aberta", considerado seu primeiro sucesso como cantor. Um mês e meio depois, devido ao grande sucesso do compacto, a gravadora Odeon lançou em 1974 seu primeiro LP, do qual se destacaram as faixas "No silêncio da Madrugada" e "Porta aberta", composição de sua autoria em homenagem à Portela. No ano seguinte, pela mesma gravadora, lançou o disco "Missão", despontando com os sucessos nacionais "Bola dividida", de sua autoria, e ainda "Saudade da República", de Artúlio Reis. Por essa época, mudou-se com a família para São Paulo e passou a cantar na Catedral do Samba, uma das principais casas da noite paulista, dividindo o palco com Pery Ribeiro e Leny Andrade. Ainda em São Paulo, como empresário, fundou três casas de shows de sucesso: Canecão Anhembi, Sinhá Moça e Modelo da Liberdade, nas quais se apresentaram Roberto Carlos, Elis Regina, Simone, Chico Anísio, Amália Rodrigues, Martinho da Vila, Clara Nunes, Cauby Peixoto, Ângela Maria, Isaurinha Garcia, Jair Rodrigues, Silvio Caldas, Nelson Gonçalves, Inezita Barroso, Adoniran Barbosa, Os Demônios da Garoa, Os Cantores de Ébano, Lana Bittencourt, entre outros. Em 1976 regravou "Nossa canção" no LP "Luiz Ayrão", no qual também foram incluídas de sua autoria, "Conto até dez", "Reencontro", "A viúva", "Bola pra frente", "Um samba merece respeito", "O lobo da madrugada" e ainda "No quilombo da negra cafuza" e "Lendas e mistérios de um coração", ambas da dupla Totonho e Paulinho Rezende. Deste LP, destacou-se também "Quero que volte", permanecendo por mais de um ano nas paradas de sucesso. Em 1977 gravou novo LP, destacando-se o choro "Meu caro amigo Chico", no qual fez uma resposta musical ao também choro "Meu caro amigo", de Francis Hime e Chico Buarque. Ainda deste disco a faixa "O que que há Portela", de autoria de Tiãozinho Poeta, (um dos seus pseudônimos) alcançou sucesso não só na quadra da escola como também em várias emissoras. Outras composições de sua autoria, entre elas, "O Divórcio" (Treze anos) e "Os amantes", também alcançaram sucesso. Mas a polêmica que envolveu o lançamento do disco foi mesmo por causa da faixa "Mulher à brasileira", samba-enredo com o qual havia chegado às finais na escolha de samba na Portela para o desfile do ano seguinte, sendo o samba aclamado pelo povo na quadra da escola e muito divulgado nas emissoras de rádio, inclusive, cantado pela multidão presente nas arquibancadas superlotadas na hora do desfile, o que causou um certo desconforto para a 'vencedora-oficial' no desfile de 1978. Neste mesmo ano de 1978 gravou o LP "O povo canta", no qual interpretou de sua autoria "Jogo perigoso", além de "Amor dividido" e "Violão afinado", ambas em parceria com Sidney da Conceição, além da faixa-título, também parceria de ambos. No disco incluiu ainda "Meu anjo", composição que seu pai fizera em homenagem à sua mãe Sylvia.

No LP "Amigos", de 1979, interpretou um de seus maiores sucesso, a composição "A saudade que ficou - o lencinho", de Joãozinho da Rocinha (outro de seus pseudônimos) e Elzo Augusto. Na faixa contou com a participação especial do coral dos Canarinhos de Petrópolis. Destacou-se também neste disco a faixa "Escola de samba", de sua autoria. No ano seguinte, 1980, incluiu no novo disco as composições "De amigo pra amigo" (c/ Picolino da Portela), "Coração solitário" (c/ Lourenço), "Moradia" (c/ Belizário César), "Súbita paixão" (c/ Higino Tadeu), "Eu vou te procurar" (c/ Augusto César) e "Casados", em parceria com Sidney da Conceição e Augusto César. O sucesso deste LP foi o samba "Bonequinha" de João de Deus (pseudônimo de Ayrão e Doquinha). Neste mesmo ano de 1980 lançou para o mercado latino o LP "Los amantes" alcançando sucesso em vários países da América Latina. No ano de 1981, no disco "Coração criança", contou com a participação especial das Meninas Cantoras de Petrópolis na faixa-título, parceria com Sidney da Conceição. Destacou-se desse LP a marcha para a seleção brasileira de futebol "Meu canarinho", premiada com "Disco de Platina". Dois anos depois, no disco "Quem não tem esperança não tem horizonte", incluiu, entre outras, "Saudade bem-vinda" (c/ Élcio Costa), "Boas palavras" (c/ Roberto Corrêa e Sidney da Conceição) e "Volta pra mim", em parceria com Augusto César. Deste LP, destacou-se o samba "Águia na cabeça", composta em parceria com Sidney da Conceição em homenagem à Portela. Nos anos de 1984 e 1985 lançou, pela gravadora Copacabana, os discos "Alegria geral" e "Samba na crista", respectivamente. Em 1987, desta vez pela gravadora Continental, gravou o LP "Luiz Ayrão de todos os cantos", destacando-se a faixa-título em parceria com Freire da Nenê, e ainda de sua autoria "Amanheci", com a participação especial do grupo Pagodeiros da Barra. No ano de 1990 Zizi Possi regravou "Ciúme de você". Neste mesmo ano lançou mais um disco pela gravadora Flama. Deste LP destacou-se como a faixa "Separados", de sua autoria. Em 1994 a banda Raça Negra regravou "Ciúme de você". Dois anos depois a gravadora EMI/Odeon lançou uma coletânea de seus sucessos pela coleção "Meus momentos". No ano de 1999 a mesma gravadora lançou, pela coleção "Raízes do samba", outra coletânea com alguns de seus sucessos, entre eles "Porta aberta" e "No silêncio da madrugada", ambas de sua autoria e ainda "Quero que volte" (Palinha e Pinto) e "Saudades da República", de autoria de Artúlio Reis. Neste mesmo ano de 1999 a banda Raça Negra gravou pela segunda vez a música "Ciúme de você". Em 2003 lançou o CD "Intérprete", no qual incluiu alguns clássicos da MPB, entre eles "As rosas não falam" (Cartola), "Carinhoso" (Pixinguinha e João de Barro), "Último desejo" (Noel Rosa), "Risque" (Ary Barroso), "Caminhemos" (Herivelto Martins), "Lábios que beijei" (J. Cascata e Leonel Azevedo) e "Ouça", de Maysa. Neste mesmo ano a cantora Vanessa da Mata regravou "Nossa canção", incluída na trilha sonora da novela "Celebridade" (de Gilberto Braga), da Rede Globo. A mesma composição foi também incluída na segunda tiragem do disco de Vanessa da Mata, relançado neste ano pela gravadora Sony Music. Ainda neste ano Maria Bethânia, no CD "Maricotinha ao vivo", regravou com sucesso "Nossa canção". Em 2004 a gravadora Sony Music lançou a coletânea "20 supersucessos - Luiz Ayrão". Ainda no mesmo ano gravou o primeiro disco ao vivo no Teatro Miguel Falabella, no Rio de Janeiro, no qual incluiu alguns de seus sucessos: "Nossa canção", "Bola dividida" e "Porta aberta", todas de sua autoria, e "Os amantes" (Sidney da Conceição, Augusto César e Lourenço), "A saudade que ficou - O lencinho", além de sete músicas inéditas. Em 2005 recebeu uma homenagem no "Programa Domingão do Faustão", da Rede Globo, e comemorou o show de número 5 mil de carreira, na qual ganhou discos de "Platina" e "Ouro", por suas expressivas vendagens.

clube renascença

O lugar é especial, foi fundado no final dos anos 50 como um lugar de divertimento e afirmação negra. O clube tem um pátio com uma grande Caramboleira que tem dado frutas, que caem maduras para deleite do público e dos sambistas. Toda segunda-feira Moacyr Luz comanda uma das melhores rodas da cidade, o Samba do Trabalhador. O local é o Clube Renacença, um antigo reduto do movimento negro. O Clube Renascença está totalmente "ressucitado" e é ainda mais antigo do que o velho Cacique de Ramos. Frequentam a roda muitos dos melhores sambistas cariocas. Além do poeta Moacyr Luz, marcam presença Toninho Gerais, Ivan Milanez, mestre Trambique, entre outros. Nas segundas tem prato especial, preparado por Paulinho "Chiclete", diretor do Clube (o almoço sai a R$ 5,00). Treze músicos integram a roda. Alguns nomes de talento que fazem parte da roda: Abel Luiz, Gabriel Cavalcante, Vladimir Silva, Jorge Alexandre na percussão e muitos outros.

aniversário de gigi do cavaco