> Fogueira de Uma Paixão



Fogueira de Uma Paixão
(Luíz Carlos da Vila / Arlindo Cruz / Acyr Marques)

Todos os galos cantaram........eu sonhei
Todas as chuvas caíram........com você
Todos os galos gritaram........e nem quis
Todos os ovos frigiram........acordar
Todas as camas rangeram........sonho bom

Teu corpo nu só dormia........de sonhar
Ao lado o meu fervilhava........mas amor
Na madrugada tão fria........deixa estar
Sem saber se lhe acordava........eu sonhei
Ou se lhe possuía........e não foi

Mas com você eu sonhava........sonho em vão
Pois no teu sonho eu queria........padeci
Ter com você uma vaga........ilusão
No leito que se ilumina
Com a fogueira de uma paixão
E nesse vai ou não vai
Fiquei meio sem direção

Cometa que passou bem longe
Dos olhos da multidão
Se fez manhã dormi
Mas antes eu senti
Você tocar em mim
Já não dava não




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Leci Brandão - Eu Sou Assim (Ao Vivo) - 2000

walter rosa

Nascido em 05 de março de 1925, no Rio De Janeiro, no bairro do Meier,aos oito anos entrou em contato com o samba, quando freqüentava o Bloco Carnavalesco Filhos do Deserto, no morro da Cachoeirinha. Lá encontrou Zinco,seu professor, dono de belíssima e possante voz que gozava de grande prestígio entre seus colegas compositores e morreu tuberculoso e em dificuldades financeiras, só conseguindo condições para tratamento num hospital através da luta do seu amigo e discípulo Walter Rosa, que era um dos maiores conhecedores e divulgadores de seus sambas. Walter aprendeu a tocar instrumento de corda e em seguida começou a compor. Em 1942 mudou-se para o Bloco Recreio de Inhaúma, onde conheceu Paulo da Portela e outros compositores, que faziam cordiais e costumeiras visitas, ocasionando daquele contato seu ingresso no GRES Portela, onde passou a integrar a ala dos compositores. A Portela foi campeã do carnaval de 1953 com o enredo "Seis Datas Magnas" de Lino Manuel dos Reis, barracão de Lino,Paulinho e Pinduca, samba de Candeia e Altair Prego, conquistando 400 pontos obtendo nota máxima em todos os quesitos; o samba mais cantado na quadra, nesta época, era "Boa Noite, Cidade Maravilhosa" de Walter Rosa.

Em 1955 Walter resolveu homenagear respeitáveis compositores, de Zinco dos Filhos do Deserto a Chatim da Portela; compôs o samba "Confraternização", que fez muito sucesso entre os sambistas, sendo cantado em todas rodas de samba; entusiasmado com a aceitação de sua composição, resolveu fazer, em 1957, nova homenagem, compondo "Celebração nº2", que sofreu uma nova versão onde ele cita o samba-enredo cantado pelo Salgueiro em 1963, "Chica da Silva" e "Semente do Samba" de Hélio Cabral, gravado por Clementina de Jesus em 1965. "Confraternização nº 3", composto em 1959, foi criado em decorrência da mágoa demonstrada por alguns sambistas por não terem sido citados nas homenagens anteriores, tendo inclusive o compositor Mazinho, da Portela, feito um samba resposta a Walter Rosa, cuja letra saiu publicada num jornal da cidade, fazendo com que Walter dissesse em seu samba: "muitos ficaram aborrecidos" e "levaram a cópia do original/Da Confraternização nº 1/ Ao conhecimento de um jornal"; este samba também sofreu uma nova versão com as citações ao samba "Sei lá Mangueira", lançado no Festival da TV-Record de 1968, e a Martinho da Vila que despontava e era bastante admirado por seus colegas nas reuniões realizadas as sextas-feiras, na Associação das Escolas de Samba, na rua Joaquim Palhares, no Estácio/RJ.

Na década de 60, quando teve três de seus sambas-enredos campeões na disputa da Portela: 1960, com o enredo "Rio, capital eterna do samba", que tirou nota máxima em todos os quesitos, causando sensação o 1º carro alegórico elaborado pelo carnavalesco Djalma Vogue, que representava "O MOrro de Santo Antonio" e a sua demolição, quando o carro chegou em frente ao palanque da comissão julgadora, o morro começou a desarmar para então surgir a cidade como era naquela época, com os edifícios da Central do Brasil, Ministério da Guerra, a Mesbla, A Noite, a Biblioteca Nacional,etc.; em 1961, com "Jóias das Lendas Brasileiras" enredo de Djalma Vogue, e, em 1963, com "Exaltação ao Barão de Mauá", enredo de Nilton, Oreba, Peres E Finfas, o 1º carro alegórico: "O Arsenal" com incêndio em Ponta da Areia, explosão da Caldeira, que deveria acontecer em frente ao jurado Armando Shomoon que julgava o quesito Alegorias e Adereços, foi objeto de um fato inusitado: quando a Alegoria passou em frente à cabine do jurado, Natal gritou: "Acende o pavio! Acende o pavio!, ninguém queria acender até que apareceu um corajoso, foi uma correria geral na escola, até o jurado se mandou da cabine de julgamento.

O único sambista que rivalizava em prestígio com Walter Rosa na Portela era Candeia, que tinha a maior admiração pelo parceiro. Walter era protagonista de algumas das mais interessantes histórias vividas na Portela, dentre elas uma ocorrida durante um bate-boca numa reunião da ala dos compositores da escola, ele definiu a cena assim: "Isso não pode acontecer na Portela. Olhe só o chão salpicado de poetas". Foi um dos fundadores da Acadêmicos do Engenho da Rainha. Em 1966 participou do show "Fina Flor do Samba", no Teatro Opinião, do Rio De Janeiro, seguindo-se outros shows e atuações na TV. No ano seguinte, sua música "A Timidez me Devora", em parceria com Jorginho Pessanha, foi gravada por Roberto Silva na Copacabana. Em 1968 fez algumas músicas para a peça "Dr. Getúlio, sua vida e sua Obra" de Ferreira Gullar e Dias Gomes, encenada em Porto Alegre, RGS, no Teatro Leopoldina, sob a direção de José Renato. Em 1973 faz parte da Diretoria da Portela como Vice-Presidente Social, tendo como companheiros: Velha, no Departamento Musical e Hiram Araujo, no Departamento Cultural, entre outros. Um dos orgulhos do jovem compositor Martinho José Ferreira era ser reconhecido e cumprimentaddo por Walter Rosa diante de tantos bambas, além de ter sido a primeira pessoa a anunciá-lo, em um microfone, na quadra da Portela:"Presente está o compositor Martinho da Boca do Mato".

Portador de diabete, que já tinha lhe tirado a visão, comovia um grupo de amigos que resolveram lhe prestar uma homenagem. Assim, Monarco, Paulinho da Viola, Tantinho, Délcio Carvalho, Darci da Mangueira e A Velha Guarda da Portela, comandaram um show beneficente no dia 23 de janeiro de 2002, no Teatro João Caetano, quando foram relebrados grandes músicas do "filósofo", como era chamado por alguns dos amigos. Na manhã seguinte, o compositor veio falecer, encerrando a luta que vinha travando com a diabete. Um mestre do samba, admirado e respeitado no meio, não tendo em vida o reconhecimento merecido.

marquinho china

Há uns vinte e cinco anos, a rapaziada que estava presente numa roda de samba que acontecia perto da Escola Quinze aguardava a hora em que seria sorteado o brinde. No meio do pessoal, havia três “Marquinhos”; mas na sacola com os nomes para o sorteio, apenas um. Para não dar confusão, Arlindo Cruz resolveu: “Bom, você já é o PQD; você, o Lessa; e o meu compadre... Peraí! China! Pronto! Você quando ri fecha os olhos... Então é China.” A partir daí, Marco Antonio Cruz de Lacerda é o Marquinho China, companheiro de bairro de Renatinho Partideiro. Confessa China: “O Renatinho, que também é de Pilares, é um dos melhores. Um perigo!”. Nas quartas-feiras do final dos anos setenta, no Cacique de Ramos, Marquinho testemunhou a apresentação de sambas inéditos (ou “fresquinhos”, como diziam) lançados por Beto Sem Braço, Almir Guineto, Luis Carlos da Vila, Jorge Aragão, Jotabê, Dida e Neoci. Como se não bastasse, o Partido-Alto corria solto. Os versos de Baiano, Denir de Lima, Guineto, Sem Braço, Arlindo, Zeca Pagodinho, Cláudio Camunguelo e outros completavam-se no ar; ar respirado e mantido pelo cauteloso observador: “Era complicado entrar. Só tinha cobra, parecia o Butantã.”, recorda. Mas, com respeito, entrou, e hoje é respeitado.

Além do verso dolente e imediato, compôs sambas em parceira com Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho, Sombrinha, Jotabê, Rico Dorilêo, Pedrinho da Flor, Seu Irany Serra (pai de Guineto), Marquinhos PQD e outros manos. Sambas que foram gravados por Guineto, Zeca, Alcione, Fundo de Quintal, Reynaldo, Arlindo & Sombrinha e Beth Carvalho. E a vida seguia pelo pagode da Tia Doca (em Oswaldo Cruz) para admirar o improviso perfeito e ciscador de Casquinha; pela Beira do Rio, de Mauro Diniz e Adilson Victor; pelo primeiro pagode do Arlindo (na Padre Telêmaco); e pelo Pagofone, no Bar do Dodi, cruzamento da Honório com Silva Mourão, no Cachambi. Neste último, assentou praça até o início dos anos noventa, amarrou com Paulo Figueiredo uma amizade invulgar e estreitou ainda mais os laços com o Negão da Abolição: “o Rei da noite!” , como Marquinho faz questão de frisar.

Por conta do batente, eventualmente aparece. Porém, numa tarde e noite de Partido-Alto no CCBB, mediu versos com Arlindo Cruz, Camunguelo e Nei Lopes. Venceu o público. O Teatro Rival também ouviu os improvisos com Jorge Presença, Renatinho e Arlindo. A boa Curitiba acolheu o versado ao lado de Tantinho da Mangueira. Tempos mais tranqüilos, o partideiro de verso elegante, bem rimado e inspirado visita mais amiúde a efervescente Lapa de hoje para dividir com mais uma rapaziada os velhos sambas dos grandes mestres.

fonte: Feitoria Cimples Ócio


"Coração Em Desalinho" Monarco & Marquinho China.

murilão

Para quem não conhece Murilo de Oliveira, o “Murilão”, compositor nascido e criado na boca do mato no Rio de Janeiro. Nas suas andanças no mundo da música, veio para São Paulo nos anos 70 e foi se apresentando como Compositor de Sambas Enredo foi campeão na Perola Negra, Imperio do Cambuci, Camisa Verde e Branco, Renascença da Lapa, Império da Casa Verde e festival de MPB na Sabesp. Um dos primeiros parceiros de Martinho José Ferreira, o “Martinho da Vila”, o apelidou de "perna bamba," ou seja um grande jogador de "pernada" especie de capoeira jogada pelos bambas nas rodas de samba do Rio de Janeiro. Tem composições suas gravadas por Almir Guineto, Zeca Pagodinho, Martinho, Quinteto em Branco e Preto, e muitos outros Trabalhou na noite de São Paulo em shows de boates como na What News na Augusta, no Classik Snooker na Bela Vista, Na Versailhes centro, Barril de Chopp Santo Amaro, no teatro Lira Paulistana das rodas de samba, Participou do famoso bar do Jogral na decada de 70, com artistas como Nelson Cavaquinho, Martinho, Paulo Vanzolini, Nara Leão e muitos outros. Ja fez shows com Ze Keti, Almir Guineto e conhece todos grandes sambistas brasileiros, participou do programa Ensaio da TV Cultura, junto com Martinho , e nas rodas de samba é conhecido como Murilão do Salgueiro, aos sabados da uma canja la na General Salgado, na rua do Samba da Contemporanea, e com tão grande aptidão para musica também é grande Mestre Cuca pois é famoso o Caldo de Mocotó do Murilão e sua feijoada faz fila nas quadras de samba. Dono de um vozerio inconfundível, se destaca em qualquer roda de samba, gravou alguns discos entre eles tambem sambas enredo, é tambem muito acessível e sempre bem recebido em qualquer lugar.

agenor de oliveira

Considerado pela crítica “um dos maiores intérpretes da obra de Noel Rosa”, em cada interpretação emociona o público com sua voz privilegiada e seu estilo envolvente. Carioca de Jacarepaguá, a convivência de Agenor de Oliveira com o samba começou cedo, viveu desde o nascimento na Rua Anália Franco, onde conviviam vários compositores da Portela, da União de Jacarepaguá e do Império Serrano. As rodas samba aconteciam sempre depois do futebol, com a presença constante de Paulinho da Viola. Fez parte da ala de compositores da Portela e atualmente está no Império Serrano.

Lançou seu primeiro disco, “Cabeças”, em 1983, com produção e composições próprias e parcerias com Moacyr Luz, Paulinho Lemos e Lula Dimoraes. Era um canto de protesto, feito em pleno Regime Militar, desfilava vários estilos musicais, porém, sem perder o vínculo com a autêntica música brasileira. O segundo - “Agenor de Oliveira canta Noel Rosa” - com produção da “Olho do Tempo”, apresenta 13 das mais conhecidas composições de Noel, como: Com que Roupa? Palpite Infeliz, Feitiço da Vila, Três Apitos e Conversa de Botequim, dentre outras, com arranjos de Roberto Araújo e participações especiais dos músicos Gilson Peranzzetta e Mauro Senise. Foi indicado, em 1998, para o Prêmio Sharp de Música. Elogiado pela crítica, traz interpretações próprias, de muita sensibilidade, fruto de um longo trabalho de pesquisa das composições e biografia do autor.


O Mestre do Samba Nelson Sargento e seu Parceiro Agenor de Oliveira ensaiam "Sinfonia Imortal", música inédita que será lançada no Próximo CD do Sargento.

altamiro carrilho

Uma lenda viva do chorinho brasileiro, Altamiro Carrilho herdeiro de Patápio Silva, Pixinguinha e Benedito Lacerda, já se apresentou em mais de 48 países, levando este gênero também definido como o "Jazz Brasileiro", sempre com absoluto sucesso. Este gênio da flauta transversa, já passou pelos clásssicos em ritmo de choro, gravou mais de 111 discos, compôs cerca de 200 músicas dos mais variados ritmos e estilos e atualmente está comemorando 56 anos de carreira, 75 anos de vida e "125 da criação do Chorinho". Esses são os resultados do talento que nasceu com este extraordinário músico, perfeito em sua arte.

Nascido em Santo Antônio de Pádua, em 21 de dezembro de 1924, Altamiro Carrilho é Cidadão Carioca (título que lhe foi concedido pela Câmara dos Deputados). Membro de uma família de 8 irmãos, teve desde menino a musicalidade à flor da pele. Aos 11 anos já integrava a "Banda Lira de Arion", tocando tarol e, aos 12 anos, vencia com maestria o programa de calouros de Ary Barroso tocando flauta. Trabalhou como farmacêutico e continuou seus estudos de música à noite até conseguir comprar uma flauta de 2° mão, com o adiantamento de seu patrão. Daí por diante levantou vôo rumo ao sucesso. Mais tarde formou seu primeiro conjunto e, em 1952, teve um programa na TV Tupi, em horário nobre. Nessa época gravou o famoso maxixe "Rio Antigo", de sua autoria. A consagração no Brasil inteiro foi imediata.

No ano de 1963, Altamiro Carrilho excursionou pela Europa e União Soviética, onde foi aplaudido de pé, e foi considerado pela critica como o melhor solista de Flautim do mundo! - instrumento muito difícil de ser tocado. Na Alemanha apresentou o "Concerto em Sol de Mozart", com o qual foi aclamado pelo público. Já se apresentou também no Chile, Bermudas, E.U.A, Japão, Portugal, Espanha, Noruega e França.

Ganhou o "Prêmio Sharp" de 1997 como o melhor disco instrumental com o CD "Flauta Maravilhosa" e lançou no ano seguinte o CD "Chorinhos Didáticos", onde o aluno de música aprende ouvindo, tocando com play back e lendo as partituras anexas no CD. Em 1998, Altamiro Carrilho recebeu do Presidente da República Fernando Henrique Cardoso uma Comenda Especial, em reconhecimento por seu talento e sua incansável luta pela nossa música. Em julho de 2000 realizou uma grande e elogiada apresentação no Teatro Municipal de São Paulo para comemorar os 125 anos de Chorinho. Deste show resultou a produção de um CD, que foi gravado ao Vivo.

Atualmente apresenta-se com seu regional formado por cavaquinho, pandeiro e violão de 7 cordas, por diversas cidades e festivais de música do país, sempre com um repertório que passa pelos clássicos do Chorinho, como "Rosa", "Tico Tico no Fubá", "Carinhoso", "Atraente" e "Brasileirinho", além de composições próprias como "Aeroporto Galeão", "Deixa o Breque pra Mim" e "Oriental", num show alegre, descontraído e delicioso, em que Altamiro Carrilho toca e conta algumas histórias sobre a música popular brasileira. Já se apresentou com diversas Orquestras Sinfônica por todo o Brasil, exercitando assim seu lado erudito.


Altamiro Carrilho tocando Pixinguinha.

canhoto da paraíba

Se a escola de violões é a melhor do mundo, Francisco Soares de Araújo, o Canhoto da Paraíba, é um dos mais surpreendentes expoentes. Seus choros têm um sotaque nordestino delicioso. Seu estilo de tocar é único. Como era obrigado a compartilhar o instrumento com os irmãos, não podia inverter as cordas, o que o fez tocar em um instrumento afinado para destros. O pai não conseguia ensinar-lhe: "Ih, meu filho, tem jeito não. Pra lhe ensinar tem que botá de cabeça pra baixo ou diante de um espelho". Teve que aprender tudo sozinho. Em 1959, uma legendária excursão de músicos nordestinos viajou dias de jipe com destino à casa de Jacob do Bandolim no bairro de Jacarepaguá no Rio de Janeiro, onde aconteciam os maiores saraus da época. Reza a lenda, que no primeiro sarau em que se apresentaram para a nata dos músicos brasileiros, Radamés Ganttali ficou tão impressinado que gritou um palavrão e jogou seu copo de cerveja no teto. Para recordar o momento, Jacob nunca limpou a mancha no teto. Considerando o temperamento explosivo de Radamés e o virtuosimo de Canhoto, a história até é factível, pena que parece que é falsa. Histórias saborosas assim todo mundo deveria acreditar. O fato é que esta reunião foi tão impactante, que um moleque que a assistiu, filho de um dos músicos participantes, resolveu por causa disso aprender música. Hoje ele é conhecido como Paulinho da Viola.

Estabelecido em Recife, desde 1958, somente dez anos depois, Canhoto da Paraíba conseguiu gravar seu segundo disco, Único Amor pela finada gravadora Rozenblit. Este disco é que está sendo agora relançado em CD, com apoio de João Florentino, dono da rede de lojas Aky Discos e do selo Polysom. Entre tantos ótimos violonistas na cidade na época, Canhoto surpreendeu na escolha de quem iria acompanhá-lo. Escolheu o jovem Henrique Annes, de 22 anos e formação clássica. Francisco Soares sabia das coisas. Henrique veio a se tornar um dos maiores violonistas brasileiros, e fez parte de alguns dos mais interessantes projetos instrumentais, como a Orquestra de Cordas Dedilhadas de Pernambuco (que tem um maravilhoso disco relançado em CD) e lidera o grupo Oficina de Cordas. Se achou esta dupla pouco, é que ainda não sabe quem foi o produtor musical do disco. Nada menos do que o maestro Nelson Ferreira, que, o maior maestro/orquestrador de frevos que já existiu.

Canhoto veio a gravar apenas mais dois discos de carreira, ambos antológicos. Em 77, Paulinho da Viola produziu para a Discos Marcus Pereira o "Com mais de Mil". Esse disco já foi lançado em CD, mas os babacas da EMI trataram de tirar de catálogo quando compraram o acervo da Copacabana. Pela finada Caju Music gravou em 1993, seu último disco, "Pisando em Brasa", com as participações especiais de Rafael Rabello e Paulinho da Viola. Ainda pode-se encontrar este disco em CD pela Kuarup. Recentemente saiu em CD sua entrevista para o programa Ensaio da TV Cultura. Em 1998, Canhoto sofre uma isquemia cerebral e fica com o lado esquerdo do corpo paralizado, impossibilitando-o de tocar.

fonte: Samba e Choro


Parte do documentário apresentado durante as festividades de comemoração dos 83 anos de Emancipação Política de Princesa Isabel - PB (18 de novembro de 2004), cujo tema homenageava Francisco Soares - Canhoto da Paraíba.

> Geografia Popular



Geografia Popular
(Arlindo Cruz / Marquinhos de Oswaldo Cruz / Edinho)

Gente boa, onde Aniceto está?
Foi pra bem longe
Quero ver quem vai dizer em versos
Onde se esconde

Vou sair mas volto já, meu bem
Eu não demoro
Vou pegar um parador alí
Em Deodoro

Lá na casa do Osmar
Tem um pagode bem legal
Eu saí de Deodoro e cheguei
Em Marechal

Salve a lira do amor
Escola de grandes partideiros
E depois de Marechal, o que é que vem?
Bento Ribeiro

Vou pra terra de Candeia
Onde o samba me seduz
Pois lugar de gente bamba, onde é?
Oswaldo Cruz

Lá na Portela ninguém fica de bobeira
Mas o Império Serrano também é
Em Madureira

Quem é bom já nasce feito
Quem é bom não se mistura
Que saudade do pagode do Arlindo
Em Cascadura

Já pedi pro meu São Jorge
Pra guiar o meu destino
Na igreja do Guerreiro eu rezei
Lá em Quintino

Tem Botija, Água Santa, Usina
E universidade
Alô, Caixa, alô, 18, alô, Povão
Da Piedade

Vou seguindo a trajetória
Mas o trem tá muito lento
E a parada obrigatória, onde é?
No Engenho de Dentro

Méier, Engenho Novo, Sampaio, Rocha
Que canseira
Riachuelo, São Francisco, até que enfim
Minha Mangueira

Maracanã, São Cristóvão
Lindo bairro imperial
Só depois de Lauro Muller
Amor cheguei lá na Central



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Marquinhos de Oswaldo Cruz - Uma Geografia Popular - 2000

da antiga...


Zeca Pagodinho e Bira Presidente, no Pagode do Cacique de Ramos.


Neoci, Alcir Portela, Mauro Braga, Jorge Aragão e China.


Sereno, Neoci, Milton Manhãs, Bira Presidente, Paulo Moura, Dida, Tio Hélio e Jorge Aragão.

Imperatriz conta a história de Ramos



Imperatriz leva história do bairro de Ramos para a Marquês da Sapucaí. Sabe o que têm em comum a Imperatriz Leopoldinense, o bloco Cacique de Ramos e o maestro Villa-Lobos? Todos cresceram em um dos berços do samba no Rio: Ramos. Sandra Moreyra conta a história. A ferrovia corta o bairro simples no subúrbio da Leopoldina. O som do trem sobre os trilhos marcou ritmo, como um coração. Ramos nasceu com a chegada do trem em 1886.

A estrada de ferro iria cortar as terras de uma grande fazenda de cana-de-açúcar e café. Os donos da fazenda, a família Ramos, concordaram com as obras do trem, desde que no local fosse feita uma estação. O maestro Villa-Lobos morou no bairro quando jovem. O violinista Baden Powell também. O maestro Paulo Moura tem raízes fincadas em Ramos. Sede da Imperatriz Leopoldinense e do Cacique de Ramos, o bairro traçou caminho na geografia do samba. Essa história vai desfilar em 2009 na Sapucaí.

“Vamos estar juntinhos lá na avenida, participando desse feito, para nós, histórico na vida do Fundo de Quintal e do Cacique de Ramos”, declara o presidente do Cacique de Ramos Bira Nascimento. “A música é boa. Aí, o povo fica animado. Eu acho que eles têm que ter amor pela região, pelas pessoas, pelas tradições dele. A Imperatriz vai sir mais rainha do que nunca e comemorando 50 anos. É uma cinqüentona de respeito”, afirma a carnavalesca Rosa Magalhães.

fonte: Sandra Moreyra

Projeto Samba dos Amigos - SP





isso é marquinhos de oswaldo cruz



Quando cheguei em Oswaldo Cruz, o quintal ainda estava vazio. Cheguei cedo, eu e uns amigos. Marquinhos de Oswaldo Cruz fez questão de nos apresentar à dona da casa, Tia Surica, uma mulher que transborda simpatia e espontaneidade, componente da Velha Guarda da Portela. Perguntamos se ela precisava de ajuda. "Vocês vão ajudar muito se saírem da minha cozinha. Muito homem junto aqui não dá certo!" disse, sorrindo. Acatamos na hora e voltamos pro quintal, onde começamos um animado papo com a estrela do dia. Marquinhos é ótimo pra conversar, vai emendando um assunto no outro e nos deixa bastante à vontade. Pegando seu disco, começa a falar das fotos no encarte. Em uma delas, nos mostra seu avô dentro de uma bóia de pneu, cercado de crianças, se banhando em uma praia da Ilha do Governador. Isso, é claro, em uma distante época onde se podia tomar banho ali.

Eis que, no meio do papo, o portão lá no fundo se abre. A figura não me é estranha, mas demoro a reconhecer o "seu" Casemiro, titular da cuíca na Velha Guarda. "Ele é sempre um dos primeiros a chegar", lembra Marquinhos.

Aos poucos, o quintal de Tia Surica vai sendo ocupado pelos convidados, dentre sambistas, jornalistas e amigos, todos prestigiando o jovem compositor oriundo da academia do samba de Oswaldo Cruz. Marquinhos recebia todos com o maior carinho, não escondendo sua felicidade em ver cada um deles ali, naquele que era o seu dia. O Marcos Souza e o pessoal da Rob Digital chegam com o som e logo, logo lá estava Uma Geografia Popular rodando no aparelho. O ambiente é invadido pelas belas composições que compõem o cd.

No meio dos jornalistas, Marquinhos de Oswaldo Cruz contava histórias de sua vida e de seu cd. Em volta, nas várias mesas, estava presente uma parte da história do samba. Tia Eunice, Jair do Cavaquinho, Guaraci, Walter Alfaiate, Ivan Milanez, Zé Luiz, Luís Carlos Máximo, Tia Doca, Casemiro, Argemiro... Sobre este, aliás, Marquinhos conta que o conheceu por causa de uma música que o Zeca Pagodinho queria gravar. Argemiro foi atrás do Marquinhos pra que fizesse o banjo na gravação da fita. Apesar de ainda "arranhar" no instrumento, ele fez assim mesmo. Nessa hora ele para a narração, saca de
seu cavaquinho e começa a cantar: "Já não vejo os velhos sambistas / Os verdadeiros artistas de muitos anos atrás / O samba anda meio deturpado / Eu também estou mudado / Mas não os esqueço jamais / Em louvor a nova geração / A que faz do samba o seu bastão / Embora um pouco diferente / Mas faz vibrar o coração da gente..." E arremata, empolgado: "Eu conheci o "seu" Argemiro por causa dessa música!"

Almoço na mesa, o pessoal cai dentro de uma deliciosa bacalhoada, regada a cerveja gelada! Pra quem quisesse, ainda tinha o tradicional frango com quiabo. Não agüento com esses momentos de incerteza e, na dúvida, provei dos dois pratos...

Após o almoço, fui parar na barraca das bebidas. Imbuído de um forte sentimento de solidariedade, atendi o apelo de um amigo que não estava dando conta. Acabei na área mais privilegiada do lugar: além de estar perto das "geladas", ainda ficava bem de frente à roda que começava a se instalar. Na falta do tantan, um balde resolveu o problema e o samba comeu solto. Ali, naquele espaço, vi Walter Alfaiate versando com Marquinhos de Oswaldo Cruz, Ivan Milanez e Renatinho Partideiro. De repente, um verso pra moça de azul que acabara de chegar: era Dorina, que logo se incorporou à roda e, com Tia Surica e Tia Eunice, engrossou o coro. Para a alegria dos fotógrafos presentes, Casquinha fez pose ao lado de Marquinhos de Oswaldo Cruz e os dois cantaram "Meu Bairro", samba de Casquinha que está no cd Uma Geografia Popular: "Aceite os conselhos meus / Vem morar em Oswaldo Cruz / Vem gozar as delícias / Mandadas por Deus".

No final daquele dia, me sentia embriagado. Não só pela quantidade de cervejas que bebi, mas pelo que vi e ouvi. Apesar de ser Vila Isabel, tenho que concordar com os versos do Chico Santana: "Samba bonito na Portela é que tem / Academia do samba é lá também..." Um disco como o do Marquinhos merecia uma celebração como esta. O calor de mais de 40 da vizinha Madureira só não superava o calor das pessoas que ali estavam, no bater das mãos, no entoar das canções, no compasso do arrasta-pé.

Tudo bem, vou cair no lugar-comum. Mas não pude deixar de lembrar do samba de Monarco, na sua "Homenagem à Velha Guarda": Juro que fiquei boquiaberto, nunca me senti tão perto da Portela dos tempos atrás.

fonte: Fernando Peixoto

sei lá mangueira


Documentário maravilhoso, que mostra e fala do berço do samba, Mangueira.

marquinhos de oswaldo cruz

Defensor da tradição secular do samba dos subúrbios cariocas, Marquinhos de Oswaldo Cruz é antigo freqüentador de rodas de samba do Rio de Janeiro. Sua relação com o bairro que incorporou ao nome artístico é forte a ponto de o disco lhe ser quase todo dedicado (e no entanto a última faixa, Poderio de Oswaldo Cruz, vem erradamente creditada a ele: os autores são Marquinhos Diniz, Barbeirinho e Maneco). Como compositor Marquinhos é sem dúvida uma das boas promessas do gênero, como já pôde constatar Beth Carvalho, que gravou Geografia Popular (a música) em seu disco Pérolas do Pagode. A faixa-título é sem dúvida o carro-chefe do disco. Trata-se de um partido-alto que versa sobre as estações de trem que passam pelos subúrbios do Rio, de Deodoro à Central do Brasil, onde o coro vai atacando com o nome de cada uma das paradas. O samba Décima Sexta Estação também remete ao ambiente do samba, do trem, e de Oswaldo Cruz (a 16ª estação a partir da Central), onde, segundo a letra, "o samba corre em nossas veias". E corre bem.

Abrindo o disco, Luz de Verão é uma dolente parceria póstuma com Candeia, feita 25 depois da morte do sambista, a partir de uma gravação inédita garimpada dos arquivos de Cristina Buarque. A letra de Marquinhos, escrita logo depois do enterro de Alberto Lonato (morto em janeiro de 98), integrante da Velha Guarda da Portela, é uma bela e pungente homenagem ("não, o surdo não disse fim/ com a marcação/ sambas são pés que passam/ fecundando o chão/ chamas da profissão"). Mas o repertório não é composto exclusivamente por músicas de Marquinhos. Há uma seleção e tanto de sambas pouco conhecidos fora da rodas, como Minha Querida, Homenagem à Velha Guarda, as complementares Enquanto a Cidade Dorme e Manhã Brasileira e Meu Bairro, uma verdadeira preciosidade de Casquinha, felizmente tirada do baú. Com esmerada produção musical de Paulão 7 Cordas, a parte instrumental - totalmente acústica - é primorosa. O único senão do disco fica por conta dos dotes vocais de Marquinhos. Bom compositor, ótimo letrista, enquanto intérprete fica muito aquém do esperado, apresentando sérios problemas de afinação em praticamente todas as faixas. No calor da roda de samba passa. Mas no disco, a precisão do estúdio é mortal. Fica a torcida para que ofereça todo seu talento de sambista a intérpretes de melhor calibre.

fonte: Nana Vaz de Castro


Marquinho de Oswaldo Cruz canta "Geografia Popular".

germano mathias

Germano Mathias nasceu no dia 2 de junho de 1934 no bairro do Pari, zona leste de São Paulo. Passou infância e adolescência estudando no Centro da cidade e quando saía da escola dava de cara com as rodas de batucada feitas pelos engraxates nas praças Clóvis Bevilacqua e João Mendes. Todos batucavam nas próprias latinhas de graxa e Germano passou então a acompanhá-los. Logo se mostrou espantosamente hábil o que lhe valeu um convite para tocar frigideira na bateria da Escola de Samba Rosas Negras. Incentivado por um amigo batuqueiro, participou em outubro de 1955 do concurso À Procura de Um Astro na Rádio Tupi. Ganhou o primeiro lugar com um samba sincopado e logo foi contratado pela rádio que o registrou como “cantor e executante de instrumentos exóticos” (a tal lata de graxa). Esse estilo de samba com divisões bem marcadas e uma batida diferente tornou-se a marca registrada do cantor, e eventual compositor. Em 1956 gravou seu primeiro LP de 78 rotações pela Polydor onde no lado A estava “Minha nêga na janela” (Germano Mathias/Doca) e no outro lado, “Minha pretinha” (Edison Borges/Jair Gonçalves). No ano seguinte lançou um outro 78 rotações com as músicas “A situação do escurinho” (Padeirinho/Aldacir Louro) e “Falso rebolado” (Venâncio/Jorge Costa) e seu primeiro LP Germano Mathias, o Sambista Diferente, ambos pela Polydor. Ganhou pelo LP os prêmios Roquete Pinto e Guarani.

Em 1958 mudou-se para a RGE e lançou um de seus maiores sucessos, “Guarde a sandália dela” (Germano Mathias/Sereno), que mais tarde foi gravado pela dupla Elis Regina e Jair Rodrigues. O sucesso de Germano Mathias aumentou ainda mais quando apareceu na TV, pois todos achavam que o sambista fosse negro e o que apareceu na telinha foi um jovem branco, bem vestido e extremamente bem humorado que adorava fazer das suas “presepadas” no palco. O sucesso foi tão rápido que em 1959 participou de dois filmes: O Preço da Vitória de Oswaldo Sampaio e Quem Roubou Meu Samba? de Hélio Barroso e José Carlos Burle. O sucesso de Germano durou do final da década de 1950 até o final da década de 1960, onde frequentemente era campeão de vendas de discos. Foi o primeiro a gravar um samba de Geraldo Filme. Isso aconteceu no LP Ginga no Asfalto (1962, Odeon) e o samba chamava-se “Baiano capoeira”, feito em parceria com Jorge Costa. Germano Mathias também gravou Zé Ketti (“Malvadeza Durão”, “Opinião”, “Mexi com ela” e “Nega Dina”, entre outros), Nelson Cavaquinho (“História de um valente”), Herivelto Martins (“Vaidosa”), Gordurinha (“Carta a Maceió”) e, acima de tudo, os amigos Jorge Costa e Elzo Augusto.

Ainda no auge da carreira, mais precisamente em 1º de maio de 1967, recebeu o diploma de Bacharel do Samba da Ordem da Palheta Dourada, conferido pela Escola de Samba X-9. A entrega do título chegou aos ouvidos do apresentador de TV Randal Juliano que logo apelidou Germano Mathias de ‘O Catedrático do Samba’. No mesmo ano apresentou o programa de TV Nosso Ritmo é Sucesso na TV Globo de São Paulo.

Sua carreira foi minguando durante a década de 1970 um tanto por causa de seu gênio intempestivo. Todo o dinheiro que conseguiu na década de 1960 foi sendo gradativamente perdido em farras e jogos. Voltou a ser ouvido em 1978 quando a Phonogram lançou a compilação Antologia do Samba-Choro onde Germano Mathias dividiu espaço no LP com Gilberto Gil. Depois disso foi quase totalmente esquecido no decorrer das décadas de 1980 e 90. Emplacou uma música (“Jerônimo”) na trilha sonora da novela Cambalacho na TV Globo e fez algumas participações em discos de outros. Em 1999 participou do CD História do Samba Paulista Vol. 1 (CPC UMES) onde cantou os sambas “Bandeira do Timão” (Elzo Augusto) e “Último sambista” (Geraldo Filme), dividindo atenções com Oswaldinho da Cuíca, Thobias da Vai-Vai e Aldo Bueno.

Em 2002 lançou seu primeiro CD, Talento de Bamba (Atração), exatos 28 anos depois de seu último disco-solo. Germano Mathias ganhou elogios da crítica e voltou a fazer shows com o que melhor sabe fazer, sambas rápidos e bem-humorados. O disco foi todo feito a partir de composições de Elzo Augusto, tais como “Costela predileta”, “Pega leve”, “Produto brasileiro” e “São Paulo, mãe-madrinha”. Três anos depois, um outro velho sonho se concretiza e Germano lança Tributo a Caco Velho (Atração, 2005), todo feito sobre sambas do gaúcho Matheus Nunes, o Caco Velho, tais como “Uma crioula” e “Que baixo...!”.

fonte: Dafne Sampaio

prata preta

bide

Alcebíades Maia Barcelos o Bide, nome inscrito com justiça entre os maiores compositores de samba na história da música popular brasileira, nasceu em Niterói, estado do Rio de Janeiro, em 25 de julho de 1902. Aos seis anos já estava morando na cidade do Rio de Janeiro, indo a família se fixar no lendário reduto do samba, o bairro de Estácio de Sá. Esse fato deve ter contribuído decisivamente para o futuro musical do menino. Como em geral acontecia com os sambistas, as origens de Bide foram bastante, humildes, sendo desde cedo obrigado a trabalhar. O primeiro emprego foi como aprendiz de sapateiro. Levado por companheiros de trabalho, passou a freqüentar as rodas de samba do bairro, participando do movimento que promoveu a transição do estilo amaxixado do samba, para sua forma definitiva. Começou a compor e a qualidade de suas músicas chegou até o cantor Francisco Alves, que costumava comprar produção de qualidade, de compositores populares, e gravá-la em seu próprio nome. Foi o que aconteceu com o samba A malandragem, que Francisco Alves aprendeu com Bide e gravou em seguida pela Odeon. No disco consta apenas o nome do cantor como autor, embora na partitura Bide apareça como parceiro.

Já completamente integrado ao grupo de sambistas do Estácio, fundou - ao lado de Ismael Silva, Mano Edgar, Brancura, Baiaco e outros bambas - a primeira escola de samba, a célebre Deixa Falar. Foi no samba do Estácio, e por conseqüência na Deixa Falar, que Bide introduziu o surdo e o tamborim, abrindo novas perspectivas para compositores e executantes do ainda novo ritmo. No final da década de 20, abandonou a profissão de sapateiro e passou a viver da carreira artística, na qual se fixou como ritmista, assíduo participante dos estúdios de gravações e orquestras ou conjuntos radiofônicos (viria a ser funcionário da Rádio Nacional anos depois). Como compositor, teve em Armando Marçal o mais constante companheiro, formando com ele uma dupla que garantiu presença permanente na história da música brasileira. Foi com ele que compôs o samba Agora é cinza, considerado pela crítica um dos mais bem-feitos em todos os tempos. Em seu lançamento, no Carnaval de 1934, o samba foi o vencedor do concurso de músicas carnavalescas, e promovido pela prefeitura do então Distrito Federal.

Mas, apesar do sucesso da dupla, vez que outra Bide "traía" Marçal e compunha com outros parceiros. Noel Rosa, Walfrido Silva, Benedito Lacerda, Alberto Ribeiro, João da Baiana, Kid Pepe, João de Barro, Ataulfo Alves, Mano Décio da Viola e Roberto Martins estavam entre eles. É atribuída a Bide a descoberta de Ataulfo Alves como compositor, que, levado em 1934 para a RCA Victor, teve gravado seu primeiro samba. Até a morte de Marçal em 1947, a produção musical de Bide foi intensa, tendo caído bastante depois do falecimento do parceiro favorito. Em 1955, o compositor chegou a animar-se novamente, ao participar da gravação de O Carnaval da Velha Guarda, LP do selo Sinter, com o conjunto da Guarda Velha, liderado por Pixinguinha. O grupo contava, entre outros, com as presenças de Bide, tocando afoxê, Donga, no violão, e João da Baiana, com sua personalíssima batida de pandeiro. Em 18 de março de 1975, aos 73 anos, praticamente cego e paralítico, morreu no conjunto residencial para músicos, no Rio de Janeiro.

fonte: MPB Cifrantiga